              Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                   TRANSFORMAO  PARTE 3

     Voc estaria disposto a deixar sua famlia para ir defrontar-se com o perigo
absoluto e fulminante numa misso ordenada pelo Senhor?

     Na segunda parte da aventura, Carlos e Nick Gradinno acertaram
contas com Lucas e os demais capangas de Vip. No meio do tiroteio
Alan Xavier levou um tiro por Carlos e est entre a vida e a morte. Em
sussurros pediu para que Carlos o levasse a um endereo desconhecido
at ento.
     A casa onde Carlos levou o ferido  simples e revelou outra etapa
da histria de Alan. Um casal por nome de Fbio e Vitria socorreu Alan
e chamaram um amigo em comum, Andrey.
     Axel chegou ao local do confronto e notou muitas irregularidades.
A principal delas: muito sangue e um s corpo encontrado. O de Nick
Gradinno.
     Carlos se viu entre os amigos de Alan e todos pareciam tambm ser
convertidos ao Evangelho de Cristo.
     O momento final chegou assim como o confronto final.
     O que ir acontecer?
     Alan e Carlos provaro sua inocncia?
     Alan conseguir alcanar o corao de Carlos e faz-lo entender que
Deus o ama?
     E quanto a Carlos? Conseguir ele resgatar sua noiva e derrotar
toda a quadrilha?
     E o grande segredo da Quadrilha? Quem ser o misterioso Vip?

     Nestes captulos finais voc estar "DESCOBRINDO A VERDADE!"

                                 Naasom A. Sousa




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




               TRANSFORMAO
                              PARTE 3


                    Naasom A. Sousa

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Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                           Parte Trs



 DESCOBRINDO
  A VERDADE




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                           Captulo 23



S  eus olhos se abriram quando um raio de sol despontou pela janela e
   ofuscou seu rosto. Ergueu o cenho e apertou os olhos para acostumar-
se rapidamente a luminosidade do dia que clareava l fora. Havia
voltado s cinco horas e quinze minutos para a casa da rua Josu
Golfinho, nmero 308. No mesmo instante em que cruzara a porta, fora
abordado por Vitria, que logo lhe ofereceu um colchonete e sem que
ainda respondesse, esticou-o no cho da sala, logo aps cobrindo-o com
um cobertor limpo. No tivera como recusar. Deitara, mas no dormira
imediatamente. Sua mente permanecera ocupada por muito tempo
depois. Ela variara de Nicole para Vip, e de Vip para Alan, de Alan para
Lucas e de Lucas para si mesmo. Bolara planos e mais planos
inconseqentes para resgatar Nicole da sede da quadrilha. Porm, mais
tarde sempre descobria que tudo era uma grande tolice, pois todos eles
findavam na sua morte, na de Nicole ou na de ambos. E foi assim --
pensando e planejando -- que acabara dormindo.
     Agora, Carlos passou a mo no rosto e sentiu a barba por fazer.
Devo estar um trapo ambulante, pensou. Sentou sobre o fino colchonete e
em seguida levantou-se. Respirou fundo e perguntou-se como teria
amanhecido o pastor. Voltou o olhar para o quarto e viu a porta aberta.
E mais que isso, enxergou Vitria ajoelhada no cho e debruada sobre a
cama e com Fbio sentado junto a ela. Eles oravam silenciosos, mas de
maneira fervorosa.


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Carlos observou-os por um momento e notou que seus olhos
estavam fechados e apenas seus lbios se mexiam numa tagarelice
sussurrada. Fez um sinal de desaprovao com a cabea e quis saber por
que faziam aquilo. Como podem perder tempo com isso? Resmungou.

                                 &&&

     Carlos foi surpreendido por Vitria quando esta entrou na cozinha
e pegou-o sentado  mesa tomando um copo com gua.
     Vitria era uma jovem mulher muito bonita. Naquela manh,
parecia que estava mais bonita que de madrugada, pensou Carlos. Ela
estava dentro de um vestido roxo que escondia as curvas do seu corpo
bem torneado. Seus cabelos castanhos emolduravam o rosto redondo e
cheio, liso como seda e os seus olhos brilhantes poderiam guiar um
navio de longe como um farol.
     Ele fitou-a sem dizer uma s palavra.
     Vitria sorriu. Um dos sorrisos mais belos que Carlos j tinha em
toda a sua vida.
     -- Voc estar com fome. Quer caf?
     Ele hesitou.
     -- Sim, por favor.
     Ela caminhou at a garrafa trmica e em seguida at o armrio onde
pegou nas mos trs xcaras e levou tudo  mesa.
     -- Como o pastor est esta manh? -- perguntou Carlos.
     -- Ele parece melhor. Andrey saiu depois que voc dormiu e disse
que at naquele momento no poderia dar nenhuma concluso concreta.
Ele disse que voltaria logo que amanhecesse para verificar o seu estado.
Ele  o mdico da turma.
     Carlos estreitou os olhos. Dormira tanto que no vira Andrey sair.
     -- Que horas o seu amigo mdico saiu?
     -- Eram quase seis. Se est pensando que ele ir fazer algo contra
voc, pode ficar tranqilo. Nada acontecer com voc enquanto estiver
aqui.
     Ele pensou sobre aquilo. Como ela podia ter certeza daquilo?
Ningum o podia. Mas de alguma forma ele se sentiu tranqilizado. Ele
indagou com expresso sria:
     -- Voc falou de uma turma. Que turma  essa?
     -- Era a nossa turma. Fbio, Andrey, Jos e eu.
     -- Jos? Quem  Jos? Onde ele est?
     Vitria sorriu.


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Est em lua-de-mel. Casou-se h quatro dias -- o sorriso
repentinamente desvaneceu. -- S no sei como ele ir receber a notcia
de que Alan est aqui em casa, e... ainda correndo risco de vida.
     Vitria encheu as xcaras e indicou a Carlos a sua.
     -- No creio que seja... posso dizer... prudente ligar e contar uma
coisa daquelas logo na lua-de-mel do homem.
     A jovem esposa tomou um gole do caf da sua xcara e disse:
     -- Eu pensei nisso, mas acho que Jos no nos perdoaria se
escondssemos isso dele. Ele, assim como todos ns, somos muito
amigos de Alan.
     -- Isso d pra se notar. Voc e Fbio so casados?
     -- Somos -- respondeu Vitria sem nenhuma cerimnia.
     Carlos fez um sinal afirmativo com a cabea e engoliu um pouco do
lquido negro.
     -- Ele no vai tomar caf agora?
     Vitria abanou a cabea.
     -- No. Ele est agora orando por Alan. Depois vai vir.
     Orando? De forma estranha aquela pequena palavra o perturbava.
Ele pensou rapidamente e tentou dentro de si saber por qu. Mas por
hora, achou melhor mudar de assunto.
     -- Diga-me, como vocs conheceram o pastor? -- indagou.
     Ela ergueu o sobrolho diante da pergunta.
     -- Oh, isso  uma longa estria e acho que quem deva cont-la seja
o prprio Alan.
     -- Por que acha isso?
     -- No sei... Isso  apenas um pressentimento.
     Carlos ficou a olh-la, como se tentasse descobrir o que pensava. Ele
tomou mais um gole de caf quente.
     -- Posso lhe pedir uma coisa? -- perguntou Vitria.
     Carlos foi pego de surpresa.
     -- Eu... eu no sei... -- pensou na loucura e nos costumes
esquisitos daquela mulher e de seus amigos, como por exemplo, ficar de
joelhos e debruada sobre a cama que acolhia Alan. -- Est bem. Pea.
-- disse por fim.
     --  uma coisa muito simples. -- falou ela. -- pode ir at a sala,
pegar um livro de capa preta, procurar o nome Salmos na parte superior
e ler os nmeros 139 e... 57?
     Carlos estreitou os olhos, confuso.
     -- Ler parte de um livro? Para qu isso?
     Vitria sorriu.


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             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Apenas leia, por favor. O que contm nesse livro pode ajud-lo.
     -- Me ajudar?! -- desdenhou Carlos. -- Voc s pode estar
brincando.
     -- Voc ir fazer alguma coisa agora? Nesse momento?
     Carlos pensou no mesmo instante em ligar para Vip e at mesmo se
sentiu tentado a mentir dizendo que iria sair naquele momento. Mas
ento fez uma meno negativa com a cabea.
     -- No. No irei a lugar algum agora.
     Vitria deu uma ltima golada do seu caf e retirou-se da cozinha
dizendo:
     -- Ento faa o que lhe pedi. Voc no tem nada a perder.
     Carlos levou sua xcara  boca e ponderou:
     Creio que voc tem toda a razo. Nesses ltimos dias eu no tenho muita
coisa a perder.

                                  &&&

     A sala de Pablo e Caio era uma das maiores da central e tambm
uma das mais confortveis. Axel gostava de l, mas admitia que aquilo
no pertencia a ele -- como queria o capito dali por diante -- e sim
continuava sendo posse dos antigos ocupantes. Ele afundou na
acolchoada poltrona atrs da mesa de mogno envernizado e petrificou o
olhar, recordando tudo o que havia acontecido na madrugada. Tudo
aquilo o deixara confuso. No momento nada se encaixava muito bem.
     Com tudo o que acontecera, no tivera tempo de voltar para casa,
porm, fez um esforo para dar um telefonema para Tina. Ainda se
lembrava que a voz da esposa parecia fraca como o de algum que tinha
passado a noite aos prantos. Aquilo o preocupara e resolveu que assim
que terminasse seu relatrio, voltaria correndo para casa e ento
encontr-la e tambm a seu filho.
     A porta da sala foi subitamente aberta e Levi entrou como um
furaco.
     -- Queria falar comigo, Axel? -- indagou ele.
     O agente fez um sinal positivo com a cabea.
     -- Sim, eu quero saber se voc j descobriu algo a respeito do
homem morto nessa madrugada na rua Treze. Qual o seu nome? Ele tem
mulher, Filhos? Sai s noites, tem casa prpria, qual o modelo e ano do
carro dele... ? Essas coisas.




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Levi sorriu e Axel percebeu que ele j se encontrava com uma pasta
na mo. Levi ergueu-a e Axel pde ler Nick Gradinno escrito com pincel
atmico.
     -- Sou todo ouvidos -- disse Axel para que Levi comeasse seu
relatrio.
     -- Como voc j viu, o nome dele era Nick Gradinno, descendente
de italiano. No tinha mulheres, filhos nem casa prpria. Foi preso
vrias vezes por porte ilegal de armas, agresso, roubo de carros,
extorso, tentativa de assassinato, assassinato... Resumindo, a ficha 
bem longa. Esse cara era um caso perdido.
     -- Nada est perdido, meu amigo.
     Levi no entendeu.
     Axel olhou alguns papis sobre sua mesa e organizou-os,
colocando-os a seguir para o lado. Abriu a gaveta, pegou outros papis e
entregou-os a Levi.
     -- O que  isso?
     -- So os retratos-falados dos dois suspeitos. Quero que voc
espalhe isso por toda a cidade. Pregue em cada poste, em cada vitrine,
em cada banheiro. Tambm entregue  mdia. J entreguei para todos os
jornais impressos locais e certamente j prensaram o rosto deles nas
primeiras pginas.
     -- Isso  muito bom -- falou Levi confiante -- Quem sabe assim
conseguiremos colocar as mos nesses dois assassinos.
     Axel hesitou.
     -- , mas... no sei no. Tem alguma coisa estranha em tudo isso
que no est batendo.
     -- O que voc est pensando?
     -- Pode ser apenas minha imaginao, mas... primeiro mandam a
Pablo e a Caio para uma emboscada, onde so assassinados. Depois, os
culpados pelo assassinato so capturados, um pouco fcil de mais, e
levados por uma estrada onde dificilmente algum passa. A viatura bate
por culpa do motorista, porm este era considerado o melhor motorista
da polcia de Melmar. Da, os suspeitos escapam e, ao invs de fugirem
para uma outra cidade ou pas, retornam para c. O motorista morre
subitamente. O telefonema dado pelos suspeitos que poderia ser a chave
para desvendar esse caso desaparece dos registros da companhia
telefnica e, por fim, h um novo confronto no mesmo endereo onde
tudo isso comeou. H balas, vidros e sangue por toda parte e apenas
um corpo foi encontrado. Pense bem. H algo muito esquisito a.



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                Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

Alguma coisa nas entrelinhas; algo encoberto. No tenho a menor idia
do que seja por enquanto, mas vou descobrir.
    O telefone tocou. Era Caroline. Sua voz estava um tanto alterada.
    -- Axel, queria me encontrar com voc mais uma vez no trailer do
George, agora se fosse possvel.  algo urgente que queria tratar com
voc.
    Axel pensou por um momento. Mais uma urgncia era tudo o que
no queria. Tina mais uma vez teria que esperar.
    -- Tudo bem, irei encontr-la daqui uma hora.

                                            &&&

      O livro grosso e preto estava em suas mos. Ele leu as letras
douradas que estavam impressas na capa.
                                BBLIA SAGRADA
      Primeiro quero saber se voc conhece a Bblia Sagrada. Conhece? Lembrou
das palavras de Alan.
      Porque Nela est escrito, em um livro chamado de Carta aos Romanos, que
todos os seres humanos esto sujeitos a fazer tudo isso que voc fez e muito mais. L
est escrito: Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inteis. No h quem
faa o bem, no h um s. Tambm est l: porque todos pecaram e esto destitudos
da glria de Deus. Todos somos iguais, e com isso estamos a merc do mesmo julgo.
Assim como voc est agora, como eu tambm estou... poderia ser qualquer outra
pessoa, pois somos todos iguais...
      Parecem ser todos iguais esses loucos, pensou Carlos com relao a Alan e
os donos da casa.
      Fitou a bblia por um longo tempo e depois a abriu. O nome que viu no
canto superior foi Juizes. No gosto deste nome, disse consigo mesmo. Folheou
algumas pginas at encontrar o nome Samuel. Gostou do nome. Havia
vrios nmeros espalhados por todas as pginas algumas maiores que as
outras. Ele observou a grande: 17 (captulo 17). Leu o nome Davi e Golias.
Algo lhe impulsionou a ler o que estava escrito naquelas pequenas linhas.

        Os israelitas e os filisteus se punham em ordem de batalha, fileira contra fileira. E Davi,
  deixando na mo do guarda da bagagem a carga que trouxera, correu s fileiras; e, chegando,
  perguntou a seus irmos se estavam bem.
        Enquanto ainda falava com eles, eis que veio subindo do exrcito dos filisteus o
  campeo, cujo nome era Golias, o filisteu de Gate, e falou conforme aquelas palavras; e Davi
  as ouviu.
        E todos os homens de Israel, vendo aquele homem, fugiam, de diante dele, tomados de
  pavor.




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              Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

        Diziam os homens de Israel: Vistes aquele homem que subiu? pois subiu para desafiar a
Israel. Ao homem, pois, que o matar, o rei cumular de grandes riquezas, e lhe dar a sua
filha, e far livre a casa de seu pai em Israel.
        Ento falou Davi aos homens que se achavam perto dele, dizendo: Que se far ao
homem que matar a esse filisteu, e tirar a afronta de sobre Israel? pois quem  esse
incircunciso filisteu, para afrontar os exrcitos do Deus vivo? E o povo lhe repetiu aquela
palavra, dizendo: Assim se far ao homem que o matar.
        Eliabe, seu irmo mais velho, ouviu-o quando falava queles homens; pelo que se
acendeu a sua ira contra Davi, e disse: Por que desceste aqui, e a quem deixaste aquelas
poucas ovelhas no deserto? Eu conheo a tua presuno, e a maldade do teu corao; pois
desceste para ver a peleja.
        Respondeu Davi: Que fiz eu agora? porventura no h razo para isso?
        E virou-se dele para outro, e repetiu as suas perguntas; e o povo lhe respondeu como da
primeira vez.
        Ento, ouvidas as palavras que Davi falara, foram elas referidas a Saul, que mandou
cham-lo. E Davi disse a Saul: No desfalea o corao de ningum por causa dele; teu servo
ir, e pelejar contra este filisteu.
        Saul, porm, disse a Davi: No poders ir contra esse filisteu para pelejar com ele, pois
tu ainda s moo, e ele homem de guerra desde a sua mocidade.
        Ento disse Davi a Saul: Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai, e sempre que
vinha um leo, ou um urso, e tomava um cordeiro do rebanho, eu saa aps ele, e o matava, e
lho arrancava da boca; levantando-se ele contra mim, segurava-o pela queixada, e o feria e
matava.
        O teu servo matava tanto ao leo como ao urso; e este incircunciso filisteu ser como
um deles, porquanto afrontou os exrcitos do Deus vivo. Disse mais Davi: O Senhor, que me
livrou das garras do leo, e das garras do urso, me livrar da mo deste filisteu. Ento disse
Saul a Davi: Vai, e o Senhor seja contigo.
        E vestiu a Davi da sua prpria armadura, ps-lhe sobre a cabea um capacete de
bronze, e o vestiu de uma couraa.
        Davi cingiu a espada sobre a armadura e procurou em vo andar, pois no estava
acostumado quilo. Ento disse Davi a Saul: No posso andar com isto, pois no estou
acostumado. E Davi tirou aquilo de sobre si.
        Ento tomou na mo o seu cajado, escolheu do ribeiro cinco seixos lisos e p-los no
alforje de pastor que trazia, a saber, no surro, e, tomando na mo a sua funda, foi-se
chegando ao filisteu.
        O filisteu tambm vinha se aproximando de Davi, tendo a: sua frente o seu escudeiro.
Quando o filisteu olhou e viu a Davi, desprezou-o, porquanto era mancebo, ruivo, e de gentil
aspecto.
        Disse o filisteu a Davi: Sou eu algum co, para tu vires a mim com paus? E o filisteu,
pelos seus deuses, amaldioou a Davi. Disse mais o filisteu a Davi: Vem a mim, e eu darei a
tua carne s aves do cu e s bestas do campo.
        Davi, porm, lhe respondeu: Tu vens a mim com espada, com lana e com escudo; mas
eu venho a ti em nome do Senhor dos exrcitos, o Deus dos exrcitos de Israel, a quem tens
afrontado.
        Hoje mesmo o Senhor te entregar na minha mo; ferir-te-ei, e tirar-te-ei a cabea; os
cadveres do arraial dos filisteus darei hoje mesmo s aves do cu e s feras da terra; para que
toda a terra saiba que h Deus em Israel; e para que toda esta assemblia saiba que o Senhor




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                Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

  salva, no com espada, nem com lana; pois do Senhor  a batalha, e ele vos entregar em
  nossas mos.
         Quando o filisteu se levantou e veio chegando para se defrontar com Davi, este se
  apressou e correu ao combate, a encontrar-se com o filisteu. E Davi, metendo a mo no alforje,
  tirou dali uma pedra e com a funda lha atirou, ferindo o filisteu na testa; a pedra se lhe cravou
  na testa, e ele caiu com o rosto em terra.
         Assim Davi prevaleceu contra o filisteu com uma funda e com uma pedra; feriu-o e o
  matou; e no havia espada na mo de Davi.

     -- Interessante -- foi tudo o que Carlos disse.
     Passou a procurar o livro dos Salmos para ler aqueles nmeros que
Vitria havia lhe pedido para ler. 139 e 57, respectivamente.
     Seus olhos vaguearam pelo Salmo 139 e leu-o mentalmente.

        Senhor, tu me sondaste, e me conheces. Tu sabes meu assentar e o meu levantar;
  de longe entendes o meu pensamento.
        Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos. No havendo
  ainda palavra alguma na minha lngua, eis que logo,  Senhor, tudo conheces...
        ...Para onde me irei do teu esprito, ou para onde fugirei da tua face?
        Se subir ao cu, l tu ests; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali ests
  tambm. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, at ali a tua mo me
  guiar e a tua destra me suster.
        Se disser: Decerto que as trevas me cobriro; ento a noite ser luz  roda de mim. Nem
  ainda as trevas me encobrem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz so
  para ti a mesma coisa...
        ...Sonda-me,  Deus, e conhece o meu corao; prova-me e conhece os meus
  pensamentos. E v se h em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.

     Com certeza aquilo era uma poesia. Uma vez leu uma para Nicole. Ela
adorou. Pensou por um momento no que estava escrito naquelas linhas. No
poderia se esconder de Deus? Ele sorriu. Poderia se esconder de qualquer um, at
mesmo de Deus.
     Continuou com um sorriso nos lbios e passou as pginas
retrogradamente at quando avistou o nmero 57. Um pouco acima estava
escrito: Salmo de Davi.
     Quem seria Davi? Perguntou-se. Ento se lembrou do confronto de Davi
e Golias. Seria o mesmo? Ele leu:

         Tem misericrdia de mim,  Deus, tem misericrdia de mim, por que a minha alma
  confia em ti; e  sombra das tuas asas me abrigo, at que passem as calamidades.
         Clamei ao Deus altssimo, ao Deus que por mim tudo executa. Ele enviar desde os
  cus, e me salvar do desprezo daqueles que procuram devorar-me. (Sel.) Deus enviar a sua
  misericrdia e a sua verdade.
         A minha alma est entre lees, e eu estou entre aqueles que esto abrasados, filhos
  dos homens, cujos dentes so lanas e flechas, e a sua lngua espada afiada.


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               Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

       S exaltado,  Deus, sobre os cus; seja a tua glria sobre toda a terra. Armaram
  uma rede aos meus passos; a minha alma est abatida. Cavaram uma cova diante de
  mim, porm eles mesmos caram no meio dela. (Sela.)...
       ...Preparado est o meu corao...
       ...Se exaltado,  Deus, sobre os cus; e seja a tua gloria sobre toda a terra.

     Aquelas pequeninas letras fez Carlos compenetrar-se.
     Com certeza, esse tal de Davi estava numa grande fria quando escreveu
esse... salmo, pensou Carlos.
     -- ... talvez eu e voc temos algo em comum -- disse Carlos, como
se Davi pudesse escut-lo. -- Nos metemos numa encrenca do tamanho
do mundo e o inimigo est na espreita s esperando a gente cair no
buraco para eles encherem de terra.
     Virou mais algumas pginas e encontrou no livro de Osas uma
fotografia. No parecia to antiga. Ele observou-a bem. L estavam
Fbio, Vitria, Andrey, outro jovem -- pensou instantaneamente em
Jos e, no meio dos quatro, Alan com um sorriso do tamanho do mundo
aberto para a cmera. Virou as costas da foto e viu uma data: 14 de
agosto de 1996. Tornou a virar a fotografia e olhou os rostos de cada um
deles. Todos estavam sorrindo, mas parecia que todos estavam com
lgrimas nas faces. Ele no entendia aquilo. Como uma pessoa poderia
sorrir e chorar ao mesmo tempo? Certamente eram loucos.
     Uma coisa chamou a ateno de Carlos. Os Quatro jovens se
trajavam de modo extravagante... ou melhor, de modo esquisito.
Usavam jaquetas de couro rasgadas e calas sujas e desbotadas. Andrey
estava com argolas nas orelhas e uma no nariz. Vitria, agora com os
cabelos na cintura, antes usava um cabelo ralo e o Fbio da foto no se
parecia nada com o Fbio esposo de Vitria.
     Carlos Levou a mo  fronte. Tentando raciocinar. O que houve com
eles? O que Alan teria a ver com a mudana daqueles jovens? Havia algo
a, que Carlos no compreendia. Foi ento que prometeu a si mesmo
descobrir.

                                       &&&

    Dois copos de suco de laranja estavam sobre a mesa  frente da
reprter e do agente. Axel havia chegado h cinco minutos atrs e
imediatamente feito o pedido a Patrcio que se aproximou com seu
bloquinho de anotaes.
    -- Como est Pablo, Caroline, alguma melhora ou algo que nos
possa deixar confiante?


                                           13
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Caroline suspirou.
     -- Infelizmente, no houve qualquer alterao no estado dele.
     Axel tocou-lhe as mos.
     -- Eu lamento.
     Um sorriso torto apareceu da face triste da reprter.
     -- Obrigada, Axel, pelo apoio que voc tem me dado nesses
momentos de angstias que tenho passado. Voc  um grande amigo. --
Ele apenas sorriu; ela continuou. -- Sabe... venho andado com medo...
     --Medo? -- interrompeu o agente de cor. -- Medo de qu?
     -- Sim... medo de que os homens da quadrilha acabem sabendo do
paradeiro de Pablo, sabendo que ainda esteja vivo e com isso dem um
fim nele... -- Calou-se por um breve instante e tornou a falar. -- Nessa
madrugada mesmo, eu estava no quarto de Pablo e o Dr. Stone entrou
e...
     -- O que aconteceu?
     -- Ele entrou e eu pensei que fosse algum da quadrilha ou algo
parecido. Quase tive um troo. Depois conversei com ele a respeito do
perigo que Pablo est correndo. Ele contestou por algum tempo, mas...
-- ela fitou o agente, esperando sua reao e completou: -- ele
concordou em me ajudar a retirar Pablo de onde est agora.
     -- O que voc falou, Caroline? Voc quer tirar Pablo do hospital...?
     -- Escute bem, Axel. Temos que fazer alguma coisa para continuar
mantendo Pablo em segurana...
     -- No acho isso...
     -- Olhe, vou tir-lo de l e preciso de sua ajuda.
     Isso deixou Axel ainda mais aturdido. O que poderia fazer para
tirar isso da cabea de uma mulher apaixonada? Nada, ponderou
finalmente.
     -- Est bem, vou ajud-la.




                                    14
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                             Captulo 24



A    maaneta foi girada e a porta aberta. Andrey entrou na pequena casa
    com sua maleta de instrumentos na mo direita e rapidamente
voltou-se para fechar e trancar a porta novamente. Imediatamente, seus
olhos se depararam com Carlos sentado no sof com a bblia nas mos,
segurando a fotografia de toda turma. Notou que o homem dera apenas
uma olhadela para ele e aps isso tornou a fitar a foto entre seus dedos.
Parecia interessado em algo nela.
     Passos foram ouvidos pelo corredor e ento Vitria entrou no
aposento e se encaminhou rapidamente at Andrey e o abraou como se
no o visse por uma semana.
     -- Como est? -- indagou ela. -- Tudo bem? -- foi ento que notou
que o olhar do amigo estava congelado em Carlos.
     -- Pra falar a verdade, Vitria, estava -- essa parte chamou a
ateno de Carlos que logo se voltou para eles. Andrey continuou: --
Tudo estava muito bem at eu receber um exemplar do jornal de hoje. --
mais que depressa, abriu sua maleta e tomou na mo o volume de papel
impresso. Mirou no meio da mesinha de centro e jogou o jornal sobre
ela.
     A primeira pgina caiu aberta e todos puderam ver o letreiro:
"Assassinos de policiais continuam foragidos e polcia pede ajuda  populao".
E, bem abaixo das grandes letras, os rostos de Alan e Carlos se



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             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

encontravam desenhados perfeitamente com a legenda: "FUGITIVOS
PROCURADOS".
    Todos os olhares estavam agora sobre Carlos.

                                  &&&

      Eram 9h e 30mim e o templo da 1 Igreja Evanglica de Melmar
estava com poucas pessoas ocupando os largos bancos de madeira
envernizados. Apenas poucos vivos estavam ali buscando o Senhor em
esprito de orao. E foi com esse intento que Tina Brendel rompeu pelas
grossas portas do templo. Ela caminhou at um dos bancos que estavam
 oito metros do plpito e l ajoelhou-se, deixando que as lgrimas
imediatamente flussem de seu interior e que as palavras jorrassem dos
seus lbios.
      Iniciou uma orao pelo seu casamento, sua famlia, sua casa e
principalmente por Axel. No suportava mais o trabalho sufocante de
Axel, que no conseguia mais parar um minuto dentro de sua casa. Vida
de policial, eu sei, mas... mas no  dessa forma que se  feliz, Senhor...
clamava Tina. Entretanto, no fulgor de sua orao, ouviu subitamente
um outro clamor, no muito alto, mas perceptvel. Parecia uma mulher
aflita. Sua voz suplicava:
      -- Senhor, ele tem que voltar para mim. Traga-o para mm
novamente, Pai. No me deixe nesta agonia sufocante!
      Sem ter muito o controle de sua reao, Tina deixou de orar por um
momento e passou prestar bastante ateno na orao da mulher.
      -- , meu Senhor, no deixe que ele se v, mas... eu te suplico,
traga o meu companheiro que tu me destes de volta para o meu lado...
      Tina ficou a escutar a mulher at o termino da orao e ento
pensou consigo mesma: Meu Deus, ela tem o mesmo problema que eu. Deve
est passando pelos mesmos conflitos que estou passando.
      Viu quando a mulher se ergueu e sentou-se no banco lguns metros
de onde estava. Sentiu imediatamente um conflito ntimo. Acho que tenho
que conversar com ela. Talvez possamos nos ajudar e nos confortar
mutuamente, contar nossos problemas uma para a outra. Mas... ser que no
ser um abuso da minha parte? Ser que ela quer ficar sozinha nesse momento?
Tina hesitou. No, eu no vou.
      Meio minuto depois, estava de p e caminhando at a mulher.
Enquanto andava, notou os cabelos claros da jovem senhora e de como
brilhavam com a luz que vinha das janelas do templo. Parou ao lado do
banco e ficou sem ao por algum tempo. Respirou fundo e sentou-se ao


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

lado da mulher, que estava de cabea baixa (como estava desde que
terminara a orao).
     -- Com licena... oi -- a voz de Tina estava trmula.
     A mulher levantou a cabea rapidamente, as lgrimas ainda
escorrendo dos olhos. Porm, parecia um tanto assustada.
     -- Oi.
     -- Desculpe interromper, mas... bem, eu sempre venho aqui e
nunca... assim... nunca vi a senhora. -- Tina buscava palavras. -- A
verdade  que vim hoje aqui orar, sabe, e... ao chegar aqui eu... eu ouvi
a senhora orando... Isso  estranho, pois nunca fiquei escutando as
oraes das pessoas, mas... hoje, no sei porqu, fiquei prestando
ateno s palavras ditas pela senhora enquanto orava.
     Tina pausou e observou a mulher que no disse palavra alguma,
apenas ouvia-a. Tina continuou:
     -- Notei que a senhora est passando dificuldades no seu
casamento, e... eu tambm estou passando momentos difceis no meu
relacionamento conjugal. Meu casamento j no  o mesmo de sete anos
atrs. Meu marido est longe de mim e... no estou mais agentando
essa situao -- subitamente, a voz de Tina se transformou em pequenos
soluos. Foi ento que sentiu a mo da mulher ao seu lado tocar-lhe o
ombro num gesto confortante.
     -- Eu compreendo e... sinto muito.
     Um leve sorriso brotou nos lbios de Tina, que perguntou:
     -- Como se chama?
      Mulher retribuiu o sorriso e respondeu:
     -- Melina Xavier. Prazer.

                                 &&&

    Carlos acabava de se explicar:
    -- Por isso estamos sendo literalmente caados por toda a cidade. E
agora com nossas caras estampadas nas primeiras pginas de cada jornal
que circula por aqui... est ficando cada vez mais difcil.
    Andrey estava andando de um lado para o outro. Parecia nervoso
quando levou as mos  cabea e exclamou preocupado:
    -- Meu Senhor, onde  que o Alan foi se meter?!
    -- Ei, meu chapa, ele entrou nessa porque quis. Acho at que foi
estpido da parte dele, mas ele estava no lugar errado na hora errada.
Alis, no tenho a mnima idia por que ele veio a fazer isso.



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             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     O um breve momento de silncio at que Carlos falou
sarcasticamente:
     -- Agora vejam s o que ele vinha dizendo. Que entrou nessa
histria para me ajudar! Devo dizer que at agora no me ajudou muito
e sim s tem me trazido azar...
     -- O qu!? -- interrompeu Vitria com voz alterada. -- Do que voc
est falando, cara? Como pode dizer uma idiotice dessas e com que
coragem voc fala isso?! Veja! D s uma olhada para a cama no meu
quarto! Alan est entre a vida e a morte enquanto voc est aqui
inteirinho! -- a voz de Vitria era de angstia e raiva. -- Olha aqui, seu
Carlos no-sei-de-qu, Alan no entrou nessa para ajud-lo, porque ele
no ajudou voc, simplesmente salvou a sua vida. E se a sua vida no
vale nada para voc, Alan vale muito para mim. Por isso veja como fala
dele na minha frente...
     Carlos explodiu:
     -- Eu no pedi para que ele se tornasse o meu heri, assim como
no pedi para estar aqui com um bando de malucos! droga! Alis,
maldita hora em que vim parar nesse lugar! -- Caminhou at a porta,
abriu-a e bateu-a atrs de si ao deixar a casa.
     O casal de amigos trocaram olhares e Andrey opinou:
     -- No sei se foi uma boa idia deix-lo ir.
     -- Como assim? -- quis saber Vitria.
     -- No sei ao certo, mas... acho que Alan o trouxe at aqui por que
tinha algo em mente. Acho que estava reservando algo para Carlos aqui.
     -- Acho que de alguma forma tambm senti isso -- Vitria sentou
no sof com expresso de desapontamento. -- Mas... mas eu no podia
deixar que ele continuasse falando do Alan daquele jeito. Parecia
zombar dele ao falar...
     Andrey caminhou at ela e a abraou carinhosamente.
     -- Sei que voc no fez por mal -- ele amenizou. -- Acho que se
demorasse um pouco mais, eu mesmo teria sado de mim e acabaria
fazendo o mesmo.
     -- , mas... se ele no voltar mais?
     Andrey respirou fundo e disse:
     -- Ele j saiu. J est feito. Agora seja o que Deus quiser. Faa Ele a
Sua vontade.

                                  &&&




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     As atenes estavam voltadas para Andrey no momento em que
pegou o pulso de Alan e o examinou por completo.
     Fbio, que havia se desligado da agulha e do fino tubo de borracha
que o ligava a Alan, perguntou com a voz aparentemente fraca:
     -- Como ele est, j apresenta alguma melhora? -- pareceu mais
uma splica para que a resposta fosse "sim".
     Andrey comeou a guardar seu equipamento clnico na pequena
maleta e fixou o olhar no casal.
     -- Bem... aparentemente ele parece se encontrar melhor, mas eu
somente poderia afirmar isso com certeza se tivesse uma aparelhagem
adequadamente apropriada. Mas... com a histria de Carlos, acho que
seria perigoso sair com Alan na rua e lev-lo at minha clnica.
     Vitria aproximou-se da cama e ajoelhou-se junto a Alan. Pegou sua
mo nas dela e suspirou.
     -- Deus... no consigo compreender por que Alan foi se envolver
em toda essa confuso -- disse ela.
     Fbio juntou-se a ela e tocou-lhe suavemente a nuca.
     -- No se preocupe, querida, logo ele vai estar de p e responder
todas as nossas perguntas.
     Um leve sorriso despontou nos lbios de todos demonstrando a
esperana.
     -- Pessoal, eu estava pensando... -- pronunciou-se Andrey. --
Melina, a esposa de Alan. No seria melhor ligarmos para ela e dizer o
que est acontecendo? Creio que ela deve estar por fora dos ltimos
acontecimentos.
     Vitria levantou-se comeou a andar de lado para o outro.
     -- No sei no, Andrey, mas... pense bem. Por que Alan preferiu
vir para c, ao invs de pedir para que Carlos o levasse at sua casa?
     -- O que voc est querendo dizer com isso? -- perguntou o
mdico?
     Foi Fbio quem deu a resposta:
     -- Ela est querendo dizer que Alan poderia ter pedido para Carlos
t-lo levado para casa, mas no quis porque no queria que Melina
ficasse de algum modo ligada a tudo isso que est passando. Queria
poup-la ou, vamos dizer, proteg-la.
     -- Isso deve ser realmente perigoso, no ? -- quis saber Andrey,
imaginando o que seria.
     Os trs se entreolham sem nenhuma resposta.

                                 &&&


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa



     As lgrimas desciam dos seus olhos enquanto seus lbios tremiam
ao confidenciar parte da sua vida  jovem mulher  sua frente. No
entendia muito por que fazia aquilo, pois havia acabado de conhec-la.
Mas se sentia impelida a fazer assim, abrir seu corao, desabafar tudo o
que sentia. Queria descarregar a julgo pesado que vinha carregando at
ento.
     -- Sinto que meu marido tem outra mulher, Melina, uma amante.
-- viu nos olhos da nova colega a pergunta: Por que voc acha isso? E
continuou: -- Sei que no estou equivocada. Ele sai de casa s vezes e
quando acaba seu turno, no volta para casa como fazia nos primeiros
anos de casamento. Est sempre telefonando e se desculpando e
desmarcando compromisso conosco, quero dizer, comigo e nosso filho
Leonardo que tem oito anos, e ele tambm est percebendo que o pai
est distante de ns.
     "Entendo que a vida de policial  cansativa e difcil. s vezes tem
que sair no meio da noite; tem os plantes; sem falar em todo o estresse,
mas h algo mais que o est fazendo deixar sua famlia em segundo
plano.
     -- Sinto muito por isso -- lamentou Melina. -- Voc j tentou abrir
o jogo com ele? Contar o que voc est sentindo; seus receios?
     Tina enxugou as lgrimas com um leno que puxou de dentro de
sua pequena bolsa de couro.
     -- J pensei vrias vezes em fazer isso, mas... temo pelo que ele
venha a fazer depois disso. Sempre me pergunto: "Ser que vai sair de
casa? Ficar chateado? Ir se distanciar de mim e Leonardo?"  sempre
assim. Nunca tive a coragem de encarar isso de frente, entende?
     Melina sorriu acanhadamente. Tocou as mos de Tina e disse:
     --Sei que  difcil, querida, mas tente se acalmar -- pausou por um
momento breve. -- No sei por qu, mas... algo est me impulsionando
a dizer que ele ainda ama voc e no ir deix-la. Creio que isso deva ser
o trabalho. Daqui a pouco vai voltar tudo ao normal, voc vai ver.
     Tina meneou a cabea meio que confusa.
     -- No sei no, mas quem sabe pode ser isso mesmo. Agora que ele
pegou esse caso do assassinato de um amigo nosso...
     A expresso de Melina foi de surpresa.
     -- Amigo de vocs? Oh! Sinto muito.
     -- , tem sido difcil para todos ns. Mas tudo ir se resolver. Logo
pegaro esses dois homens que fugiram anteontem e a justia ser feita,
se Deus quiser.


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Melina pensou por alguns instantes, agora apreensiva.
     -- Qual o nome do amigo de vocs?
     -- Pablo Tavares. Ele tambm era policial e foi morto numa
emboscada... -- Tina meteu a mo dentro de sua bolsa e retirou
algumas folhas e mostrou  Melina. -- Veja, esses so os assassinos que
Axel est atrs.
     Melina j no escutava coisa alguma. Tomou o jornal em sua mo e
imediatamente seu corpo estremeceu e um n se formou na sua
garganta. Seu corao disparou e tudo  sua volta comeou a girar. No
conseguia acreditar no que via. O rosto de seu marido estava estampado
na primeira pgina do jornal do dia e ela estava falando com a esposa do
policial que estava atrs de Alan. Por fim, ela desmaiou e tombou sobre
o corpo de Tina.




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                           Captulo 25



N    a porta de vidro estava escrito com grandes e vistosas letras: Aberto
     hoje at s 12h. Motivo: Jogo da seleo.  Aproveite as promoes e
as delcias do nosso cardpio.
      Carlos olhou atravs do vitral para dentro da lanchonete, que
parecia um bom lugar para se comer, enquanto sua barriga roncou no
mesmo instante. Ele entrou, olhou em volta e estudou o lugar. Um
bonito estabelecimento, espaoso e confortvel com vrias mesas de
madeira macia de canto com quatro cadeiras cada uma delas. Havia um
grande balco para quem quisesse desfrutar de bebidas das mais
diversas onde j existiam alguns fregueses de lbios midos. Avistou
uma mesa no canto do aposento onde parecia ter o seu nome escrito por
estar bem afastado das demais. Caminhou at l e sentou-se. No mesmo
minuto a garonete se aproximou.
      -- O que deseja, senhor -- ela no esperou uma resposta comeou a
ler o cardpio. -- Temos...
      Carlos no a deixou continuar.
      -- Apenas um caf com torradas na manteiga.
      A garonete sorriu e voltou para o balco onde um homem forte
estava limpando alguns copos. Ele olhou para Carlos e acenou com a
cabea. Carlos retribuiu o sinal e ento se trancou novamente em seu
mundo particular, um mundo que s pertencia a ele, pois dificilmente



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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

algum desejaria ter um igual. Balanou a cabea num puro
descontentamento.
     Essa droga de quadrilha tomou-me tudo... Que burrada foi me
envolver nisso tudo. Agora  Nicole quem est pagando por isso...
Como ela estar?... ser que conseguir pelo menos me perdoar?
     Olhou em volta e observou se no havia policiais por ali. O lugar
estava limpo.
     A garonete retornou com o caf e as torradas devidamente cobertas
por uma camada de manteiga derretida, tudo to quente que a fumaa
se lanava pelo ar.
     -- Obrigado -- Carlos tentou ser gentil.
     Ela tornou a deix-lo s.
     Ele tomou a primeira golada do lquido negro que cheirava bem.
Observou algum caminhar at uma grande televiso presa a uma
coluna por uma armao de metal e aumentar o volume. Estava
passando uma reportagem especial no Canal Sete.
     Comeu uma torrada esfumaante e trouxe  sua lembrana a
discusso com os jovens e o estado de Alan. Principalmente das palavras
duras de Vitria:
     Veja! D s uma olhada para a cama no meu quarto! Alan est entre
a vida e a morte enquanto voc est aqui inteirinho! Olha aqui, seu
Carlos no-sei-de-qu, Alan no entrou nessa para ajud-lo, porque ele
no ajudou voc, simplesmente salvou a sua vida. E se a sua vida no
vale nada para voc, Alan vale muito para mim. Por isso veja como fala
dele na minha frente...
     -- Droga, eu no pedi um heri! -- protestou consigo mesmo.
     Mas por que Alan havia de salvar sua vida? O que ganharia com
isso? Carlos s pde pensar que Alan s podia ganhar a morte. E mesmo
que quisesse outra coisa, Carlos no estava disposto a dar coisa alguma,
mesmo porque no tinha nada para oferecer.
     Olhou para o balco e viu o atendente cumpriment-lo outra vez
com um sorriso torto como se dissesse: " bom t-lo aqui em meu
estabelecimento. Espero que volte sempre". Desconfiado ele retribuiu
com o polegar para cima. Viu o atendente servir uma bebida a um
fregus e respirou mais aliviado. S estava realmente querendo ser
gentil? Carlos no acreditava muito em gentilezas. Sempre havia algo
por trs disso.
     Voltou-se para a TV novamente e viu na tela uma morena com um
microfone na mo falando algo. Havia as letras em amarelo na margem



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              Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

superior da tela onde se podia ler: PLANTO. E um pouco abaixo do
ventre da mulher: Caroline Lima - Reprter.
     Carlos estreitou os olhos ao v-la. Concentrou-se em seus lbios
para poder compreender melhor o que estava a falar.
     -- O que estamos vivendo nesses dias difceis so crises financeiras e o
acmulo de casos de corrupo em nossa cidade -- comentou ela no meio da
tela da TV --, alm da falta de escolas para nossos filhos estudarem e se
tornarem bons profissionais entre muitas e muitas coisas que vem tornando
nossa cidade num verdadeiro caos. Mas realmente, o que preocupa,  o aumento
significativo da violncia e a diminuio da segurana em Melmar nos ltimos
anos. Todavia, no devemos culpar as autoridades competentes desta cidade,
muito menos a polcia, que faz um excelente trabalho para resolver os crimes
cometidos neste distrito. O que temos que fazer  conscientizar a populao de
que ela  uma pea fundamental para acabar com a maior parte dessas questes
negativas. Para que isso acontea, basta apenas que ela denuncie. Isso mesmo.
Denunciar a fraude, a corrupo, os maus tratos, as coisas erradas que ocorrem
em Melmar, principalmente com relao  violncia.
     Ela olhou para outra cmera e continuou:
     -- Voc est disposto a acabar com a violncia em sua cidade? Ento
denuncie. Como? Denunciando quem a pratica. Exemplos so os casos recentes
de seqestro que foram resolvidos atravs de denncias. Esses so fatos positivos
que todos podem contribuir para a diminuio desses crimes. Ento, vamos
comear tentando ajudar hoje mesmo.
     Duas fotos saltaram para frente e fizeram Carlos engasgar com uma
das torradas que acabava de engolir. A tosse veio em seguida. Seu rosto
e a de Alan estavam perfeitamente desenhados e agora ocupavam toda a
tela da TV.
     Caroline tornou a falar:
     -- Esses dois homens so os principais suspeitos por dois brutais
assassinatos de dois dos mais condecorados policiais da cidade e voc pode
ajudar a encarcer-los. Se voc tiver qualquer informao sobre esses dois
homens ligue para estes telefones que esto aparecendo na tela e com certeza
voc tornar Melmar numa cidade muito melhor para se viver.
     O homem do balco pegou um bloco de notas, emocionado com as
palavras de incentivo da reprter. Seu filho havia morrido por uma bala
perdida e se dependesse dele poderiam fuzilar todos os bandidos da
cidade. Anotou o telefone e olhou bem para a cara dos dois bandidos.
Com sua memria fotogrfica, se os visse, com certeza iria reconhec-los
e denunci-los s autoridades. Mas... espere um pouco! Alarmou-se o
homem. Observou bem a foto do homem mais robusto. Ele parecia... ou
melhor... Ele era... "O das torradas"!

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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    Rapidamente o homem voltou-se para a mesa de Carlos, mas l
havia apenas duas cdulas, o valor do caf e das torradas. Carlos havia
sumido.

                                 &&&

     Era uma construo no muito glamurosa nem grande, mas algo de
encher os olhos. A casa de frente azul-marinho encontrava-se entre
muitas outras que pareciam ter sado da mesma prancheta ou mente
iluminada na rua Largo Jardim.
     Axel parou em frente  porta grossa de cedro, apertou a campainha
logo ao lado e esperou. Um minuto depois, sentiu uma presena pelo
olho mgico no meio da madeira. Ento, a entrada foi aberta.
     -- Pois no -- uma mulher na casa dos quarenta apareceu. Tinha
uma boa aparncia e usava um bom perfume.
     -- Ol... -- Axel tentou ser cordial -- Talvez a senhora no me
conhea, mas sou o agente Axel Brendel e desejaria falar com Oliver. Ele
...
     A mulher atropelou-o.
     -- Sim, ele  mau marido.
     -- Eu sei. Ele est em casa?
     Subitamente um vulto se fez notar por detrs da senhora e disse
rispidamente:
     -- Estou sim, Axel. O que deseja? Estou muito ocupado, e...
     -- Oh, no se preocupe -- cortou Axel --, no vou me demorar.
Apenas quero fazer algumas perguntas sobre o que realmente aconteceu
na rodovia Trs, sabe, esclarecer e entender os fatos.
     Axel pde ver o semblante de Oliver mudar vrias vezes durante
dez segundos e percebeu que certamente existia algo ali que ainda no
sabia.

                                 &&&

     Melina abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi a voluptuosa
barriga do Pastor Cross ao seu lado. Assustou-se, mas foi acalmada
rapidamente por Tatiane que tambm estava presente no escritrio da
igreja onde todos se encontravam, e isso inclua Tina Brendel.
     -- Melina, minha filha, o que aconteceu? -- adiantou-se o pastor
Cross.




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Melina levou as mos  cabea e notou que ainda segurava as folhas
de jornal na mo.
     -- Ah, pastor Cross... -- sibilou. --  Alan novamente...
     Tina tentou ajudar:
     --  o marido dela, pastor. Ele a est traindo...
     -- O qu?! -- balbuciou Nilton sobressaltado.
     -- No! No  isso! -- tentou consertar Melina.
     -- Como no? -- quis saber Tina. -- Eu a ouvi orando para que...
     Melina interrompeu-a bruscamente voltando-se para seu pastor.
     -- Pastor Cross, por favor, preciso falar urgentemente com o
senhor... em particular -- fitou as outras mulheres presentes. -- Pastora,
senhora... por favor. Depois falo com vocs.
     Tatiana e Tina trocaram olhares e se retiraram em seguida. A porta
do escritrio foi fechada e imediatamente lgrimas comearam a brotar
dos olhos meigos de Melina.
     -- O que aconteceu, Melina -- tentou novamente o largo pastor.
     Melina abriu a folha de jornal na altura dos olhos de Nilton.
     -- Veja, pastor, Alan est sendo procurado por assassinato. Algo
que com toda certeza ele no cometeu.
     -- Tenho certeza que no, minha querida.
     -- O senhor sabe quem me deu isso, pastor? -- indagou Melina, que
certamente j sabia o que Nilton responderia. Ela prpria ento
respondeu: -- aquela mulher que estava junto a mim quando... quando
desmaiei. Ela... ela  a esposa do policial que est no caso que envolve
Alan e, com isso, quer peg-lo e prend-lo... Oh, pastor, isso no pode
acontecer!
     -- Se acalme, minha filha. Certamente o Senhor no permitir que
isso acontea.
     -- Eu creio nisso, pastor Cross. Mas... -- Melina hesitou.
     -- Mas... o qu?
     -- Mas estou querendo falar com a mulher do policial: Tina, e
contar para ela o que realmente est acontecendo. Alan  inocente e est
correndo srio risco de vida do jeito que as coisas esto se
encaminhando. Penso que contando para ela, talvez possa me ajudar e,
assim, ajudar Alan. Acho que devo confiar e esperar em Deus, mas
tambm devo fazer o que est ao meu alcance. E... eu queria a sua
opinio. Devo ou no devo abrir todo o jogo com Tina?
     O pastor Cross apenas fitou-a sem saber o que dizer.

                                 &&&


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa



     A sala da casa de Oliver era bem requintada e decorada por
algumas obras de arte. No havia o que reclamar do espao e muito
menos do conforto. Axel observava tudo  sua volta at que a voz firme
de Oliver fez-se soar asperamente:
     -- O que voc quer saber realmente? Acho que j lhe contei muitas
coisas sobre o caso...
     -- Mas no o suficiente, Oliver. Ainda restam algumas dvidas que
sobrevoam os papis deste caso e minha cabea principalmente.
     Oliver tentou permanecer inabalvel.
     -- Muito bem, ento. Faa as perguntas que tem que fazer. Mas no
se demore, pois tenho um compromisso inadivel daqui a alguns
minutos.
     -- Como eu disse antes, no me demorarei. -- Axel fez uma pausa,
fitando a expresso um tanto sombria do veterano policial e tentando
descobrir algo em sua fisionomia que o denunciasse. Respirou fundo e
comeou friamente: -- Primeiro queria que voc relatasse tudo o que
aconteceu no interior da viatura na madrugada em que Pablo foi morto.
Desde o momento em que voc, Selton e os dois suspeitos entraram nela
at o momento em que voc foi resgatado dela.
     -- Voc quer que eu conte tudo? -- Oliver pareceu indignado. --
Isso duraria o dia inteiro!
     -- Fale apenas o necessrio. O que voc me falou quando chegou no
N.R., mas mais detalhadamente.
     Oliver suspirou.
     -- Tudo bem. Eu...
     -- Espere -- interrompeu Axel. Ele puxou um pequeno gravador do
bolso e colocou na mesa de centro da sala.
     -- Um gravador? Para qu isso, homem?
     Axel tentou tranqiliz-lo.
     -- No se preocupe. Eu tenho um pouco de falha de memria.
Ultimamente tenho esquecido das coisas rapidamente e com isso posso
lembrar das coisas mais tarde. Mas por favor... continue.
     Oliver tentou parecer firme, como sempre fra e iniciou de forma
passiva.
     -- Bem, como voc j sabe, prendemos os suspeitos e os colocamos
na viatura. Eles...
     -- Desculpe-me a interrupo, mas por que voc algemou um ao
outro ao invs de prender cada um com a sua algema?
     Oliver no precisou pensar muito para responder aquela questo.


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             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

      -- Meu amigo, os dois homens mataram um policial, quem sabe
tenham atirado em Caio para os outros carboniz-lo! Voc queria que eu
fizesse o qu? Desse um tapinha no rosto de cada um e depois servisse
um ch? Faa o favor! Se ao invs de algema eu tivesse arame farpado,
prenderia os dois com ele e sentiria o maior prazer. Voc no?
     -- , talvez -- mentiu Axel. -- Mas continue. Voc e Selton
prenderam eles, colocaram-nos na viatura e saram nos deixando
tomando conta do corpo de Pablo. E...
     Oliver entendeu a deixa e emendou:
     -- E a fomos em direo  Central...
     Axel se interps novamente.
     -- Certo, mas como era que eles se comportavam dentro do carro?
     Oliver pensou bem.
     -- Bem... ahm... por alguns momentos ele se comportaram, mas
depois de certo tempo comearam a escrachar e a nos provocar...
     -- Isso aconteceu antes ou depois de vocs mudarem o curso e
entrarem na rodovia Trs ao invs de ir direto  Central de polcia --
Axel tentou surpreender.
     -- Bem... eu... eu no estou certo...
     -- Por que dobrar na rodovia Trs e no ir direto para a central,
Oliver?
     -- Eu no sei...
     -- No sabe? Como assim no sabe? Voc deveria...
     Oliver j parecia alterado quando se explicou:
     -- Olha, Axel, eu realmente no sei! Quando dei por mim, Selton j estava
virando naquela rodovia e eu no sabia o que ele estava fazendo. Perguntei
vrias vezes por que havia feito aquilo, mas no me dizia nada.
     -- Ok, ento foi Selton quem fez a viatura dobrar para a rodovia e
deixar o caminho da Central.
     -- Isso mesmo.
     Axel permaneceu calmo quando indagou:
     -- Selton guiou a viatura por mais de vinte quilmetros e voc no
fez nada para impedir que ele continuasse? Tinha alguma idia do por
qu ele havia desviado?
     -- Primeiro: eu no sabia de droga nenhuma do ele estava fazendo;
e... e segundo: no fiz nada porque confiava no meu parceiro. Com
certeza ele tinha alguma coisa para fazer por ali.
     Axel achou ter pego alguma coisa.
     -- Oliver, tenho certeza que na rodovia Trs, Selton no poderia
fazer nada, por que num raio de setenta quilmetros de estrada no h


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

coisa alguma a no ser mata, pedras e bichos da noite e voc sabe muito
bem disso.
      Houve um momento de silncio por parte de Oliver. Ento, Axel
aproveitou para fazer outra pergunta:
      -- Voc falou que um deles estava conseguindo abrir a algema com
algum tipo de arame. Pelo que eu me lembro, voc prendeu os suspeitos
e no os revistou. Por qu? Eles poderiam estar armados ou estar com
esse arame o qual voc mencionou. Voc no se preocupou em revist-
los...
      Oliver ergueu-se de sua poltrona e vociferou:
      -- Olhe aqui, meu amigo, se voc est pensando que estou metido
com os caras que apagaram Pablo, est redondamente enganado!
      -- Espere a, Oliver, eu no falei isso! Nem ao menos mencionei a
Quadrilha Vip. Por que acha que penso assim?
      -- Suas perguntas esto revelando isso. Escute aqui! Se voc est
pensando em desconfiar em algum, por que no de Selton? Era ele
quem estava no volante, quem estava no comando da situao.
      -- Voc nunca desconfiou que ele poderia estar envolvido com a
Quadrilha? Como voc disse, voc eram parceiros...
      -- E como eu disse, confiava nele. ramos parceiros antes mesmo
de voc vestir um uniforme de tira! Voc no sabe de nada.
      -- Ento, se confiava nele, por que acha que eu deveria desconfiar
dele?
      -- Eu no acho nada, meu amigo. Voc  quem est colocando
palavras em minha boca.
      Oliver olhou rapidamente para o relgio.
      -- Olha, Axel, tenho que sair agora. No tenho mais tempo para
nenhuma de suas perguntas.
      Axel pensou e rapidamente reconstituiu uma nova questo.
      -- Tudo bem, eu s tenho mais uma pergunta.
      -- Faa-a depressa. -- instigou Oliver.
      -- Bem, quando voc foi resgatado, foi achada a sua arma debaixo
do acento da viatura. Agora eu pergunto: se ela estivesse no coldre no
poderia cair. Ento, essa arma s poderia estar fora do coldre. Quem
sabe na sua mo...
      -- Ela estava em cima do painel do carro -- explicou Oliver. -- No
caminho eu a limpei e achei melhor deix-la  vista dos suspeitos.
      -- Ento esses caras devem ser muito corajosos para tentar uma
reao vendo que sua arma estava a um palmo de voc.



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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Eles tiveram a coragem de matar dois policiais. O que voc
queria mais?
     Axel exibiu um sorriso torto.
     -- Acho que ningum tem uma coragem desse tamanho. Mas
mesmo assim, obrigado pelo seu tempo e cooperao -- levou a mo ao
pequeno gravador, desligou-o e o colocou de volta no bolso.
     Oliver apenas resmungou. Guiou o agente at a sada e fechou a
porta logo em seguida.
     Axel ficou a olhar a bonita casa por um momento pelo lado de fora.
Realmente era bem bonita. Retirou o gravador do bolso escutou uma
pequena parte da conversa. Desligou e tornou a guard-lo.
     -- Voc est tentando me esconder algo, Oliver. Mas j estou
comeando a juntar o quebra-cabea e logo vou descobrir o que voc
est fazendo questo de encobrir.
     Entrou em seu veculo, deu a partida e fez o carro se deslocar para
outro lugar.




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                           Captulo 26



B  ateram na porta e Vitria atendeu. Carlos estava parado com o rosto
   suado e visivelmente abalado.
     -- Nossos rostos tambm esto em todas as TV's da cidade.
     Vitria fitou-o e abriu caminho.
     -- Entre.
     Carlos entrou e seus olhos se depararam com Andrey e com um
novo casal. O olhar se fixou no Jovem. Arriscou:
     -- Jos?
     -- Voc me conhece? -- o rapaz de estatura mediana fitou-o
curioso. Seus olhos transmitiam inteligncia e seu rosto revelava uma
pequena cicatriz; talvez feita por uma navalha ou algo parecido.
     -- Vi uma foto sua, alis, de todos vocs dentro daquele livro preto
que Vitria pediu para eu ler. Mas... o que faz aqui? No estava de lua-
de-mel?
     Foi Vitria quem respondeu.
     -- Eles voltaram porque Jos sentiu que algo estava errado. Deus
tocou-lhe o corao -- ela indicou a esposa de Jos. -- Esta  Snia.
Agora, Snia Alcntara.
     Carlos cumprimentou-a e voltou-se para Jos.
     -- Seu instinto fez com que sentisse o que estava acontecendo e o
trouxe de volta? -- indagou Carlos
     -- Meu instinto no, Carlos. Foi Deus quem me mandou voltar.


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             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- L vem vocs com esse papo de Deus novamente!
     Fbio tentou:
     -- Ele se importa com voc, Carlos...
     Carlos sorriu ceticamente.
     -- Ah! Voc acha? Se realmente Deus se importasse comigo, porque
eu estaria enterrado at o pescoo numa enrascada do tamanho do
mundo? Toda a cidade est atrs de mim, meu amigo! At num simples
restaurante eu no posso entrar mais se no  provvel que eu seja
preso! Se Deus realmente tivesse um mnimo de considerao por mim,
isso no estaria acontecendo.
     Andrey caminhou at ficar frente  frente com Carlos.
     -- Voc s est olhando pelo seu prprio lado. Olhe agora pelo lado
de Deus. Ele te criou, deu a vida para voc, at hoje te deu sade, livrou-
te da morte at esse momento. Agora me responda: quantas vezes voc
agradeceu por tudo isso que Ele te deu de graa? Quantas vezes voc j
olhou para o cu e disse apenas um obrigado? Tenho certeza de que
nunca fez isso, no  mesmo? Deus te deu tanta coisa de graa e nunca
recebeu sua gratido por isso, e voc ainda diz que Ele no tem
nenhuma considerao por voc?
     A expresso de Carlos estava inabalvel diante dos quatro jovens.
Mas no fundo tudo era guardado dentro de si. Ele tentou pegar a todos
em suas prprias armadilhas:
     -- Muito bem, j que vocs esto lutando tanto para que eu acredite
nisso, me respondam uma coisa: todos vivem dizendo que nada
acontece se no for da vontade de Deus. Ento eu pergunto:  da
vontade dEle que eu passe por todo esse inferno que estou passando
agora? E se , por qu? E tambm, se , por que Ele no move um s
dedo para me ajudar?
     Foi Vitria quem se adiantou e proferiu:
     --  verdade que tudo o que acontece  da vontade de Deus e nada
se faz sem a permisso dEle. E se voc est nessa confuso toda, Carlos,
 porque com certeza essa  a vontade de Deus. O por qu de Deus
querer que voc passe por tudo isso,  uma coisa muito simples: Ele est
querendo que voc se aproxime de Sua presena; chegue-se mais perto
dEle. Diz-se que  nas horas mais difceis que as pessoas se lembram de
Deus, e eu acho que  por isso que Ele mesmo planeja que isso acontea.
 isso que Ele espera. E  isso que Ele est esperando que voc faa.
Creio que antes voc no conhecia direito esse Deus de quem falamos ou
nem ao menos sabia o verdadeiro significado da palavra "Deus", mas



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             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

acredito que Alan vem falando dEle para voc, no  mesmo? Ele faz
isso muito bem, e graas ao nosso Pai por isso.
     Vitria fez uma pequena pausa para que suas palavras penetrassem
na mente de Carlos.
     -- E quanto  pergunta do por qu Deus no move um s dedo para
ajud-lo... Bem, temo em dizer que voc est completamente enganado
ao fazer essa indagao. Primeiro: Deus sempre o ajudou poupando a
sua vida at hoje. Voc tem enfrentado diversos perigos, mas sempre
escapou com vida. Sabe por qu? O Senhor te guardou. Sempre. Mais
uma prova disso foi quando mandou Alan te encontrar e entrar de
cabea nessa confuso toda. Talvez voc j se tenha perguntado por que
ele estava se dando ao trabalho de entrar numa confuso como esta; por
que fez isso. Ele est fazendo isso por Deus, e... por voc tambm.
Porque Deus te ama, mesmo que voc no sinta o mesmo por Ele. Ele te
ama e tem te guardado. Mostrou isso ao mandar Alan at voc para
salvar sua vida e, sinto que no foi s essa vez. J o salvou antes
tambm.
     Um filme comeou instantaneamente a rodar na mente de Carlos,
que pde ver Oliver conversando com Alan e debochando por ele crer
em Deus. Houve um flash e a imagem seguinte foi a dos dois policiais
gargalhando incontrolavelmente, o carro patrulha dando de encontro
com o poste e por fim, ele e Alan fugindo. Aquilo teria sido um escape de...
Deus? Perguntou-se Carlos.
     -- E por ltimo -- falou Vitria --, s suas vistas, mais uma vez,
Deus provou que o ama, fazendo com que Alan interceptasse a bala
destinada para voc. Tudo isso foi por voc, Carlos. O nosso Deus, o
nosso Senhor Jesus Cristo ama voc. E sabe o que mais? A nica coisa
que Ele quer de voc  que voc passe a perceb-lo, a pensar nEle, e
principalmente a abrir seu corao para que Ele possa habitar dentro de
voc. Para terminar: Deus te ama e te ajuda. E voc? O que voc pode
fazer por Ele?
     Os olhos de Carlos permaneciam fixos na jovem mulher  sua
frente. As palavras no fluam para que pudesse se desvencilhar nem
coisa alguma vinha-lhe  cabea para que conseguisse desmontar a
intrepidez de Vitria com uma frase de desdm ou descrdito. Isso
contribuiu para que ela dissesse algo mais:
     -- A resposta est com voc, Carlos. Est em voc. Pense e decida-
se.
     Subitamente, pde-se ouvir a porta do quarto ser aberta e a voz de
Fbio soar estridente para todos, euforicamente:


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             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

      -- Andrey, Vitria, Jos... todos! Alan est falando algo! Ele...
acordou!
      Instantaneamente, todos se puseram a correr em direo ao quarto.
A ansiedade  flor da pele; a hesitao presente em cada pensamento; a
esperana fluindo em cada corao.
      Carlos entrou por ltimo no aposento e observou que todos os
olhares estavam sobre ele. Foi s ento que percebeu que Alan
balbuciava o seu nome. Carlos andou lentamente at a cama e postou-se
ao lado do mvel escalavrado. Alan se encontrava com algumas gotas de
suor sobre a testa e de olhos fechados. Pareceu estar delirando quando
falou:
      -- Carlos... Deus sabe de todas as coisas. V todas as coisas. Pode
todas as coisas...
      Onisciente. Onipresente. Onipotente. Lembrou Carlos.
      Alan falava:
      -- Ele sempre olhou para voc, e a toda hora trabalhou por voc. Eu
no salvei sua vida... Foi o Senhor Jesus quem o salvou. Se no fosse Ele,
eu no o encontraria... Se no fosse Ele, voc no estaria vivo... E
quanto  sua fita, tudo o que est nela no  segredo para mim, muito
menos para o Deus a quem sirvo... Quero que voc saiba, Carlos, que
nessa fita no est o seu livramento. Seu livramento est no Deus que
tudo pode. Voc tem que dar crdito a estas palavras, Carlos... Voc s
ser feliz com Jesus em seu corao... Somente assim voc ser livre.
      Jesus te ama, Carlos... Ele morreu por voc... Deu a prpria vida por
voc... recordou Carlos do que Alan falara-o no carro em que roubara no
meio da madrugada. Olhou para os demais presentes no quarto e notou
que todos estavam de olhos fechados, como se meditassem no que Alan
falava. Carlos no sabia o que fazer diante daquela situao. Uma das
poucas vezes em que no sabia se desvencilhar ou o que fazer para sair
dali.
      De repente, Alan se calou e tudo se tornou silncio. Parecia que
tinha voltado a adormecer subitamente.
      Andrey adiantou-se, verificou o pulso de Alan e examinou seus
olhos. Virou-se para todos.
      -- Voltou a desvanecer.
      Jos estava ocioso quando perguntou:
      -- Com esta reao pode-se dizer que ele est bem? Que vai se
recuperar?
      -- Sinceramente, no posso afirmar isso. Ele perdeu muito sangue
e... est certo que recebeu o de Fbio, mas tudo foi muito recente. Deus


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             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

queira que tudo esteja bem com ele. Que isso no cause nenhuma
seqela.
     Carlos tentou deixar seus devaneios causados pelas palavras de
Alan e perguntou:
     -- E isso  tudo o que podemos fazer? Ficar parados e esperar?
     -- No momento sim... ou no -- falou Andrey. -- Podemos todos
orar. A orao remove montanhas.
     -- Muito bem, ento vamos todos orar -- concordou prontamente
Vitria.
     Todos os olhares se fixaram em Carlos novamente. Foi Fbio quem
props:
     -- Se voc no quer ficar mesmo de braos cruzados e quer
realmente fazer alguma coisa por Alan, pode formar essa corrente de
orao e interceder pelo nosso amigo, Carlos. Isso  com voc. O que
decide?
     Carlos prendeu a respirao. Estava num beco sem sada mais uma
vez. E agora, o que fazer? Perguntou-se. Queria realmente fazer algo pelo
homem que h um dia atrs no tinha a mnima idia de quem era e que
acabara salvando sua vida por um motivo o qual no tinha
conhecimento? Queria se envolver com um bando de lunticos e fazer
parte de uma... corrente de orao, uma coisa que no tinha conscincia
do que era? Um grande dilema estava diante de si.

                                  &&&

     -- Quero lhe contar uma coisa muito importante -- confidenciou
Melina  Tina, que parecia um tanto confusa com tudo o que se havia
passado nos ltimos minutos no interior do templo da P.I.E.M.
     -- Estou aqui para ser sua amiga, Melina. Conte comigo -- a esposa
do tira encorajou-a.
     Melina tentou um sorriso e respirou fundo procurando foras para
iniciar a difcil misso de tentar salvar seu marido e tentar esclarecer um
terrvel engano, o qual estava estampado no jornal que mostrara ao
pastor Nilton Cross.
     As duas estavam sentadas, uma de frente para a outra no escritrio
que Nilton havia cedido para que ficassem em particular. Melina
balbuciou:
     -- Olha, Tina, sinto muito por seu amigo ter morrido de uma forma
to horrvel. Sinto tambm pelo que voc vem enfrentando em seu
casamento, pelo sofrimento constante que vem sentindo. Ultimamente,


                                     35
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

como voc ouviu em minha orao h pouco, tambm venho
enfrentando problemas em minha vida...
     -- Tambm em seu casamento? -- especulou Tina.
     -- No... no exatamente. De qualquer forma se trata de meu
marido. Seu nome  Alan Xavier e h quase dois dias ele saiu de casa me
deixando sozinha com meus trs filhos.
     Os traos do rosto de Tina sofreram uma metamorfose e o que se
pde notar foi uma expresso de pena.
     -- sinto muito por voc -- disse ela. -- Tenho certeza que voc tem
enfrentado uma barra.
     -- E tenho mesmo -- confirmou Melina balanando a cabea. --
Minha filha menor  quem sente mais sua falta. Ele mimou-a bastante.
Mas, o que importa agora  que gostaria que voc me ajudasse.
     Tina se espantou.
     -- Eu? Mas... mas como eu poderia ajud-la, e... e por que voc iria
querer minha ajuda? Uma pessoa que mal conhece?
     Melina tomou as mos de Tina nas suas e apertou-as fortemente.
     -- Voc pode me ajudar, e muito, Tina. E nesse momento, a grande
chance para que tudo se resolva de uma vez. A chance para que a
angstia que toma conta de mim seda lugar a alegria que havia antes, h
dois dias atrs.
     -- Posso perguntar o que aconteceu h dois dias atrs?
     Melina ficou por um momento somente a olhar dentro dos olhos
negros de Tina, tentado adivinhar qual seria sua reao ao ouvir a
histria que tinha para contar. Sentiu suas mos esfriarem e ento soltou
as da mulher  sua frente. Sentiu a voz fraca quando comeou dizendo:
     -- Bem... meu marido, Alan, recebeu uma... digamos... uma
misso muito especial. Uma misso dada por Deus. Porm, era uma
tarefa difcil e penosa. O objetivo era pregar a palavra de Deus para um
certo homem de nome Carlos. Ouvindo assim, tudo parece muito
simples e normal para qualquer cristo, mas  muito pelo contrrio.
Acabei descobrindo que Carlos  um traficante de drogas e que est
envolvido com uma quadrilha conhecida e muito perigosa e certamente
voc j deve conhec-la bem, pois ela  a Quadrilha Vip.
     Agora parecia que Tina j no piscava ou muito menos respirava.
Sua boca se encontrava levemente entreaberta com o choque emocional
que estava levando. Melina continuou:
     -- Acho que Alan saiu de casa no mesmo dia em que tudo
aconteceu de ruim. Seu amigo foi assassinado junto com o parceiro e a
culpa caiu sobre meu marido junto com o tal Carlos, que de alguma


                                    36
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

forma conseguiram escapar e esto foragidos -- ela fechou os olhos. --
Graas a Deus. O que eu quero dizer  que a pessoa que seu marido est
procurando  meu marido. Mas Alan  inocente. No sei quanto a
Carlos, mas o meu Alan  inocente de todas as acusaes. Ele no pode
ter matado esse policial, pois no faz mal a uma mosca sequer. Por isso,
agora estou pedindo sua ajuda, pois sei que foi o Senhor quem mandou
voc aqui hoje, exatamente neste templo para se encontrar comigo.
Ajude-me, Tina. Ajude-me, por favor.
     Tina tentou falar algo, mas palavra alguma saia de sua boca. Ela
estava de frente com a esposa do suposto assassino de Pablo e aquilo
que ouvia apagava tudo o que pensara a todo instante: Justia. Melina
esperava uma resposta, mas ela no sabia o que pensar, muito menos
dar qualquer resposta.

                                 &&&

     Axel abriu a porta e entrou em sua casa. No mesmo instante, ouviu
pequenos passos apressados vindo em sua direo. J sabendo quem
seria, abriu um largo sorriso e os braos enquanto se ajoelhava. Ento,
um grito singelo e bem conhecido se fez soar enchendo a sala:
     -- Paapppaaaaaaiiiiiiiii!!!!!
     Leonardo aconchegou-se fortemente nos braos do pai e gargalhou
de alegria.
     -- Tudo bem, garoto? -- indagou Axel.
     -- Tudo.
     -- Onde est sua me?
     -- Mame saiu. Disse para eu ficasse assistindo comportado a
televiso e que logo viria.
     -- E voc sabe para onde ela foi?
     -- No sei no, mas ela saiu daqui meio triste, quase chorando.
     -- Mesmo? E sabe me dizer por qu?
     -- No muito bem, papai -- Leonardo baixou o olhar para o cho.
-- a mame vem andado muito triste. Sempre pergunto o que ela tem,
mas ela nunca responde. Diz que no  nada.
     Axel fitava seu filho. Como ele era lindo e como era inteligente
tambm. J sabia ler e escrever bem e vivia perguntando as coisas para
entend-las melhor e explicar para seus colegas menos dotados de
conhecimentos. Axel iria elogi-lo pela centsima vez quando o garoto
decidiu continuar com a palavra:



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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Papai, eu... assisti na televiso que uma pessoa nunca deve
mentir para outra. Isso  verdade?
     --  sim, filho. Mentira  uma coisa muito feia que ningum deve
praticar, principalmente voc que  um excelente garoto.
     Estranhamente Leonardo no ficou radiante com o elogio do pai.
     -- Ento se eu fizer uma pergunta para o senhor, no ir mentir
para mim, no ?
     -- Claro que no, mas por qu...
     Leonardo levou a pequenina mo at a boca do pai e bloqueou-a
para que o deixasse falar. Axel entendeu. O outro indagou
     -- Ento responda, papai... O senhor est traindo a mame?
     Agora, nem se Leonardo retirasse a mo da boca de Axel, ele no
conseguiria falar uma slaba sequer. Aquela pergunta havia-o pegado
terrivelmente de surpresa.




                                    38
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                           Captulo 27



T  udo continuava da mesma forma. O terror imperava junto com a
   agonia e pareciam unir foras para transtorn-la um pouco mais a
cada minuto.
      Nicole sentia que sua respirao se encontrava fraca assim como
seu organismo j um tanto debilitado. No era por menos. No digeria
coisa alguma a dois dias. A culpa no era da comida, que parecia at
muito suculenta, e sim de seus nervos que viviam num "curto circuito"
constante, no lhe permitindo engolir alimento algum. Suspeitou ento,
que o sofrimento a sustentava.
     A solido insistia em assol-la e por mais que se esforasse no
conseguia se acostumar com aqueles macabros quadros nos quatro
cantos do quarto. Por quanto tempo mais iria suportar ficar ali?
Perguntou-se.
     Ela estava sentada sobre a cama com a cabea entre as mos. O
desespero retornando ao corao, como fazia de dez em dez minutos.
Meu Deus! Gritou em silncio. Tenho que sair daqui, se no acabarei
ficando louca! Tenho que fazer algo...
     Voltou os olhos para a porta, onde no centro havia uma pequena
fresta que permanecia fechada. Levou sua ateno novamente para todo
espao  sua volta. Ento se ergueu e respirou fundo, decidindo que iria
fazer o que j devia ter feito h tempos atrs: iria escapar dali ou
morreria tentando.



                                    39
              Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

                                   &&&

     Do lado de fora do "calabouo luxuoso", o capataz de guarda estava
a postos. Com sua arma na cintura, ele permanecia rijo ao lado da porta
como se fosse um arranjo vivo cumprindo a ordem que Lucas lhe dera:
"Guarde esta porta como se fosse sua prpria vida, porque se a pessoa que est a
dentro escapar, ningum poder guard-lo ou escond-lo de mim, entendeu?"
Sabia que as palavras de Lucas valiam por toda uma vida, pois j tinha
visto vrios exemplos disso e no queria se transformar em um deles.
     Subitamente surgiram gritos horrendos surgiram de dentro do
quarto:
     -- Meu Deus, No!! Por favor, no faa isso comigo!!
Aaaaaaaaiiiiiiiiiiiii!!
     Os pensamentos do capataz ligaram-se instantaneamente em Lucas:
Ningum poder guard-lo ou escond-lo de mim... um suor frio percorreu-
lhe a testa sem demora enquanto os gritos continuavam dentro do
aposento sinistro. Se acontecer algo com a prisioneira? O que acontecer
comigo?
     Os gritos cessaram subitamente.
     Rapidamente postou-se diante  porta, entreabriu a fresta e
observou o cmodo. Seus olhos no detectou ningum. Escancarou a
fresta. Nenhuma pessoa  vista.
     -- Droga! -- proferiu.
     Levou a mo ao bolso da cala jeans azul e alcanou a chave. Enfiou-
a na fechadura e girou. A porta abriu. Ele entrou lentamente e
esquadrinhou o lugar com o olhar. Ela no estava mais ali. Pensou ento
rapidamente: Pode estar no banheiro. Quem sabe estava enjoada e...
     Os pensamentos estancaram quando um vulto saiu de trs da porta
como um relmpago. Levantou um pequeno abajur com as duas mos e
desceu-o com toda a fora possvel na cabea do homem, que caiu no
cho inconsciente.
     Nicole soltou a respirao que h muito tempo prendia. Sem
demora, correu ao encontro do homem. Virou seu corpo robusto que
estava de bruos e retirou a arma de sua cintura. Observou-a em suas
mos trmulas. Seria capaz de us-la? Tirar a vida de algum? Pensou
nas horas de angstia e agonia que passara ali e concluiu que faria
qualquer coisa para escapar. De qualquer forma, irei para longe daqui,
contritou-se.
     Apertou a arma com as duas mos e deu os primeiros passos em
direo  porta, em direo  liberdade. Porm, tentou advinhar quantas


                                       40
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

pessoas haviam naquele lugar. Teria que passar por todos eles de um
modo ou de outro para sair. O que no iria acontecer era voltar a estar
presa naquela priso; uma solitria privilegiada que para ela no
significava nenhuma maravilha.
     Passou pela porta e nada a deteve. Com a arma firme entre as mos,
Nicole podia ouvir as batidas aceleradas do seu prprio corao.
Observou um grande corredor diante de si que dobrava  esquerda mais
adiante. Tentou no tremer e apressou seus passos.
     De repente, ouviu um barulho s suas costas e virou-se consternada
com a arma de prontido apontada para frente e o olho na mira.
Ningum estava ali. Soltou a respirao aliviada, mas com as pernas
ainda trmulas como uma bandeira no mastro.
     Virou-se de volta e sentiu imediatamente um cano frio de ao
encostar-se ao meio de sua testa no mesmo momento em que a arma foi
arrematada de si por uma mo gil e forte.
     Nicole contemplou aturdida o rosto petrificado de Lucas por detrs
da pistola reluzente apontada para sua cabea. A esperana de se libertar
havia escorrido pelo ralo numa frao de segundos; o pesadelo iria
comear novamente: o terror, a solido, a angstia, o medo... No!
Decidiu ela. Aquilo teria que acabar naquele exato momento. Fechou os
olhos diante do silncio de Lucas e aos berros ordenou:
     -- Acabe com isso de uma vez por todas! Atire! Vamos, seu
miservel, atire logo, pois para aquele quarto eu no volto mais!
Atiiireeee!!!
     Em menos de um segundo, o gatilho foi puxado e a arma estava
pronta para disparar.

                                 &&&

    -- E ento, Tina -- Melina reforou a pergunta fitando os olhos da
mulher de pele morena  sua frente --, voc est disposta a me ajudar e
acabar com essa injustia que esto fazendo?
    Por um momento, Tina permaneceu em silncio, apenas
matraqueando com as mos, tocando as pontas dos dedos uns nos
outros. Comeou a andar de um lado para o outro com passos lentos, e
ento parou e voltou-se para Melina Xavier.
    -- Olha... tenho que lhe dizer que tudo isso que voc me falou
pegou-me de surpresa; totalmente desprevenida...
    -- Sei que isso  uma reviravolta e tanto para voc, mas  um
inocente precisando de sua ajuda -- interrompeu-a Melina. -- E acho,


                                    41
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

que como uma crist, voc deve fazer aquilo que  certo, porm, eu
saberei compreender se desejar apoiar seu marido nessa hora em que
est diante de voc uma deciso to importante.
     -- Como eu disse,  uma coisa muito... bem,  um impacto muito
forte tudo isso que estou ouvindo agora, pode ter certeza. Mas posso
adiantar que no posso deixar de ajudar uma pessoa que realmente
precisa de uma mo e que est sendo injustamente culpado de um crime
que no cometeu.
     Uma leve expresso de alvio surgiu nas faces de Melina.
     -- Ento isso quer dizer que voc...
     -- No exatamente, Melina -- desta vez cortou Tina. -- Antes tenho
que lhe pedir desculpas e tambm fazer algumas perguntas, e quero que
deixe seu amor de lado; seu lado esposa. Responda sem titubear, porm
com a verdade na ponta dos lbios.
     Melina no pestanejou ao responder:
     -- Dou-lhe minha palavra de que responderei com a mais pura
verdade.
     -- Certo. Ento responda-me: em todo esse tempo em que est ao
lado do seu marido, dias e noites em sua companhia, voc pode me
garantir, Melina, que ele no seria capaz de cometer um crime sequer em
sua vida? Um deslize qualquer e se afundar nele sem querer? Ele nunca
fez algo que pudesse coloc-lo em suspeita?
     A expresso do rosto de Melina em sua tranqilidade, confiana e
fora j adiantava a resposta.
     -- No sei se voc vai acreditar, Tina, mas Alan  o homem mais
sincero que j conheci em toda a minha vida, e se h uma pessoa em que,
no somente eu, mas o mundo inteiro pode confiar alm de Jesus Cristo
nosso salvador, essa pessoa  Alan. Ele no seria capaz de cometer crime
algum. Seria sim, capaz de cometer um deslize, mas no afundaria nele,
porque ele  um vaso de Deus e o Senhor est ao seu lado. E nunca ele
foi um suspeito para mim, pois jamais me deu algum motivo para que
isso viesse a acontecer. Como eu j afirmei para voc antes: Alan 
inocente.
     Tina tentou enxergar nos olhos de Melina algum resqucio de
dvida ou at mesmo de mentira. No encontrou nada. Ento, decidiu
fazer o que tinha que ser feito:
     -- Muito bem -- disse Tina --, diante da sua plena certeza, devo
admitir que estou convencida. Pode ficar segura de que farei o que
estiver ao meu alcance para ajudar voc e ao seu marido Alan. -- ao
final, ela abriu um bonito sorriso de conforto.


                                    42
              Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Melina no resistiu  deciso de Tina e abraou-a subitamente.
     -- Obrigada, Tina. Obrigada, Senhor.

                                   &&&

     Um empurro fez com que Nicole batesse com a cabea no cho e
gemesse de dor. Com lgrimas nos olhos, ela tornou a olhar os quadros
bizarros. Estava de volta ao seu tmulo. Voltou-se na direo da porta
onde Lucas estava a observ-la com expresso fria e calculista de
sempre. No tinha atirado nela. Preferiu puni-la jogando-a de volta
naquele quarto. Isso era pior que a morte para ela.
     -- No tente fugir de novo e queira se comportar -- aconselhou ele.
-- Voc s ainda est viva graas a uma pequena fita que est em poder
de Carlos.
     Um aperto no corao fez Nicole arquejar. Lucas continuava:
     -- Alis, ele tem se esforado para ter voc de volta, sabia? Deve
agradec-lo muito, isto , se os dois sarem dessa com vida, o que eu
acho impossvel. Mas mesmo assim, desejo boa sorte, o que no vai
resolver.
     Ela no falou uma s palavra. A vontade que tinha era de morrer
naquele mesmo instante e acabar com todo o pesadelo que a rodeava.
     Lucas bateu a porta, trancando-a logo a seguir. Nicole estava na
solido e sem esperana novamente. O choro fluiu como uma fonte
natural, jorrando e esvaziando a alma abatida, amargurada, perdida.
Tentou impedir que as lgrimas continuassem a descer e que a loucura a
possusse. Sentou-se de volta na cama desarrumada.
     Carlos apareceu em sua mente disturbada como um cavaleiro de
armadura cintilante, montado em seu cavalo robusto e com uma espada
desembainhada na mo, pronto para salv-la, mas aquilo estava muito
aqum da realidade. Se Carlos aparecesse, seria fuzilado num segundo.
     ...Alis, ele tem se esforado para ter voc de volta, sabia? Deve agradec-
lo muito...
     No momento, ela no queria agradec-lo, e sim estar com ele, senti-
lo perto, estar em segurana. Sentiu que mesmo ele tendo escondido o
que  para ela e t-la metido naquele inferno, no conseguia esquec-lo
nem odi-lo.
     Onde ele estaria? Perguntou-se ento. Como estaria? O que estava
pensando e pelo que estava passando?
     Ela no podia imaginar.




                                       43
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

                                 &&&

     Carlos fitava a todos, variando de olhar para olhar. Todos
aguardavam pacientemente sua resposta. Ele mordeu os lbios,
perguntando-se por que se sujeitaria quilo. Seria humilhante se juntar
quela loucura. Seus olhos se depararam com Alan estendido sobre a
cama velha coberta com um pano amarelo. Sentia que devia agradec-lo
e, mesmo que no gostasse nem um pouco da idia -- pois nunca tinha
agradecido nada a algum na vida --, pensou que talvez fosse aquela a
hora de faz-lo. Seria mesmo? No poderia ser feito em outra ocasio?
Respirou fundo e foi surpreendido quando um pensamento tomou-lhe a
mente: e se no houver outra ocasio?
     -- Carlos... -- chamou Andrey. -- vamos orar?
     O visitante sentiu que aquela definitivamente era a hora da deciso.
Olhou para o piso de vermelho do quarto e ento fixou o jovem mdico
e deu de ombros.
     -- Certo. Vamos nessa.
     O que vou fazer? Pensou. Isso tudo  uma grande loucura.
     Todos se deram as mos. As de Andrey e Vitria estavam
estendidas na direo de Carlos. Ele as tomou nas suas ainda se
questionando se no seria melhor voltar atrs.
     Andrey voltou-se para Jos e pediu mansamente:
     -- D inicio  orao, Jos, com a certeza de que o Senhor ir nos
ouvir e mandar a resposta s nossas splicas.
     Jos sorriu e fez um sinal positivo com a cabea. Comeou com um
louvor ao Senhor dos exrcitos, uma cano de exaltao ao soberano
Deus que tudo pode, e todos o seguiram no mesmo tom, fazendo com
que um cheiro suave subisse at as narinas de Deus.
     Quando a cano parou, deu-se lugar  orao fervorosa feita por
todos de uma maneira completa e eficaz.
     Carlos, desde o comeo, no havia fechado os olhos assim como os
outros. Preferiu observar o que acontecia  sua volta: todos de mos
dadas gritavam e falavam, algumas vezes, ao seu ver, alterados. Ouvia
todos pedirem misericrdia a um Senhor que no conhecia. Rogavam
perdo por suas faltas e pecados. Alguns deles choravam e ao mesmo
tempo sorriam enquanto outros apenas exibiam seus rostos com
expresso singela. Carlos nunca tinha visto algo parecido na vida. Fbio
dizia: Aleluia! E Vitria balbuciava suavemente: Glrias a Deus! Snia
gritava: Santo! Santo! Santo! Andrey, por sua vez, louvava: Digno s de
toda honra e toda glria, Senhor!


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             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Subitamente, Carlos fechou os olhos e tentou pronunciar alguma
coisa, mas nada lhe veio aos lbios. Experimentou imitar os demais,
porm foi intil. No conseguia fazer os lbios se mexerem. Ouviu por
vrias vezes a palavra "Deus" ser pronunciada e tentou reproduzi-la.
Continuou mudo como se tivessem cortado sua lngua. Sentiu de
repente como se estivesse preso, acorrentado por elos invisveis e
poderosos. Algo comeava a querer sufoc-lo.
     Abriu os olhos e constatou que ningum o segurava. Pensou em
chamar um dos jovens presentes e questionar sobre o que estava
acontecendo. Sentia que no tinha foras para sair do lugar, nem um
resqucio sequer para que pudesse erguer um dos braos ou uma das
pernas ao menos para chamar ateno.
     Tornou a fechar os olhos e, em pensamento, numa tentativa
desesperada de dissipar o que estava se passando consigo, falou:
     No sei o que est acontecendo aqui e no sei se quero saber, mas... por
favor, se realmente existe um Deus a, faa com que isso que estou sentindo pare
agora!
     Carlos esperou por um momento e nada aconteceu. Foi ento que
caiu em si e descobriu-se que pela primeira vez tentava... orar? Falar com
Deus?
     Sem que esperasse, captou seu nome ser mencionado na orao feita
pelo grupo. Seus ouvidos ficaram alerta. Ouviu pedirem para que o
Senhor tivesse misericrdia tambm de sua vida e que o perdoasse, pois
ainda no tinha o conhecimento da verdade. Rogaram para que ele fosse
transformado e moldado, para que viesse a perceber que o melhor da vida
no estava em jogos, ou em drogas, ou em mulheres, ou no dinheiro, e
sim na adorao a Deus, vivendo em plena comunho com Ele.
     -- Senhor, sabemos que Carlos  humano e falho assim como todo
homem, pois herdamos isso de Ado e Eva -- intercedeu Jos --, ele tem
esperado o melhor da vida e nunca desfrutou realmente dela. Sofreu
grandes decepes, angstias e amarguras, e tudo isso Tu sabes,  Deus,
porque nos sondas e nos conheces. Sentimos, Pai, que este homem est
acorrentado pelo pecado e sendo oprimido por hostes malignas. Est
cego espiritualmente e leigo a respeito de tudo aquilo que Tu s.
     "Entretanto, Senhor, temos a convico que s Deus de amor e que
ests pronto a ouvir a voz dos que de corao quebrantado Te clamam.
Por isso, ouve agora minha voz, pois Te peo agora, em nome de Jesus,
que quebre neste momento as cadeias que cercam este homem e
combata o combate por ns, porque maior  o que est em ns do que o
que est no mundo!


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             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

      Instantaneamente, Carlos sentiu o peso que parecia afundar-lhe a
cada minuto transformar-se simplesmente em coisa alguma, e isso o
intrigou veementemente.
      Como podem saber o que se passa em meu corpo e em minha mente?
Parecem conhecer cada passo da minha vida at aqui! primeiro o pastor e agora
Jos! Aparentam que h muito tempo so pessoas prximas a mim.
      Carlos no entendia que tudo aquilo era revelao de Deus.
      Em meio as vozes exaltadas de jbilo, uma sensao estranha
invadiu repentinamente sua alma e uma vontade imensa de chorar e
desabafar todas as coisas erradas que ocorreu em sua vida tomou-lhe
por completo. Chorar? Segurou a lgrima e concentrou-se para no dar
uma "grande mancada" na frente de todos. Espantado, indagou a si
mesmo o que fazia com que viesse a experimentar aquela sensao
singular e indistinta. Lembrou que havia muito tempo que no
derramava lgrima alguma por coisa alguma nem por ningum. Tanto
tempo que no tinha idia de quando teria sido a ltima vez.
      Sentiu Vitria apertar-lhe a mo e olhou para ela. De olhos bem
fechados, a jovem mulher adorava a Deus em um lngua diferente a qual
Carlos no conseguia discernir. Talvez um idioma estranho; uma lngua
estranha.
      Ouviu a voz de Jos finalizar emocionado:
      -- Obrigado, Senhor, pois j sinto que Tuas mos se moveram e que
comeaste a trabalhar e batalhar por ns. Tudo entregamos nas Tuas
mos. Pai querido,  no nome de Jesus, Teu filho amado, que Te
pedimos essas bnos e desde j Te agradeo. Amm.
      Todos os demais repetiram: Amm!
      Carlos no falou nada. Desconfiado, olhava para todos. No rosto,
uma expresso de assombro. Mas apesar disso, estranhamente sentia-se
mais calmo, como se parte de suas preocupaes tivessem se perdido no
ar. Porm, as mais contundentes continuavam a povoar seu
subconsciente como um redemoinho que teimava a girar ao seu redor.
Ele especulou cada um dos jovens crentes com os olhos e quase sem
querer perguntou:
      -- O que vem a seguir? O que vamos fazer agora? -- a indagao
foi lanada a todos. Fbio foi que se adiantou:
      -- Todos ns, diante s circunstncias, fizemos o que estava ao
alcance das nossas possibilidades. Voc trouxe o Alan, Andrey o operou,
doei meu sangue a ele. Tudo o que aparentemente precisava ser feito foi
feito. Agora, o que nos resta  esperar em Deus. Ele se encarregar de
fazer o que for necessrio.


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              Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Carlos apenas observou-o. Em seu olhar habitava a pura
incredulidade.
     O que eu fiz e no que eu vim me meter! Pensou Carlos. Tudo isso  uma
loucura ou talvez apenas um sonho maluco que teima em povoar minha mente
como uma grande nuvem tenebrosa..
     Voltou-se para Alan e, como se este pudesse entender o que
pensava, perguntou-lhe em silncio:
     Ser que voc vale todo esse sacrifcio, pastor? O que eu vi de diferente em
voc? Alis, o que voc viu de diferente em mim para que viesse ao meu
encontro e arriscasse sua vida para deixar que eu vivesse? Por qu? Que valor
acha que tenho para que tomasse aquela bala por mim para me salvar? Qual a
sua inteno, Alan Xavier? Qual a inteno de... Deus?
     Alan continuava imvel, assim como Carlos continuava sem suas
respostas.

                                   &&&

     Leonardo ainda fitava o pai com olhar especulativo e inquisitivo.
Axel sentia-se acuado diante do menino de oito anos de idade. Aquela
foi uma pergunta que o fez desmoronar completamente por dentro.
Sentiu-se enjoado e um filete de suor escorreu por sua testa. Ele olhava
para seu filho sem saber o que falar. Apenas tentava fazer com que
alguma palavra sasse de sua boca, mas nem isso acontecia.
     -- Filho... foi sua me quem falou isso para voc? -- arriscou Axel.
     -- No, papai, no foi. O senhor ir responder minha pergunta de uma
vez, ou no?
     Axel hesitou. Esforou-se em pensar em algo.
     -- Filho, eu...
     Repentinamente, ouviu-se o bip do pager preso  cintura do agente
policial. Rapidamente, Axel pegou-o em sua mo e olhou a mensagem
na tela de cristal lquido:

               "PLANO PRONTO PARA SER POSTO EM PRTICA."
                              CAROLINE.

     Axel voltou-se e tornou a olhar Leonardo.
     -- Olha, Leo, no fique pensando em coisas como esta. Isso pode
fazer muito mal para voc. No se preocupe, papai e mame se amam e
nada ir nos separar, est bem?
     Abaixou-se um pouco at encontrar a face do menino com seus
lbios carnudos e dirigiu-se  sada da casa.

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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Leo -- disse sem se virar --, no pense mais nisso. Se preocupe
apenas em pensar que papai e mame amam muito voc.
     -- Est certo, papai -- concordou o garoto.
     J o lado de fora da casa, abrindo a porta do carro, Axel pegou-se
pensativo. Por que Leonardo havia pensado aquilo de uma hora para
outra? O que o tinha levado a se preocupar com tal coisa? Ser mesmo
que a televiso tem o poder de despertar esse tipo de curiosidade em
crianas de apenas oito anos?
     Entrou no carros e enfiou a chave na ignio. Ento algo chamou
sua ateno e o fez estremecer. Um pensamento que parecia to bvio
quanto aterrorizante:
     Se Leonardo, que era um menino, estava preocupado em saber se
ele estava a trair sua me, certamente Tina, que se tratava de uma
mulher inteligente e experiente, no estaria da mesma forma
preocupada e pensando nisto tambm?
     Axel ligou o motor e acelerou, querendo que todos aqueles
pensamentos assoladores deixassem de sobrevoar sua cabea.




                                    48
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                           Captulo 28



--      O que voc acha de Carlos? -- perguntou Vitria ao seu marido.
           Os dois estavam dentro do carro de Andrey a caminho do
supermercado. Sabiam que Carlos estava com fome e a dispensa estava
quase vazia. Resolveram ento fazer compras. No dispunham de
dinheiro na ocasio, mas Andrey e Jos ajudaram dando uma boa
quantia.
     Fbio, ao volante, tirou os olhos da pista por dois segundos e fixou-
os na esposa, retornando rapidamente para frente.
     -- Carlos? O que  que tem ele? -- quis saber.
     -- O que acha dele? Quero dizer... o que passa pela sua cabea
quando pensa nele?
     Fbio levantou o sobrolho.
     -- O que penso? Bem... no sei exatamente. Ele me parece estranho
s vezes. O que posso dizer assim de cara  que ele precisa muito de
ajuda, e voc sabe qual  a ajuda de que estou falando.
     -- Sem dvida alguma Carlos precisa de Jesus em sua vida --
acrescentou Vitria fazendo um sinal positivo com a cabea.
     -- Por que voc me perguntou isso?
     -- Porque pensei em ns nos tempos passados. Em como ramos e
como agamos. Ento a figura de Carlos veio em minha mente. Na
realidade ele  como ns ramos. No nas mesmas circunstncias, mas
em se tratando de vida. "Vida perdida".


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     --  verdade -- concordou Fbio.
     -- Quando conversamos, algo me tocou. Creio que foi o Senhor.
Disse para que ele lesse alguns trechos da Bblia. Fui  sala e vi sem que
percebesse que estava lendo. No sei, mas... -- ela olhou contrita para o
marido --, senti naquela hora que o Senhor o ama e tem algo a fazer
atravs da vida dele.  algo que no sei explicar. Algo verdadeiramente
divino.
     -- Isso  somente mais uma prova de que Carlos no est em nossa
casa por acaso. Devemos dar glrias a Deus porque cada vez mais est
abrindo nossa mente para o seu propsito.

                                 &&&

     Era quase meio-dia. Os corredores do terceiro andar do N.R.
estavam quase desertos. O silncio no momento estava presente ali -- o
que se tratava de uma raridade -- e por isso, teria que acontecer naquele
exato momento... E aconteceu.

                                 &&&

     No painel das salas das enfermeiras e auxiliares de enfermagem,
uma luz entre muitas outras comeou a piscar (isto significava que um
paciente estava necessitando de auxlio). Uma enfermeira se ergueu da
cadeira, desligando-se da fofoca do dia discutida pelas demais mulheres
no recinto. Deixou seu caf sobre uma mesa e dirigiu-se ao paciente
indicado. Entretanto, antes que alcanasse a porta, uma segunda luz foi
acionada. Outra mulher se precipitou. Outro chamado. Outra luz. Um
novo pedido de ajuda. Mais uma luz acesa no painel, e mais outra e
outra. No final, eram doze chamados feitos ao mesmo tempo. Todas as
profissionais presentes -- um total de cinco -- se entreolharam confusas.
Uma delas deu de ombros e saiu, sendo seguida logo aps pelas demais.

                                 &&&

     O primeiro chamado foi atendido.
     -- Sim, Sr. Durval, est presisando de alguma coisa? -- indagou a
enfermeira.
     O paciente girou o corpo magro e de pele engelhada sobre a cama e
fixou o olhar na mulher de uniforme claro.




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    -- Como assim? Eu no chamei ningum! Por que acha que estou
precisando de algo?
    -- O senhor no me chamou? Mas... o painel mostrou que...
    -- Ento aquele painel est biruta, querida, pois estava num timo
cochilo at voc me acordar!
    A enfermeira coou levemente a cabea, confusa e ligeiramente
aborrecida. Mal sabia ela que suas colegas de trabalho recebiam naquele
momento a mesma resposta negativa.

                                 &&&

    Enquanto isso, passos apressados quase inaudveis eram dados com
cautela em um dos corredores e cessaram quando entraram no elevador
e a porta metlica se fechou levando para o ltimo andar trs vultos
receosos e um inconsciente.

                                 &&&

     A porta foi aberta e a claridade pde entrar no quarto vazio. Foi o
Dr. Stone quem entrou primeiro. Acendeu a luz e puxou a maca onde
Pablo se encontrava. Caroline entrou logo em seguida, segurando um
pequeno cilindro de oxignio e encostando uma mscara rente ao nariz
do homem inconsciente, garantindo-lhe assim a vida, j que estava
desligado dos aparelhos. Axel entrou logo em seguida dando cobertura.
     O doutor guiou a maca at um leito limpo no canto do recinto e com
a ajuda de Axel removeu Pablo, acomodando-o.
     Caroline, ainda segurando a mscara, disse:
     -- Caramba! Acho que nunca tinha corrido assim em toda a minha
vida. Nem na minha poca de escola. Ainda bem que fui rpida o
bastante para acionar os chamados sem que fosse vista.
     Axel voltou-se para o doutor e indagou preocupado:
     -- O senhor tem certeza que j no vem mais ningum aqui?
     -- Est rea era um conjunto de salas de cirurgia, mas foi
desativado lguns meses para reformas e ampliao para comportar
mais leitos. As reformas, com os recursos de que o hospital dispe, s
ser possvel daqui a um ano. At podemos ficar sossegados. Ningum
coloca os ps aqui h um longo perodo. Mas devo advertir: no
podemos manter isso por muito tempo. Temos que torcer para que o Sr.
Tavares se recupere o mais rpido possvel.




                                    51
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

      -- Mesmo assim eu lhe agradeo, doutor -- falou Caroline
emocionada. -- No esquecerei o que o senhor est fazendo por mim e
por Pablo.
      -- Disponha, senhorita...
      A voz do Dr. Stone foi interrompida quando a porta foi sendo
aberta lentamente, fazendo com que os trs ficassem paralisados de
temor.
      Uma cabea com mexas loiras apareceu e olhou esquisito para os
trs. Foi ento que o Dr. Stone suspirou aliviado e disse:
      -- No se preocupem. Esta  Elis, minha enfermeira de confiana,
ou melhor, minha amiga.
      As palavras do doutor pareceu tirar um peso de uma tonelada das
costas de Axel e Caroline.
      -- Meu Deus! Pensei que iria ter um infarto -- confessou a reprter.
      A enfermeira entrou com um sorriso e pode mostrar seu uniforme
devidamente limpo e engomado. O doutor explicou:
      -- Ela ficar tomando conta de Pablo enquanto eu estiver
medicando e fazendo minhas rondas de rotina.
      O doutor ligou os aparelhos j previamente instalados no quarto e a
loira abriu o armrio onde pegou o material para entubar Pablo
novamente.
      -- Tudo ficar bem -- amenizou Axel. -- Pablo logo sair desta. Ele
 forte e no ser desta vez que conseguiro derruba-lo definitivamente.
      O sorriso de Caroline apareceu.
      -- Claro que sim -- concordou. -- Mas... por falar em derrubar,
Axel, quero que fale com o seu capito sobre o "enterro" de Pablo.
Temos que fazer isso acontecer o rpido possvel.
      -- Certo. Falarei com ele assim que eu sair daqui.

                                 &&&

     -- Voc bem que poderia levar pelo menos uma sacola destas, no 
mesmo? -- reclamou Fbio com quatro sacolas penduradas nas mos
para Vitria acabando de sair do supermercado.
     Ela sorriu.
     -- Agente, estamos quase chegando ao carro. Eu sei que voc 
forte, meu amor. Da outra vez voc levou sei sacolas!
     Fbio fez uma careta.




                                    52
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Mas  porque vi que voc j levava duas delas. No so vocs
que fazem questo de direitos iguais? Ento est na hora de provar se
realmente merecem ou no.
     -- Ora, vamos! Deixe de reclamar e...
     -- Vitria! Fbio! -- a voz ressoou alta ao longe.
     Os dois jovens voltaram os olhos para a pessoa que os havia
chamado e levaram um tremendo choque. Melina caminhava a passos
largos na direo deles.
     Fbio se apressou em sussurrar  esposa:
     -- Fique calma e lembre-se: ela no pode ficar sabendo que Alan
est em nossa casa. Ele certamente no iria gostar de v-la envolvida no
que est acontecendo. No podemos "dar na vista".
     Vitria concordou com a cabea e sorriu para Melina, que ao se
aproximar os abraou calorosamente no mesmo instante em que
lgrimas de alegria e dor escorreram de seus olhos.
     -- Que bom t-los encontrado nesse momento, meus queridos.
     O casal trocou um olhar rpido e vitria adiantou-se:
     -- Melina, voc est chorando! Voc est bem? Est acontecendo
alguma coisa?
     A Sra. Xavier fez um gesto positivo com o cenho.
     -- Est sim, queridos. Algo muito grave e acho que vocs podem
me ajudar. Graas a Deus os encontrei, pois preciso muito conversar
com os dois. Mas se estiverem ocupados  claro que irei entender...
     Vitria segurou a mo de Melina enquanto Fbio declarou:
     -- Melina, estamos livres pra voc a qualquer hora do dia ou da
noite. Espere s um momento. Vou deixar as compras no carro e
conversaremos no restaurante logo aqui ao lado do supermercado...
     -- No... -- adiantou-se Melina. -- No acho que seja muito seguro
falarmos em ambientes pblicos. Eu... eu gostaria muito de ir at a casa
de vocs, sabe...
     O casal mais uma vez trocou um olhar e prendeu a respirao.
Estavam encurralados e acuados diante dos olhos meigos e tristes de
Melina e da situao inusitada que acabava de lhes pregar uma terrvel
pea. Em seus rostos quase se podia ver claramente a pergunta: O que
faremos agora?




                                    53
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                           Captulo 29



F   bio e Vitria ainda se olhavam sem dizer uma palavra quando a
    Melina cobrou uma resposta:
     -- Ento, gente? Estou a um minuto esperando me dizerem alguma
coisa! H algo errado? No querem que eu v  casa de vocs? Ah...
Tudo bem...
     Vitria meneou a cabea e tentou contornar o mal entendido.
     -- Por favor, Melina... No  o que est pensando! No  que no
queremos que v  nossa casa, mas sim que temos visitas l, e voc sabe
o quanto nosso lugarzinho  pequeno e apertado. Tambm no daria
para termos uma conversa particular, entende?
     Melina apertou levemente o brao de Vitria e esboou seu sorriso
irresistvel.
     --  claro que compreendo, minha querida. E j que  assim, sou
obrigada a convida-los a me acompanhar at a minha casa.
     O sorriso do casal foi instantneo, certo de que o objetivo de no
levar Melina ao encontro de Alan estava alcanado.
     -- E se no for abusar demais -- desconfiou-se Melina -- ser que
poderamos passar no colgio das crianas e peg-los? Creio que j
devem estar saindo da sala de aula.
     -- Voc est brincando -- exclamou Vitria. -- Cristo! H tanto
tempo que no vejo aqueles anjinhos que eu faria questo de ir peg-los
a qualquer momento.


                                    54
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    Fbio franziu a testa e disse:
    -- timo. Iremos, ento, mas... se no for abusar tambm, ser que
dava pra cada uma me ajudar com uma sacolinha, hein?

                                 &&&

      Novamente encontrava-se sentado no sof. O corpo estava relaxado,
mas os olhos fixavam, pelo corredor, o quarto de Fbio e Vitria. Carlos
observava Jos e sua esposa sentados do lado direito e Andrey sentado
do lado esquerdo da cama que amparava Alan. Os trs conversavam em
voz baixa esperando o retorno do casal que sara para fazer compras e
sempre estavam tocando no "pastor", medindo sua temperatura,
acariciando-lhe os cabelos.
      Notou Jos. Ele segurava a mo de Alan e a alisava como um
carinho dado de filho para pai.
      Admirao e curiosidade tombaram sobre Carlos. Aquela era mais
uma cena que o deixava confuso. Intrigava-o ver como todos aqueles
jovens estavam ligados a Alan. Todos se juntavam para cuidar dele.
Pareciam estar dispostos a passar noites em claro para garantir sua
recuperao e at mesmo aparentavam estar preparados a transpor
quaisquer barreiras para salv-lo, nem que isso significasse pagar com a
prpria vida.
      Carlos percebeu que vagava em seus pensamentos. Quando voltou
a si, sacudindo a cabea, foi surpreendido pelo olhar de Jos.
      O jovem recm-casado ergueu-se e caminhou at a sala. Sentou ao
lado de Carlos, afundando no sof e suspirou profundamente. Parecia
cansado do retorno da lua-de-mel. No havia ainda descansado, pois
ficara o tempo todo ao lado de Alan.
      -- Andrey falou que Alan lhe pediu para traz-lo at aqui. Eu lhe
agradeo por ter feito isso -- Jos sorriu sem jeito como num
agradecimento formal.
      -- No h de qu Eu pensei um pouco e... agora realmente sei
porqu ele fizera tal pedido. Vocs o tratam como um pai.
      Jos confirmou com a cabea.
      -- E ele, de certa forma,  nosso pai.
      --  mesmo?
      -- De verdade. Quando ele apareceu em nossas vidas ns pudemos
nascer de novo.
      Carlos baixou o olhar quando disse:



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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Encontrei uma fotografia dentro do livro que Vitria me deu pra
ler onde estavam todos vocs. Juntos pareciam uma famlia. Pude
reparar que estavam muito diferentes do que esto agora.
     Novamente um sorriso apareceu nos lbios do jovem.
     -- Devo admitir que antes ramos como verdadeiros irmos, mas
depois que Alan apareceu nos tornamos mais que isso. Agora devo dizer
que somos apenas "um s corpo". Se um se alegra, todos se alegram; se
um chora, todos choram juntos com ele; e se algum se fere, todos
trabalham para que a ferida cicatrize o mais rpido possvel.
     Os olhos de Carlos puderam transmitir o ar de curiosidade quando
fitou Jos e indagou:
     -- Vocs falam muito de "antes" e "quando" ou "depois que Alan
apareceu". O que aconteceu nesse antes e no quando Alan os encontrou?
Como eu disse, na foto vocs estavam diferentes do que so agora. Alan
tem alguma participao nisso?
     -- Voc j perguntou isso a algum?
     -- J.
     -- E o que foi que essa pessoa lhe disse?
     -- Disse que... -- Carlos hesitou e lembrou do que Vitria tinha-lhe
dito: Oh, isso  uma longa histria e acho que quem deva cont-la seja o
prprio Alan. -- Bem... disse que voc seria o mais indicado para contar
isso pra mim. -- Mentiu ele.
     Jos abanou a cabea num aceno de protesto.
     -- No. Essa pessoa est enganada. A pessoa mais indicada para
contar isso a voc seria o Alan. Espere ele se recuperar e logo saber de
tudo.
     Carlos protestou em silncio enquanto Jos se erguia do sof e
caminhava de volta ao quarto. Porm, quando estava no corredor,
estancou e virou-se lentamente. Coou o queixo e voltou  sala.
     -- Pensando bem, acho que posso lhe contar somente uma pequena
parte de tudo o que aconteceu.
     Carlos apenas ficou atento para absorver o que iria ser falado. Jos
iniciou:
     -- Como viu na foto, nenhum de ns ramos de fato como somos
agora. ramos totalmente diferentes. Nossos trajes, pensamentos, atos,
nossa viso do futuro, ambies, enfim, nossa vida no era exatamente o
que se podia chamar de vida, entende? Fazamos parte de uma gangue.
"Os Ferozes" era como se chamava. Todos eram barra pesada. ramos
malucos. Todos ns ramos viciados em alguma droga. De maconha 
cocana; das plulas ao crack. Ningum era capaz de nos impedir. Os


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             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

ferozes eram o terror do bairro. Roubvamos, seqestrvamos,
brigvamos no mnimo duas vezes por semana com gangues rivais.
Aquilo era uma maravilha aos nossos olhos. Mas... isso nos custou
muito caro durante toda a nossa mpia vida.
     Carlos notou que Jos tentava prender as lgrimas que se
acumulavam em seus olhos. O jovem parecia vivenciar naquele
momento todos os tristes acontecimentos do passado. Ele prosseguiu:
     -- Aconteceram-nos muitas coisas ruins que cegamente achvamos
que nos era honroso, pois dizamos que aquilo eram provas que
teramos que agentar para sermos os melhores, para sermos
respeitados por no temermos nada nem ningum. No temos vergonha
de dizer isso, Carlos. Andrey foi internado vrias vezes por oversose;
Fbio quase perdeu a perna de um tiro que levou; Vitria... -- ele
hesitou por alguns instantes, mas continuou desabafando: -- ela foi
estuprada por membros de uma gangue rival e eu... bem, voc pode ver
no meu rosto uma das marcas que me deixaram. Tudo isso aconteceu
conosco no passado. Gente morreu por nossa causa, pessoas ficaram
deformadas e outras ficaram invlidas. Tudo porque queramos ser
"grandes". Algum poderia dizer: "Meu Deus! Vocs eram uns
monstros!" E eu diria que irrefutavelmente ramos. Todavia, naquele
tempo isso era a nossa vida, nossa rotina e alimento. Mas ento...
     -- Ento apareceu o pastor -- adiantou-se Carlos, seriamente. -- Ele
os salvou, no ?
     Jos fez uma meno negativa com a cabea fazendo que Carlos
visse que no era nada daquilo que pensava e corrigiu:
     -- Ele fez mais do que isso. Alan apareceu no meio de uma
verdadeira guerra. Os Ferozes estavam frente-a-frente com o seu maior
rival, os Tigres da Noite. Uma carnificina estava para acontecer. Fbio,
que era o nosso lder, j estava com o canivete erguido, e isso significava
que quando ele baixasse o brao partiramos para cima dos inimigos.
Foi ento que ouvimos uma voz que gritou: "Ferozes e Tigres, no
cometam essa loucura!" Era Alan. Ele veio e ficou entre ns e a outra
gangue. Falou para no continuarmos com aquilo e alertou-nos que
aquilo no nos traria felicidade nenhuma no futuro. Aquilo seria uma
desgraa para as nossas vidas, pois talvez, se fossemos adiante, elas
acabariam ali mesmo.
     "Fbio alertou-o para sair daquele lugar, pois aquilo no era de sua
conta. O lder da gangue rival gritou para Alan que iria mat-lo.
Compreendi que Alan era louco, pois no arredou o p de onde estava.
Ele decretou que no iria embora antes de falar tudo o que queria; tudo


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

o que tinha para nos dizer. Falei que era louco e que iria morrer de toda
forma. Foi nessa hora que ele me quebrou no meio com um s olhar e
me falou que, se morresse, morreria com honra no deixando que nos
destrussemos uns aos outros. Falou que honra no era ser o mais forte,
no era conquistar o seu espao destruindo as coisas ou denegrindo as
pessoas, no era morrer por coisas banais como por um territrio que
no era nosso e sim de uma populao inteira. Falou que honra no era
viver sendo preso, mal visto ou odiado por outras pessoas. Honra no
era ser espancar e ser espancado, maltratar e ser maltratado, estuprar e
ser estuprado. Onde estava a honra nisso.
     Jos mordeu o lbio olhando para Carlos e notou que ele fitava-o
com olhar de quem pedia para que no parasse. Jos no estava nem um
pouco com vontade de parar.
     -- Alan falou uma coisa que me irritou ainda mais: "Ter honra
significa ser respeitado, mas acima de tudo respeitar." Naquele
momento eu puxei meu canivete e cortei-o no peito, dizendo que sasse
imediatamente da nossa frente. Mesmo sangrando ele no se moveu um
tanto sequer, e ainda falou que ningum precisaria mais morrer, pois
algum j havia morrido por todos ns da forma mais vergonhosa do
mundo e isso j bastava para que tivssemos honra e andssemos de
cabea erguida, sem termos que morrer ou matar por isso.
     Por um instante Jos se calou e fechou os olhos, emocionado.
     -- Eu posso me lembrar como Alan estivesse falando a um minuto
atrs as palavras que mudaram a minha vida e a de todos ns: " Sei que
nenhum de vocs tm paz. Alguns at mesmo no conseguem dormir 
noite. No sabem o que acontecem e o que fazem para que isso venha a
cessar  roubar, mentir, destruir... Porm eu tenho a soluo para todos
esses e os demais problemas de todos vocs, sem distino de raa, cor,
pensamento. Vocs podem deixar isso que chamam de vida para trs e
tornarem-se pessoas realmente honradas, que podem dizer sem
vergonha o que so sem nada temer. Quero que saibam de uma coisa: sei
que no fundo vocs querem mudar, mas no encontram apoio para isso.
Tenho o verdadeiro apoio para dar a cada um. Eu prometo que
mudaro. Agora... Quem ser que  realmente corajoso para mudar? Sei
que muitas vezes pedem para morrer quando esto no fundo do poo.
Mas a melhor sada no  morrer e sim tomar um rumo diferente, o
rumo certo. Perguntem agora a si mesmo: Ser que ainda quero matar
ou morrer por uma honra que no existe? Quem de vocs quer
experimentar a verdadeira honra que um homem ou uma mulher pode



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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

ter? Venham comigo e arrisquem encontrar a paz, liberdade e honra sem
ter que arriscar a prpria vida ou a de seus amigos.
     "Eu lhe perguntei por que deveramos acreditar naquilo, pois como
poderamos obter honra e liberdade sem ter que lutar? Alan disse que
no precisvamos acreditar, mas disse-nos para pensar no que ele estaria
fazendo ali, arriscando a vida se no por algo verdadeiro? "Quem me
mandou aqui ama a cada um de vocs e no quer que se machuquem
mais uns aos outros, mas sim que vivam com uma felicidade que est
acima de tudo isso. Como vocs dizem: Paguem pra ver!" disse ele sem
nenhum temor nos olhos, mas com uma simplicidade que me arrebatou
no mesmo momento.
     Jos suspirou. Carlos estava magnetizado pela histria. Aquilo
parecia anedota, mas de algum jeito ele sabia que tudo no passava da
mais pura verdade, pois a foto, a emoo do jovem  sua frente e a
prpria experincia que tivera junto a Alan davam veracidade aos fatos.
     -- Ento voc e todos os outros seguiram o conselho do pastor --
finalizou Carlos.
     -- No, ainda no. Levou mais alguns minutos para que essa
maravilha acontecesse. -- Jos apontou para a cicatriz em seu rosto. --
Uma parte dos Tigres avanou pra nos atacar. Cortaram-me aqui e
furaram outros membros da nossa gangue. Alan nos defendeu, pedindo
que parassem com aquele derramamento de sangue. Mas, ao invs
disso, deram trs golpes de canivete neles e deixaram-no no cho. Ainda
assim ele falou que Jesus nos amava. Foi ento que eu pensei: "Ou esse
cara  completamente pirado ou ele tem realmente algo bom pra mim."
No mesmo instante, em que os Tigres acertaram Alan, presenciamos o
primeiro milagre em nossas vidas: eles correram. E uma coisa era certa:
eles nunca corriam de nada nem de ningum. -- Ele olhou com a alegria
saltando de seus olhou e acrescentou: -- O segundo milagre aconteceu
logo a seguir. Eu e mais alguns membros de ambas as gangues fomos
com ele. Hoje eu sei que Alan no era louco e sei que ele teria morrido
por amor as nossas vidas, tentando nos levar at o verdadeiro sentido da
vida, pois somos muito importantes. E o verdadeiro sentido da vida no
est em bebidas, drogas, prostituio, mortes. O verdadeiro sentido da
vida est em viver em paz consigo mesmo, e mais que isso, ter Deus
dentro do seu corao, pois somente Ele  capaz de dissipar as nossas
dores e trazer a soluo para todos os problemas.
     Carlos se mexeu no sof e tentou falar algo. No acreditara muito
naquelas ltimas palavras. Para ele elas no significavam muito. Seus
problemas pareciam no ter fim. Mas Jos disse depressa:


                                    59
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Eu disse quaisquer problemas, Carlos. No importam de que
tamanho eles sejam. Os meus eram bem grandes, pode ter certeza disso.
Se voc acha que para os seus no tm soluo, preste ateno no que
vou dizer: Alan foi at voc porque Deus  maior do que qualquer
obstculo que possa existir na vida. E se ele se meteu em toda essa
confuso com voc  porque tem algo de especial para lhe entregar
assim como teve para mim.
     Jos se ergueu e mirou os olhos de Carlos.
     -- Pense bem nisso, Carlos. Alan jamais se engana nesse sentido,
pois no  guiado por vos impulsos, mas sim por aquele que est acima
de todos: o nico e verdadeiro Deus.
     Carlos apenas observou Jos deixar a sala e seguir de volta para o
quarto sem olhar para trs.
     Ps-se a pensar no risco que Alan havia enfrentado para tirar
Andrey, Jos, Fbio e Vitria da gangue e das ruas. Coou o queixo e
deixou-se afundar ainda mais no sof. Era-lhe quase impossvel
acreditar que algum pudesse correr riscos para ajudar outros sem ao
menos conhec-los direito. Agora pelo menos sabia porque os jovens
amavam tanto a Alan. Mas quem no amaria algum que arriscasse a
vida para ajud-lo? Pensou ele. Foi ento que, como se um raio casse
sobre sua cabea, Carlos teve um pensamento que o fez engasgar de
estupor: Alan havia feito por ele tudo aquilo que fizera para os quatro
jovens, e at mais do que isso quando interceptou a bala destinada ao
seu peito que certamente o levaria  morte.
     -- Sendo assim... -- disse sbita e inconscientemente consigo
mesmo com voz fraca -- a lgica no seria que eu tambm... o amasse?

                                 &&&

     Por um momento o capito Afonso Sander notara que seu queixo
cara. Axel estava bem  sua frente sentado numa cadeira e acabara de
revelar a farsa sobre a morte de Pablo. O capito mostrara uma
expresso de puro estarrecimento e ceticismo. Jogou o corpo espaoso
sobre a poltrona detrs de sua mesa e permaneceu assim por um longo
tempo.
     Axel olhava-o e notava que agora estava pensativo alisando seu
bigode. Como eu queria saber exatamente o que pensa, lamentou o
agente.




                                    60
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- No consigo acreditar que vocs esconderam isso de todos ns --
exclamou Sander indignado. -- Todo esse tempo lamentando a morte de
algum que nem veio a falecer...
     Axel interrompeu-o cuidadosamente.
     -- Pablo morreu, capito, para todos os efeitos! A quadrilha
planejou cuidadosamente sua morte. Se souberem que ele continua vivo,
mesmo que em coma profundo, faro o que for preciso para acabar com
ele de uma vez por todas. -- ele se levantou da cadeira, mesmo sabendo
que isso poderia desagradar o capito Sander. -- Mas alm de vir
revelar isso para o senhor, vim pedir tambm o seu apoio para... --
houve um momento de hesitao antes que dissesse: -- Para fazermos o
enterro de Pablo.
     Afonso Sander arregalou os olhos sem ter certeza de haver
compreendido corretamente as palavras ditas pelo agente.
     -- No entendi perfeitamente o que disse, agente Brendel, pode
repetir, por favor?
     Axel sabia muito bem que ele havia escutado direito.
     --  isso mesmo que ouviu, capito. J se passou muito tempo
desde a suposta morte de Pablo. Agora o prximo passo ser fazermos
um enterro.
     Foi a vez de Afonso Sander ergueu-se de sua poltrona num pulo,
esbravejando:
     -- Vocs s podem estar ficando loucos! Alm de trazerem a
pblico uma morte que no aconteceu, esto querendo promover um
enterro sem defunto! Francamente, Axel Brendel!
     O agente olhou para trs. O capito estava falando muito alto.
Perguntou-se se daria para escutar a conversa do lado de fora da sala.
Ele praguejou em silncio. Se ouvissem aquilo ele estava frito. Voltou-se
para o capito, que o fitava furioso.
     -- Por favor, capito, no estou pedindo que aceite essa idia, mas
pelo menos nos d o seu apoio e colaborao! Est claro que Pablo e Caio
estavam quase desmantelando essa quadrilha, e foi por isso que foram
to covardemente emboscados. No momento Pablo  a nica pessoa que
pode desemaranhar a rede que essa quadrilha rege aqui em Melmar,
mas ele, na atual circunstncia, no est em condies de fazer coisa
alguma, no  mesmo? Ento, acho que devemos proteg-lo e fazer o
possvel para que se recupere e nos ajude. Quem sabe ele no saiba
muito mais agora do que sabia antes?




                                    61
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Afonso Sander fitou Axel em silncio por mais um minuto, ento
afundou na poltrona outra vez. Suspirou fortemente, mordeu o lbio e
disse, parecendo estar mais calmo:
     -- Quando pretendem realizar esse... enterro?
     -- Estamos querendo realizar amanh.
     -- Amanh? J?
     -- J era pra termos feito antes. J se passou tempo demais. Tenho
at medo que a quadrilha j tenha suspeitado dessa demora. Como falei,
capito, se ele suspeitarem de algo, Pablo no viver por muito tempo.
-- ps as mos sobre a mesa do seu superior e acrescentou em voz baixa:
-- No podemos deixar que isso acontea! Seria o fim de anos de
investigaes e de tudo o que Pablo fez para acabar com essa quadrilha.
     O silncio pairou no ar. Axel olhava para Afonso Sander como se
almejasse uma resposta positiva naquele exato momento. O capito
ficou imvel por algum tempo, a cabea baixa e reflexiva. Moveu-se,
passou a mo sobre o rosto e bufou pelas largar narinas antes de dizer:
     -- Se  meu apoio e colaborao que querem, j os tm. Devo isso ao
Pablo. Mas... quero que me explique isso mais detalhadamente. Eu
nunca me envolvi num enterro que no tivesse um morto antes.
     Axel sorriu.
     -- Obrigado, capito. Queremos que o senhor tome as providncias
do enterro da seguinte forma...




                                    62
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                            Captulo 30



--       O que est acontecendo? Por que ele no liga de uma vez? Ser
        que o maldito entregou a prova aos tiras? Se isso aconteceu...
      Lucas estava impaciente. Andava de um lado para o outro no
grande salo de reunies onde estava a ss com Vip. Carlos no ligara
mais e isso o deixava nervoso.
      -- Acalme-se, Lucas. Se voc conhece Carlos bem deveria saber que,
enquanto houver um pingo de esperana nele de que sua noiva ainda
est viva, no se precipitar a fazer qualquer coisa contra ns. Entregar a
fita ser a ltima coisa que ele far.
      -- Mas depois do que aconteceu no ltimo encontro, no sei mais se
 correto ter tanta certeza disso.
      -- Mas o que est em jogo  o amor, meu caro -- ponderou o chefe.
-- No se preocupe. Ele ir ligar de novo.
      Vamos esperar mais um pouco. Mais um pouco, disse Vip a si mesmo,
sabendo que no fundo vivia atormentado com a idia de seu imprio
estar nas mos de um simples homem cujo trabalhara para ele, ou seja,
estivera em suas mos, porm agora estava fora de seu alcance.
      Subitamente o telefone tocou e Rodolfo trouxe para o aparelho para
as mos de Vip e este sorriu antes mesmo de coloc-lo ao ouvido.
      -- Eu falei que ele ligaria -- gabou-se.




                                     63
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    A voz do outro lado da linha falou-lhe algo que o desagradou e o
deixou silencioso. Ouviu mais algumas palavras e desligou. Diante do
olhar especulativo de Lucas ele disse:
    -- No era Carlos. Era Hector Ges nos dando um alerta. Estamos
com srios problemas na MELMARTEL.

                                 &&&

    Axel estava pensativo enquanto guiava seu carro pelas ruas da
cidade quando o Pager sobre o painel tocou. Trouxe o aparelho ao seu
campo de viso e leu a mensagem:

"PRECISO FALAR COM VOC O MAIS RPIDO POSSVEL. VENHA PARA CASA". TINA.

     Rapidamente um suor frio fluiu dos poros do agente e achou que
comeava a ficar zonzo de repente. Para ele aquela conversa j estava
clara, pois j poderia imaginar o contedo das palavras que Tina
proferiria.
     Ele parou o carro no acostamento, baixou o vidro, fechou os olhos e
tomou um pouco de ar puxando-o para dentro dos pulmes. Repetiu
esse procedimento por trs vezes. Sentiu-se melhor. Colocou a cabea
para dentro do carro e esperou um instante antes que engatasse a
primeira marcha. Foi ento que atravs do pra-brisa enxergou Alberto
Linhares caminhando pela calada do outro lado rua. Notou que o rapaz
aparentava estar tenso e apreensivo. Axel reparou que Linhares no o
tinha visto ainda.
     Alberto passou em frente a uma loja de convenincias e ento por
uma floricultura e ento por um beco e ento... subitamente ele caiu no
cho. Axel estreitou os olhos sem entender o que havia acontecido.
Rapidamente saiu do carro e correu ao encontro do amigo. Ao chegar l
encontrou uma poa de sangue se formando ao redor do corpo de
Alberto Linhares.
     -- Oh, Deus, No! -- exclamou. Olhou de um lado para o outro,
mas no soube identificar ningum ou a direo certa de onde os
silenciosos disparos haviam sado. -- Alberto! Alberto! Agente firme,
amigo... Chamem uma ambulncia! -- Gritou ele para algumas pessoas
que andavam na rua.
     Alberto tossiu sangue e abriu os olhos debilmente. J com
dificuldade para respirar se esforou para pronunciar as palavras que
queria.


                                    64
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- No fale, Alberto. -- pediu Axel. -- O socorro j est chegando...
     -- Eu encontrei, Axel... Encontrei... -- tossiu novamente -- o
telefone que ... voc estava procurando. Para... onde os ass... assassinos
ligaram, eu... eu encon... trei.
     Alberto no respirou mais e Axel no pde deixar de prantear pelo
amigo.

                                 &&&

     O telefone tocou novamente e ele atendeu. Um sorriso estampou-se
em seu rosto em seguida. Ele bradou de alegria quando parabenizou a
pessoa com quem falava pela linha:
     -- timo. Mais um grande ponto para voc, Tito. A cada trabalho
seu eu me surpreendo ainda mais com sua rapidez e agilidade. Depois
nos acertamos... Claro! Pode retornar para c. Sua misso a est
terminada... Sim... depois conversamos sobre isso.
     Vip apertou um boto e desligou o aparelho. Voltou-se para Lucas
para declarar:
     -- Est feito. O rapaz da Melmartel, Alberto Linhares est
"deletado". Tito o apagou de nossas vidas. Isso graas ao alerta de
Hector Ges. Porm, ele falou que um agente policial chegou quase no
mesmo instante em que Alberto foi acertado.
     -- Ser que Alberto no falou ainda alguma coisa para esse policial?
     -- Isso eu no posso saber no momento -- disse Vip passando a
mo pelo queixo. -- Mas em todo caso vamos entrar em contato com
Hector e mand-lo revistar o computador do Alberto. Mande tambm
alguns homens  casa do falecido. Quero uma limpeza geral nas coisas
dele.
     Rodolfo trouxe duas taas com bebida e serviu aos dois. Ambos
brindaram.
     -- Uma pea do tabuleiro caiu. Faltam s mais algumas para
darmos um cheque-mate -- disse Vip.
     O telefone tocou pela terceira vez e foi entregue para Vip. Ainda
com um sorriso nos lbios atendeu. Entretanto, o sorriso foi
desaparecendo pouco a pouco at dar lugar a uma expresso de
angustia e absoluto terror.
     -- No pode ser verdade isso que voc est dizendo -- falou ao
fone. -- Ok. Ficarei esperando sua ligao de volta. Saiba que sua
recompensa j est garantida, como sempre. At logo.




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    Ao desligar o olhar de Vip na direo de Lucas fez com que este se
preocupasse antes mesmo de saber do que se tratava. O chefe da
quadrilha levou as mos  cabea.
    -- No posso acreditar nisso!
    -- O que aconteceu?
    -- Acabaram de me informar que Pablo Tavares continua vivo!

                                 &&&

    Outro policial estava interrogando Axel na cena do crime enquanto
as medidas de praxe eram tomadas pela equipe de profissionais da
homicdios. Ele respondia as perguntas esporadicamente sem se
importar muito se elas batiam ou no com a verdade dos
acontecimentos. Ele se lamentava e perguntava por que havia de
acontecer aquilo logo com Alberto Linhares, um jovem cheio de vida e
com um futuro brilhante pela frente. Suspirou e observou na cintura de
um policial que passava por perto um aparelho celular. Precipitou-se e
arrematou o telefone nas mos. Fez um gesto para o policial para que
esse no se preocupasse, pois restituiria o preo da ligao. Teclou
alguns nmeros e esperou Tina atender.
    -- Al?
    -- Tina, querida... aconteceu uma coisa muito ruim, e... quando eu
chegar em casa conversamos. Estou ligando para dizer que no sei a que
horas vou chegar em casa...
    Desta vez Tina detectou um tom de veracidade na voz do marido e
preocupou-se.
    -- O que aconteceu, Axel? Est me deixando nervosa!
    -- Fique calma... Foi... Foi o Alberto Linhares. Ele... Ele foi
assassinado h poucos instantes e eu vi o exato momento em que
aconteceu, mas infelizmente no vi o autor dos disparos.
    -- Oh, meu Deus, que coisa horrvel! -- lamentou Tina sem saber
mais o que dizer.
    -- Tente no pensar muito nisso, certo? Assim que eu terminar aqui
eu prometo que irei para casa e conversaremos. -- Ele hesitou antes de
dizer: -- Eu... te amo. Tchau.

                                 &&&

    Os gritos das crianas chegaram  cozinha, onde Melina, Fbio e
Vitria estavam sentados  mesa. Melina repreendeu os trs pequeninos
para que brincassem em silncio e voltou-se novamente para o casal.

                                    66
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Quando vocs tiverem os filhos de vocs, iro ver o quando do
trabalho. Mas so herana do Senhor e bnos para ns.
     Todos riram. Fbio tomou mais um gole do suco que Melina servira
para eles e indagou:
     -- Voc falou que conversou com Tina Brendel, a esposa do agente
policial que  responsvel pelo caso em que Alan  suspeito de
assassinar dois policiais. Ela prometeu ajud-la?
     Melina fez meno positiva com a cabea.
     -- Isso  bom, no ? -- alegrou-se Vitria. -- J  o resultado de
suas oraes. O Senhor no falha.
     -- Isso  verdade. Mas apesar disso ainda estou to preocupada...
fico pensando onde ele possa estar... Num beco? Num gueto? Debaixo
da ponte? -- tentou no pensar em morto?
     O casal prendeu a lngua para no revelar o paradeiro de Alan.
Vitria tocou os ombros de Melina e anuiu:
     -- Tenho certeza que ele est seguro e confortvel. Quem sabe est
agora numa cama descansando em meio a toda essa turbulncia? Voc
conhece o seu marido. Dificilmente algo o abate.
     -- Nisso voc est mais que correta. Bem... o que me resta  confiar
no nosso Deus Todo-Poderoso de que ele esteja realmente em segurana.
     Fbio sorriu ao dizer:
     -- Confie nisso. Ele est bem.
     Ela tambm sorriu parecendo estar mais confiante.
     -- Querem almoar aqui? Fiz um prato delicioso...
     -- Oh! No podemos... como dissemos, temos visitas em casa.
     --  mesmo! Eu conheo os visitantes?
     O casal cruzou um olhar.
     -- Ahn... Acho que no... -- falou Fbio. -- So alguns irmos
convidados da igreja de Andrey, ele ficou fazendo sala pra eles
enquanto fomos comprar algumas coisas para o almoo.
     -- Entendo.
     Vitria abraou Melina carinhosamente.
     -- Temos que ir agora, minha irm em Cristo.
     -- Isso mesmo. Vamos perplexos com o que voc contou sobre
Alan, mas tambm vamos mais tranqilos j que voc esclareceu os fatos
com a mulher do policial. Sabemos que tudo se resolver.
     -- Amm -- proferiu Melina. -- Mas... sabem... Eu daria qualquer
coisa para estar do lado de Alan nesse momento.
     Mais uma vez o corao do casal ficou apertado de remorso.



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             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

                                    &&&

     Nilton e Tatiana Cross estavam sentados  mesa estudando a
Palavra de Deus. O pastor estava escrevendo algumas partes de Salmos
121. De repente cessou de escrever e olhou para sua esposa. Ela estava
estudando Deteuronmio, captulo 14, versculo 2; e havia escrito:

        Porque s povo santo ao Senhor teu Deus, e o Senhor te escolheu para lhe
  seres o seu prprio povo, acima de todos os povos que h sobre a face da terra.

     Ele repousou a caneta de lado e indagou:
     -- O que voc acha de tudo isso que est acontecendo com Alan?
     Sem levantar os olhos das suas anotaes ela respondeu com
firmeza:
     -- Isso tudo  uma prova de Deus para com ele, mais uma vez --
ela ergueu os olhos para o marido. -- D pra se ver que esta  uma
prova muito dura, querido. E vou dizer uma coisa desoladora: tudo o
que Melina vem sentido com relao a ele no  simples emoo; tudo 
real. Eu mesmo senti isso de Deus. Tenho orado por ele a todo momento.
Entretanto, devo admitir que nada est muito bem para a nossa ovelha,
Nilton.
     -- Oh, meu pai -- clamou o pastor Cross, -- O que o Senhor est
preparando para o Alan?
     Tatiana pegou as mos de Nilton nas suas.
     -- Tenho certeza de que  algo maravilhoso o que o Senhor tem a
dar para ele. Disso podemos ter certeza.

                                    &&&

     Jos e Snia estavam ainda  espera de Fbio e Vitria e tambm
Andrey que sara repentinamente, e da cozinha onde estavam podiam
ver Carlos sentado no sof com o olhar distante.
     -- Ele parece estranho -- comentou Snia.
     -- No abismo em que ele se encontra eu me surpreenderia se no
estivesse assim.
     Sem que percebessem, Carlos olhou pelo corredor e notou que no
havia ningum ao lado de Alan. Ergueu-se e direcionou-se ao aposento.
Ao chegar l viu Alan nas mesmas condies: plido e inerte. Ele fechou
os olhos e passou a mo pelo rosto.
     Ser que estou me preocupando? Pegou-se a pensar. Preocupando com o
"pastor?" ...a quem no conheo... a quem salvou a minha vida! DROGA!


                                       68
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Carlos abriu os olhos e a surpresa que teve foi uma das maiores da
sua vida. Alan estava com os olhos arregalados em sua direo. No se
controlou e imediatamente indagou se aproximando ainda mais:
     -- Pastor... Como voc est?
     Alan esboou um leve sorriso por contempla-lo ali. Em seu interior
glorificou ao Senhor pelo milagre de fazer com que aquele homem de
corao duro permanecesse junto aos filhos de Deus.
     -- Voc quer que eu chame os seus amigos? Acho que eles podem
fazer mais por voc do que eu...
     -- No! -- falou Alan com a voz fraca. -- Quero falar a ss com
voc. Sente-se, por favor.
     Carlos sentou na cadeira ao lado da cama onde Fbio havia
permanecido enquanto doava o seu sangue para Alan.
     -- Eu sei... Carlos... que voc tem muitas perguntas sem respostas
dentro de si: por que exatamente fui ao seu encontro? Como posso saber
quase tudo sobre voc? Como sei o contedo da fita?
     O homem ao lado da cama balanou positivamente a cabea.
     -- Sim. Alis, vocs todos sabem muito sobre mim. Por qu?
     Alan respondeu vagarosamente:
     --  bom que entenda que eu no sabia tudo desde o princpio... Eu
sabia como encontr-lo e qual o seu nome, mas no sabia que estava
metido naquilo tudo... Fiquei um pouco surpreendido quando descobri
que voc era... Bem, acima de tudo te encontrei. E sabe por qu? Porque
Deus quis assim. Ele te ama e no quer que viva desta forma to sem
sentido. Afinal, qual  o sentido da vida? Muitas pessoas no sabem
responder essa pergunta. Ser que voc  uma delas?
     Diante do silncio de Carlos ele continuou:
     -- Deus tem algo pra lhe entregar, mas voc continua a rejeit-lo.
Sabe o que voc est rejeitando? O sentido da vida.
     -- No fale besteira, pastor! O sentido da minha vida nesse
momento est sendo refm do Vip, se  que ela continua viva!
     -- E o que voc est fazendo aqui? Est se sentido obrigado por eu
ter recebido aquela bala em seu lugar? No precisa se sentir assim. H
algum que fez algo muito maior por voc, e foi Ele quem me enviou
para que eu pudesse testemunhar dEle para voc. Tomei aquela bala
para que hoje voc pudesse estar nesse lugar e recebesse um recado.
     Carlos estreitou os olhos.
     -- Recado? Que recado  esse?
     -- Preste ateno: No h nada que voc possa fazer... para tentar
sair desse inferno em que est sem que venha reconhecer que voc no 


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

nada sem Deus e que sem Ele no conseguir escapar das garras do
inimigo. Deus te ama, Carlos, e... Ele quer te ajudar a sair da cova que
voc cavou para si mesmo. Ele est com as mos estendidas para voc,
mas no pode fazer nada enquanto voc no fizer nada. Ele ir mover a
mo dEle quando voc mover a sua e pedir-lhe que tome conta da sua
vida, reconhecendo que sem Ele voc no  nada, e com Ele voc  mais
que vencedor.
      Carlos passou os dedos pela barba por fazer e declarou:
      -- No vou lhe mentir, mas no acredito muito nessas suas
palavras.
      Com o mesmo olhar de tranqilidade e confiana Alan acrescentou:
      -- No h nada de errado em se dizer a verdade, mas  um erro
muito grande no acreditar no poder de Deus, Carlos. Olhou bem para
os jovem que esto nesta casa? Precisava v-los antes de conhecer
verdadeiramente a Deus... O olhar deles era mesmo que estar olhando
os seus olhos agora. Basicamente estavam na mesma situao... No
tinham mais vida... para viver! Mas apresentei a eles o autor da vida
assim como estou lhe apresentando agora, e veja no que eles se
tornaram! Andrey retomou os estudos e tornou-se num mdico, Jos 
gerente de banco e... Fbio e Vitria  o casal mais feliz que conheo.
Enfim, so pessoas livres e felizes como muitos no podem ser. Agora...
me responda com sinceridade: voc no quer que estas duas qualidades
bsicas, mas essenciais entrem em sua vida?
      Carlos percebeu que estava com um n do tamanho do mundo no
meio da garganta e com lgrimas que queriam fluir de seus olhos.
Nunca sentira uma tal felicidade a qual Alan estava a prometer-lhe e
aquilo era uma coisa que realmente faltava em sua vida: uma verdadeira
felicidade e sentido para levar uma vida verdadeiramente livre.
      Subitamente ele ouviu um barulho atrs de si e voltou-se para ver
quem era. Estavam ali na porta Andrey, que estava de volta, Jos e Snia
e Fbio e Vitria ainda com as sacolas de compras nas mos. Todos
fitavam seus olhos mareados. Sentiu-se novamente encurralado e saber
se haveria explicaes a dar sobre sua emoo.




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                           Captulo 31



--       Gravando! -- afirmou Edgar Serra por detrs da cmera.
            Caroline segurou firme o microfone, pigarreou e iniciou sua
reportagem do local onde Alberto Linhares fora assassinado. Ainda
havia policiais no local, fazendo percia e tentando encontrar alguma
pista ou alguma ligao entre outros crimes para identificar o autor dos
disparos. Caroline falava:
     -- E este  mais um crime que, sem sombra de dvida, nos deixa
preocupados com a segurana em nossa cidade e nos faz indagar: como
isso ser solucionado? Os policiais esto trabalhando aqui desde que o
corpo foi encontrado pelo agente Axel Brendel e at agora nada foi
encontrado. A expectativa  a de que seja encontrada alguma pista que
leve a quem praticou esse crime, que, segundo o agente Brendel, pode
estar ligado aos assassinatos de Pablo Tavares e Caio Vieira.
     Ela fez uma ligeira pausa e concluiu:
     -- E j est confirmado o enterro do ex-agente de polcia, Pablo
Tavares, para amanh no cemitrio PAZ E DESCANSO. A cerimnia ser
destacada pela presena de todo batalho da polcia de Melmar. --
enquanto falava os retratos falados de Alan e Carlos apareciam na tela e
logo abaixo um nmero de telefone. -- A polcia pede a contribuio de
todos os habitantes de Melmar. Se voc vir ou tiver informaes sobre
qualquer um desses homens ligue para o nmero abaixo...



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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

                                 &&&

     Os olhos de Bete se arregalaram ao se deparar com um legtimo
desenho do rosto de Alan na TV. Subitamente ficou perplexa. Como
aquele bondoso homem poderia estar sendo procurado por assassinar dois
policiais? Quando se encontraram, ele parecia to dcil e gentil que seria
difcil acreditar no que a reprter estava falando.
     Uma mo tocou-lhe levemente o ombro. Era Tatiana.
     -- No acredite no que esto falando de Alan, Bete, pois nada disso
 verdade. -- tranqilizou-a. -- Lembra-se do homem que estava com
ele quando se encontraram?
     -- Sim, lembro.
     --  por causa dele que Alan se envolveu em tudo isso. Mas ele no
matou ningum. Voc ver que tudo ir se esclarecer e o Senhor ir
exaltar o seu servo.
     Bete pensou por um momento, fitou Tatiana e pediu contrita:
     -- Pastora... J me ensinaram aqui que a orao remove montanhas
se a gente tiver f, mas eu no sei orar e nem tenho uma f que possa
fazer uma montanha sair de um lugar para outro. A senhora pode me
ajudar? Pois... eu quero orar pelo Alan e ajud-lo onde quer que ele
esteja nesse momento.
     Tatiana Cross sorriu com a felicidade visvel em seus olhos. Deu a
volta e ficou de frente para Bete. Tomou as mos dela nas suas e ambas
comearam a orar em favor de Alan Xavier e Carlos Lacerda.

                                 &&&

     Aps concluir a matria, Caroline avistou Axel acabando de passar
instrues para um policial. Ela se aproximou e abraou o amigo.
     -- Sinto muito por Alberto. Sei que eram muito amigos.
     O homem, com um sentimento de perda no corao, confirmou
dizendo:
     -- Sim, ramos. Alberto significava muito para mim. Era como um
elo que me ligava a uma vida cheia de esperana, uma vida parece muito
distante.
     -- No diga uma coisa dessas! -- protestou Caroline.
     -- Voc no conheceu como eu era antes... Eu... -- Axel abanou a
cabea e mudou radicalmente de assunto: -- O enterro est mesmo
marcado para amanh s nove horas, certo?
     -- Certo.


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Ok. Tudo dar certo no se preocupe. Ningum suspeitar de
nada.
     Caroline tentou sorrir e transmitir tranqilidade.
     -- Axel, obrigada por ajudar Pablo e... a mim tambm.
     -- No h de qu.
     -- E Tina, como est?
     Subitamente Axel estremeceu.
     -- Oh... Ela est bem.
     -- E voc como est?
     -- S ficarei bem quando essa histria toda terminar de uma vez.
Isso tudo parece at um terrvel pesadelo.
     -- Voc tem razo -- disse a reprter. Ela estendeu a mo e se
despediu: -- Tenho que ir, agora.
     Ela se distanciou e Axel caminhou at a viatura. Ao entrar no carro
procurou Caroline com o olhar e encontrou-a dando um telefonema pelo
seu celular.

                                 &&&

     O telefone soou pela quinta vez quando Tina finalmente atendeu. A
voz de Melina se fez ouvir, singela:
     -- Ol, Tina. Como vai?
     -- Melina, que prazer!
     A voz da Sra. Xavier demonstrava traos de timidez.
     -- Eu... liguei para saber se voc j conseguiu falar com seu
marido... Devo admitir que estou bastante impaciente. Por favor,
perdoe-me, eu...
     -- O que isso, minha irm -- Tina tranqilizou-a. -- Eu lhe entendo
perfeitamente. Se eu estivesse em seu lugar tambm estaria aflita. Fique
calma, pois j disse a Axel pelo telefone que tenho uma coisa muito
importante para falar-lhe, e ele disse que assim que voltasse para casa
iramos conversar, ento falarei com ele.
     -- Oh! Tina, eu no sei como agradec-la...
     -- No se preocupe. Ligue-me daqui algumas horas e voc falar
diretamente com ele, certo?
     -- Est certo.

                                 &&&




                                    73
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     O quarto parecia estar um pouco escuro demais, mas Axel no
comentou nada. Afinal, tudo era para a segurana de Pablo. O Dr. Stone
e a enfermeira Elis tambm estavam presentes no recinto. Axel
aproximou-se de Pablo e fitou-o por um momento, sabendo que ele
ainda corria grande risco de vida. Voltou-se para os dois profissionais da
sade e recomendou:
     -- Vocs j sabem que iremos fingir um enterro amanh. O enterro
de Pablo Tavares. Ser um passo importante para mantermos a
integridade fsica do seu paciente, doutor, e quero tambm a sua
colaborao.
     -- O que tiver que ser feito faremos, agente Brendel -- firmou o Dr.
Stone.
     -- Fao das palavras do doutor as minhas -- disse a enfermeira.
     -- timo -- Axel agradeceu. -- Peo, por favor, que, no deixem
em hiptese alguma Pablo s e, se acharem alguma coisa suspeita, no
hesitem em chamar algum da segurana. J chequei todos e so de
confiana.
     De repente pde-se ouvir o bip do pager do Dr. Stone. Ele o tomou
nas mos e olhou a mensagem e de modo repentino pareceu nervoso.
     -- Desculpe-me, mas tenho que dar um telefonema urgente, se no
se importa. Entretanto, tem a minha palavra de que farei o que estiver ao
meu alcance em prol da recuperao do Sr. Tavares.
     -- Obrigado, doutor.
     O Dr. Stone deixou o quarto apressadamente e dirigiu-se para os
andares inferiores.
     Axel fitou Elis e disse:
     -- Gostaria, com todo o respeito, que voc ficasse aqui amanh.
Voc parece ser uma profissional bem eficiente. Certamente voc ser
bem recompensada pelos seus esforos.
     -- No se preocupe com isso. Estarei aqui para cuidar do seu amigo
enquanto estiverem no enterro.
     -- Est tudo acertado, ento. Tenho que ir, agora -- disse ele saindo
do recinto. Desceu um lance de escadaria e passou pelo porto que dava
acesso ao andar em que Pablo estava. No final, pegou o elevador e
desceu at o primeiro piso. Naquele instante seu pager tocou. A
mensagem era do capito Sander. Queria que lhe ligasse. Axel se dirigiu
ao balco de recepo, pediu para dar um telefonema urgente. Um
aparelho lhe foi cedido e ele discou rapidamente o nmero da central.
     Ao atender, a secretria passou para o ramal do capito.



                                    74
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Axel, quero um relatrio sobre o crime ocorrido com Alberto
Linhares. As especulaes esto demais por aqui e esse relatrio pode
ajudar.
     -- No se preocupe, capito logo estar sobre a sua mesa.
     -- timo, mas mesmo Assim quero que venha at a central e me
passe algumas informaes sobre o caso.  possvel?
     Aquilo soou mais com um "Isso  uma ordem". Axel olhou para o
relgio em seu pulso e informou:
     -- Dentro de vinte minutos estarei a. -- ento desligou.
     Ao deixar o balco de recepo, Axel pde observar que Elis estava
ao telefone pblico em uma parte reservada do hospital. A vontade que
teve foi a de perguntar se o Dr. Stone j havia retornado ao quarto de
Pablo, mas achou melhor ignorar, por enquanto. Ela no seria to
irresponsvel.

                                 &&&

     O almoo estivera uma delcia. Todos degustaram o saboroso prato
preparado por Vitria e no houvera comentrios a respeito do que Alan
havia falado a Carlos. Carlos observara-os a maior parte do tempo em
que estiveram  mesa e se perguntou porque todos fecharam os olhos e
ficaram por um instante em silncio antes de comer. No entendia
porque no sabia o que era uma orao de agradecimento pelo alimento.
     Agora, fartos e nutridos, Carlos, Jos e Fbio estavam na sala
enquanto Andrey estava cuidado de Alan no quarto e Vitria e Snia se
encontravam limpando as louas do almoo.
     Carlos hesitou antes de falar objetivo:
     -- Obrigado pela comida.
     -- No tem que agradecer. Seria esse o desejo de Alan -- disse
Fbio.
     Houve um instante de silncio.
     -- Pelo menos ele parece estar se recuperando -- comentou Carlos
quebrando o gelo do silncio mais uma vez.
     -- Ele se esforou bastante para falar aquilo para voc, Carlos --
Falou Jos olhando em sua direo.
     -- Ele quer que eu me torne um de vocs, no ?
     -- O qu? -- Fbio no entendeu.
     --  isso mesmo. Quer que eu me torne uma pessoa que s pense
em... orar, que espere por outra pessoa para resolver meus problemas...



                                    75
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- E  isso mesmo que ele e todos ns queremos. Mas essa deciso 
s sua.
     -- Ningum pode me ajudar -- falou Carlos com olhar inexpressivo
--, nem mesmo algum Deus que possam me apresentar. Enquanto
tentam me convencer minha noiva pode estar sendo executada!
     --  verdade que Vitria lhe deu a Bblia para que lesse?
     -- Sim.
     -- E o que leu?
     Pensou por um breve momento.
     -- Algumas coisas que no lembro muito bem agora, mas... havia
uma... ou melhor, de um... Salmo. Dizia que Deus sondava os
pensamentos.
     Jos explicou o que quer dizer:
     -- Isso que dizer que Deus o conhece e sabe o que se passa em sua
vida, Carlos. Ele est a olhar voc onde quer que v e o que quer que o
acontea. E se voc est com problemas basta que lhe d uma chance
para que Ele aja em sua vida e certamente o perigo passar como uma
tempestade que se transforma em brisa suave. Jesus falou que estaria
conosco todos os dias da nossa vida. E Ele est contigo; ao teu lado.
Basta autoriz-lo a intervir em toda essa confuso.

                                 &&&

     Em meia hora Axel chegou  sala do capito Sander. Estava falando
sobre Alberto :
     -- Ele disse que havia encontrado algo e foi por causa disso que o
mataram! Precisamos ir at  Melmartel e procurar em seus arquivos,
tambm no apartamento dele e verificar em seu computados e em todos
os cmodos do lugar.
     -- Darei ordem para fazerem isso, Axel. Acho que Levi pode cuidar
dessa busca. Mas... -- baixou a voz e perguntou cauteloso: -- Est
confirmado o horrio do enterro para s nove da manh?
     -- Sim. Espero que tudo d certo.
     -- Vai dar, agente. Tem que dar. -- Sander pegou o fone e discou
um nmero e logo a seguir dispensou Axel.

                                 &&&




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Carlos ouviu o telefone chamar trs vezes antes que atendessem.
Como sempre, Rodolfo foi quem atendeu. Minutos depois Vip estava na
linha.
     -- Carlos?...
     Carlos o interrompeu automaticamente e esbravejou:
     -- Escute, Vip, no quero ouvir mais um pio seu. Coloca ela na
linha agora mesmo, ou a fita vai estar em um minuto em todas
emissoras de TV e nas mesas de cada tira da cidade.
     Houve um prolongado silncio desassossegado e ento Carlos pode
ouvir Vip resmungando para algum prximo. No se ouviu mais nada
pelo aparelho por um momento e para Carlos pareceu uma eternidade.
At que algum pegou o fone.
     -- Al...
     Era a voz de Nicole, doce, mas ao mesmo tempo um amargo de
agonia, meio abafada.
     -- Nicole,  Carlos! Como voc est? Algum te machucou?
     -- Eu... eu estou... bem. E... voc?
     -- O que acontece comigo no importa e sim com voc! Tudo isso 
culpa minha, eu... me perdoe... -- havia tanta coisa para se dizer em to
pouco tempo e agora to pouca segurana. -- Nossa como voc me faz
falta.
     -- Voc tambm me faz fal...
     Houve um barulho do outro lado da linha e Carlos sentiu um frio
invadir seu corpo. Vip estava de volta  linha.
     -- E ento Carlos, como ficamos agora?
     -- No faa nada a ela, Vip, pois quem tem as rdeas do jogo agora
sou eu; agora quem d as cartas sou eu. Telefonarei outra vez em breve e
at l nada de gracinhas. Esta  sua ltima chance.
     Ao colocar o fone de volta ao gancho Carlos imediatamente se
lembrou do que ouvira de Jos:
     ...Basta autoriz-lo a intervir em toda essa confuso.

                                 &&&

    Axel entrou em casa e a primeira coisa que sentiu foi o abrao de
Tina que se jogou sobre ele.
    -- Oh, querido, sinto tanto por Alberto -- disse ela.
    O abrao permaneceu apertado por mais alguns segundos e ento o
agente relatou:



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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- O crime foi bem na minha frente e eu no pude fazer nada.
Quando o socorri s deu tempo dele me dizer que havia encontrado
algo. Acho que isso o tenha matado. Seja l o que tenha encontrado
solucionaria uma parte ou integralmente este caso. O que posso garantir
 que ele foi morto pelos mesmos mandantes do crime cometido contra
Pablo e Caio.
     Tina o abraou novamente e ento falou:
     -- Tenho que lhe contar sobre o que aconteceu hoje comigo.  por
isso que falei que queria falar com voc.
     Axel estremeceu e afastou-se um pouco a ponto de fitar-lhe os
olhos.
     -- O que aconteceu?
     -- Me encontrei com uma mulher hoje...
     Meu Deus! Sandra Evans subitamente apareceu no pensamento de
Axel. Tina continuou:
     -- E voc no vai acreditar, mas ela  a esposa de um dos foragidos.
     A expresso do agente policial mudou radicalmente. Do temor
passou  incredulidade.
     -- No entendi, Tina. Conte-me esta histria direito.
     Tina Brendel contou sobre seu encontro com Melina e falou o que
ela lhe contara. Depois de ouvir tudo Axel estava perplexo.
     -- Voc est brincando comigo, no est?
     -- Acha que eu brincaria com algo to srio?
     Axel meneou a cabea.
     -- Ela lhe deu um endereo onde eu pudesse encontr-la ou um
telefone para contat-la?
     -- No, mas ela garantiu que ligaria para voc e isso deve ser a
qualquer momento.
     -- Ento esperaremos.

                                 &&&

    O telefone tocou uma hora depois. J dormindo no sof, Axel e Tina
foram acordados pela sirene do aparelho. Tina atendeu rapidamente.
    -- Al... Melina? Sim est aqui... Vou passar para ele.
     O fone foi estendido e Axel o tomou nas mos.
    -- Al, Melina... Sim, sou o agente responsvel pelo caso... Sim
queria muito falar com a senhora... Sim... Sim, mas eu preciso
investigar isso, senhora... Acalme-se, por favor. Olhe, dou-lhe minha
palavra que amanh estarei em sua casa assim que puder... Sim irei lhe


                                    78
           Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

ouvir e isso contribuir para o bem do seu marido... D-me seu
endereo, por favor... Certo, estarei a amanh aps o enterro de um
amigo.
    A ligao foi finalizada. Axel olhou para Tina.
    -- E ento, o que ela disse?
    -- Disse que o marido  inocente e que tudo isso  uma armao.
Que ele est... est pregando a Palavra para o outro suspeito.
    -- Isso  uma coisa que voc j fez muitas vezes, no foi? --
indagou Tina aproveitando o ensejo.
    Axel apenas confirmou com a cabea.




                                   79
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                           Captulo 32



A   imprensa, um grande nmero de membros da fora policial e a
   famlia de Pablo -- Caroline -- estavam presentes no cemitrio "PAZ
E DESCANO".
     Axel estava ao lado da reprter e do Capito Afonso Sander. A TV
transmitia a cerimnia fnebre ao vivo para as telinhas de toda cidade.
     O agente olhou ao redor. Algum homem da quadrilha do Vip
estaria ali espionando? Pensou.

                                 &&&

     Vip encontrava-se em frente  televiso. Assistia naquele instante o
caixo lustroso chegando ao local. Sua feio era sria e pensativa.Lucas
e Tito estavam prximos a ele de olhos fitos na tela.
     -- A vem a urna. Sem dvida ser um teatro e tanto -- falou Lucas.
     Vip permaneceu silencioso.

                                 &&&

     Enquanto podia ver seis homens fardados da fora policial
carregando o caixo atravs da tela da TV, Melina enxugava os olhos
cheios de lgrimas. Clamava ao Senhor e repetia:
     -- Oh, Deus... Alan no matou aquele policial! Ele no o matou!



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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

                                 &&&

    Carlos, sentado no sof tambm se ligava ao "programa" do dia
transmitido pela TV. Todos os demais estavam tambm se encontravam
no recinto a observar o enterro.
    Todos estavam dispersos at que Andrey ligara o aparelho e
chamara a todos, eufrico:
    -- Ei, pessoal, esto transmitindo o enterro do policial que dizem
que Alan e Carlos haviam matado!
    Agora estavam taciturnos, no sabendo se prestavam mais ateno
na notcia ao vivo ou nas expresses na face de Carlos.
    Vip, seu miservel, quem deveria estar dentro desse caixo era voc,
esbravejou Carlos intimamente.

                                 &&&

    Axel olhou para seu relgio de pulso. Ele marcava nove horas em
ponto. Tudo estava saindo conforme o planejado. Pensou que, com isso,
Pablo estava mais protegido.
    Todo o cenrio estava armado. Caroline estava com seus culos
escuros e numa mo segurava um leno e na outra uma foto de Pablo
em que estava trajado com seu uniforme policial.
    O capito falou baixinho prximo ao ouvido de Axel:
    -- Espero que tudo esteja a contento, Sr. agente. Foi difcil, ou
melhor, quase impossvel arranjar um corpo indigente e coloc-lo
naquele caixo. Vai ficar me devendo uma.
    Axel apenas acenou com a cabea para no atrair olhares
especulativos. A urna se aproximava enquanto os flashes espocavam por
todos os lados. Ele sentiu que comeava a suar.

                                 &&&

     Ele tinha o plano passado e repassado na mente. Sabia exatamente o
que fazer e como fazer. Completar o trabalho que Lucas no tinha feito:
eliminar Pablo Tavares de uma vez por todas. Nada poderia dar errado
-- e no iria dar, garantira a si mesmo.
     Enquanto se esgueirava por um dos corredores do NR, ele calou as
luvas e checou o pente de balas da sua pistola automtica. O caminho
estava livre.

                                 &&&

                                    81
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa



     Axel olhou para o relgio novamente. 9h e 15mim. Estava inquieto.
Olhou para as cmeras presentes e para os reprteres. Todos estavam
assistindo ao enterro naquele momento. Aquele seria um belo dia para o
ibope dos telejornais.
     Seus olhos encontraram os de Caroline e os de Afonso Sander.
Estreitou o olhar e meneou levemente a cabea tentando afastar o
pensamento que inesperadamente surgiu na mente.
     O que estou pensando? Isso no seria possvel. Ou seria?
     Esfregou os olhos e espreitou ao redor outra vez. Respirou fundo. E
se essa intuio for um... aviso?
     -- Tenho que sair, infelizmente. Continuem sem mim. Depois
conversamos -- ele falou para que os dois pudessem ouvir.

                                 &&&

     -- Agora no tem jeito, Pablo Tavares -- disse Vip com voz
estridente em tom de comemorao. -- Hoje sua sorte acaba
definitivamente e voc ir morrer... de verdade.
     O riso foi imediato e sua alegria foi compartilhada com Lucas e Tito.
Depois disso concluiu:
     -- Da, ento, restar apenas Carlos. Esse tambm logo estar  sete
palmos abaixo da terra.

                                 &&&

    Axel estava acelerando ao mximo, fazendo com que seu carro
corresse quase que descontroladamente pelas ruas. A sirene estava
gemendo e o trnsito no estava to movimentado. Talvez todos
realmente estivessem ligados na transmisso do enterro. Ele torcia para
que aquela mentira desse certo. Entretanto, se aquilo que estava
martelando em sua mente tinha fundamento, tudo aquilo afundaria
como um navio em alto-mar.
    Ele torceu para que seu pressentimento estivesse enganado-o.

                                 &&&

     O caixo estava descendo ao fundo do solo enquanto alguns
soldados atiravam para cima em cerimnia de respeito aos servios
prestados por Pablo. Caroline deixou rolar uma lgrima. Os jornalistas
deliraram com os closes das cmeras.

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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa



                                 &&&

     Um vulto passou despercebido pelos corredores do hospital.
Parecia que tudo estava conspirando a seu favor. Naquele momento o
NR estava silencioso -- nada parecido com os outros dias. Um nimo a
mais lhe invadiu ao pensar nisso. Levou a mo ao bolso e alcanou um
objeto cilndrico de ao. Era um silenciador. Seu intento era o de que
tudo seria feito o mais rpido e silencioso possvel. Chegou  ala
desativada do hospital. Era ali que faria o que mais gostava: matar.

                                 &&&

     Axel rompeu pelas portas do hospital correndo. Seus olhos
imediatamente avistaram dois policiais que garantiam a segurana do
estabelecimento e fez um sinal para que o seguissem. Os trs foram em
direo  escada a toda velocidade.

                                 &&&

    As ltimas flores foram lanadas sobre o caixo. A derradeira foi
Caroline quem jogou, mas antes disso beijou-a, fazendo questo que
todos vissem a suposta ltima homenagem a quem amava.
    Em seguida comearam a cobrir a urna com uma terra que parecia
mais cinzenta do era normalmente.

                                 &&&

     Os olhos do assassino avistaram a porta do quarto onde, segundo a
informao que lhe deram, encontrava-se Pablo Tavares. Parecia mais
fcil do que imaginava. Todos estavam muito ocupados acompanhando
o enterro na televiso e isso deixaria tudo mais simples para ele.
     Caminhou a passos cuidadosos em direo ao aposento, mas ento
avistou a enfermeira saindo do quarto. Prendeu a respirao e correu.
No deu tempo para que ela gritasse ou fizesse qualquer movimento
que pudesse ameaar seu objetivo. Em segundos a mulher estava
inconsciente no cho. Agora o caminho estava totalmente livre.

                                 &&&




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Axel no sentiu nenhuma dificuldade para alcanar o ltimo degrau
da escadaria que levava  ala onde Pablo estava, ao contrrio dos dois
policiais que o acompanhavam, estavam exaustos e ficaram um pouco
para trs.
     Ele puxou a arma e colocou-a de prontido. Precipitou a cabea
atravs do corredor e avistou a enfermeira cada. O homem estava com a
arma na mo e passava por sobre ela.
     Oh, meu Deus, eu estava certo!
     -- Aqui  a polcia. Parado a mesmo! -- Axel bradou.
     O homem pareceu surpreso ao ouvir a voz e virou-se. A arma na
sua mo cuspiu fogo na direo do agente e este recolheu a cabea e se
protegeu no corredor da escadaria. De repente os dois policiais
chegaram assustados por causa dos disparos e perguntaram.
     -- O que est acontecendo? -- perguntou um deles.
     -- Depois respondo! Dem-me cobertura agora! -- ele no queria
dar tempo para o homem entrar no quarto.
     Os dois policiais se puseram a atirar protegidos pela parede. O
assassino se escondeu numa coluna ainda em construo em frente 
porta do quarto. Ele olhou para ela e pensou em correr para dentro.
     Tem que ser agora, pensou Axel. Ele saltou para o meio do corredor e
percebeu quando o bandido colocou a cabea para fora da coluna e
atirou. A bala fez o sangue jorrar da fronte do homem, que, desnorteado,
cambaleou para o meio do corredor. Num ltimo esforo tentou atirar
novamente, mas os policiais atrs de Axel no lhe deram tempo. Foram
muitos disparos desferidos contra ele e isso o empurrou para trs at dar
de encontro com a janela no fim do corredor. Os vidros no agentaram
seu peso e ento o corpo, j desfalecido, voou para fora do hospital e
pousou pesada e barulhentamente  frente da entrada principal da
urgncia e emergncia.
     Droga, protestou Axel ouvindo os gritos de histeria l fora, agora 
que o bicho vai pegar.

                                 &&&

     O enterro acabara e Vip aplaudiu o final do ato. Disse:
     -- Esplndida apresentao, digna de um Oscar. Porm, a essa
altura o trabalho j deve ter chegado ao fim, para a nossa tranqilidade,
e para a intranqilidade desses farsantes hipcritas.

                                 &&&


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     O fim da cerimnia havia chegado e as pessoas j estavam se
despedindo de Caroline e indo embora. Todos fizeram questo de
apertar-lhe a mo e ela agradeceu a cada um pelos sentimentos. Quando
o ltimo deu seus cumprimentos, ela murmurou para o capito Sander.
     -- Fico feliz que tenha terminado.

                                 &&&

     Muitos policiais j estavam no local, sondando, investigando,
tirando fotos. Axel estava na janela e olhava para baixo onde o corpo do
homem estava agora sendo coberto com um saco preto. Pablo agora
estava com segurana exclusiva. Levi se aproximou sem que Axel
percebesse.
     -- Como voc est?
     Axel assustou-se subitamente e fitou o colega de profisso.
     -- No estou muito bem. Isso aqui  mais uma prova de que
estamos numa verdadeira guerra sangrenta e no h meios de escapar
dela. -- fez uma pausa, pensativo, ento confessou: -- H muito tempo
que eu no atirava em algum e no desejei fazer isso hoje, mas fui
obrigado.
     -- Eu entendo, e... eu no queria deixar voc mais para baixo, mas
devo lhe dizer que fui ao apartamento de Alberto Linhares, mas ao
chegar l, j haviam colocado tudo de pernas pro ar e nada mais estava
no lugar. Com certeza foi a quadrilha do Vip quem fez essa visita nada
formal. -- Levi deu um passo at a janela e olhou o corpo l embaixo. --
No posso garantir, mas parece que no encontraram nada. Acho que se
existe alguma coisa, quero dizer, se Alberto encontrou algo que possa
ajudar a solucionar o caso, no apartamento dele no estava.
     Axel levou os olhos para baixo novamente.
     -- Pensando bem, Alberto no guardaria uma coisa to importante
para que algum pudesse encontrar to facilmente.
     -- Acho que voc est certo -- concordou Levi. -- Mas... podia me
explicar o que aconteceu aqui? Afinal, por que escondeu Pablo e mentiu
sobre a morte dele? -- Ele fez uma careta. -- Isso vai dar problemas.
     -- Estou pouco me importando. Com os problemas que tenho, um
pouco a mais ou um pouco a menos no vai fazer muita diferena.
     -- Espero que no se importe mesmo...
     -- No, no me importo. Entretanto, um problema maior est se
formando; o pior de todos.


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Posso saber qual ? -- perguntou Levi, curioso.
     -- Algum prximo a Pablo est conspirando contra a vida dele.
     Axel levou os dedos aos olhos e os esfregou. Eles ardiam. Sabia que
agora tinha mais uma investigao rdua  sua frente: descobrir quem
havia telefonado e dado as informaes ao assassino.
     Os telefonemas.
     Desde a hora em que chegara ao cemitrio pela manh as
lembranas dos quatro telefonemas no haviam-no deixado em paz.
Primeiro fora o telefonema de Caroline depois de cobrir o assassinato de
Alberto Linhares; aps isso houvera o chamado do Dr. Stone pelo seu
pager e ento ligara para algum; Depois avistara, quando saia do
hospital, a enfermeira Elis fazendo uma ligao de um telefone pblico;
e, por fim, restava o capito Sander, que o dispensara e fizera um
telefonema em seguida.
     Os quatro eram suspeitos. Mas... ser que havia mais algum? Esta
pergunta surgiu instantaneamente quando lembrou que falara com o
capito em sua sala com tom de voz um tanto alterado. Talvez, qualquer
um na central poderia ter ouvido e...
     Oh, no! Balbuciou estarrecido com o pensamento que lhe sobreveio
em seguida: se algum nos tiver ouvido... qualquer um dos vrios tiras da
central poderia ser suspeito. Subitamente surgiu outro pensamento pior
ainda: Isso poderia dizer que existia corrupo na polcia de Melmar!




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                           Captulo 33



E  le j estava l embaixo vendo os paramdicos recolherem o corpo do
   assassino para dentro do furgo do IML. Sua cabea estava a mil.
No conseguia tirar suas concluses da mente, e aquilo o perturbava.
Quatro suspeitos.
    O policial Antnio Gonzaga se aproximou e cumprimentou Axel.
    -- Acho que gostaria de ver isso. Acabou de chegar.
    Ele estendeu um relatrio. Era sobre o assassino. Axel leu o nome
do homem: Felipe Noar. Uma linha abaixo informava que estava na
condicional e mais algumas linhas depois transcrevia o endereo que ele
havia informado s autoridades ao sair da cadeia.
    -- Levi -- chamou o agente. -- Pegue este endereo e... -- olhou
para o policial Gonzaga -- v com ele  casa desse cara. Veja o que
encontra.
    Os dois saram e Axel os seguiu com o olhar. Quase no mesmo
momento os carros de Sander e Caroline chagaram ao local e chamaram
sua ateno. A mdia vinha logo atrs.
    Aquele com certeza no seria um bom dia, pensou Axel.

                                 &&&




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             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     O apresentador que comentou todo o enterro se despediu com "um
bom dia", e Melina desligou a TV. Perguntou-se se aquele agente policial
viria realmente visit-la. Ajoelhou-se no sof e elevou as mos.
     -- Oh, Deus, que o Senhor faa com que ele venha e que Tu possas
me usar para convenc-lo de que Alan  inocente. Ajude-me, Senhor! --
clamou ela.

                                  &&&

    Carlos olhava pela janela a rua pouco movimentada l fora. O
enterro j havia acabado e agora ele estava pensativo. Tudo aquilo
estava acontecendo graas a sua ambio pelo status, pensou.
    Droga!
    Lembrou-se de Vera e em toda a educao que ela no lhe dera.
Talvez fosse por causa disso que sua vida estava naquele buraco. Olhou
ao redor e suspirou. No agentava mais ficar enfurnado naquela casa
sem poder sair livremente por a. Ainda mais com aqueles tagarelas
sempre lhe falando de Deus.
    As palavras de todos ali lhe vieram  lembrana.

     -- Pode ir at a sala, pegar um livro de capa preta...
     -- Agora me responda: quantas vezes voc agradeceu por tudo isso que Ele
te deu de graa? Quantas vezes voc j olhou para o cu e disse apenas um
obrigado?
     -- Deus te ama, Carlos, e... Ele quer te ajudar a sair da cova que voc
cavou para si mesmo. Ele est com as mos estendidas para voc, mas no pode
fazer nada enquanto voc no fizer nada.

      No. Para mim no existe mais volta ou sada, conjecturou Carlos
consigo mesmo. Vou ter que dar um jeito em toda essa situao... e sei que
terei que matar ou morrer para conseguir isso.
      Porm, ele preferia matar. Principalmente ter bem diante da mira
Vip e Lucas como alvos.

                                  &&&

    Caroline parecera uma louca ao sair do carro e mais ainda ao avistar
um corpo dentro do furgo do IML. No soubera se gritava, se chorava
ou se martirizava a si mesma quando levou as mos  cabea e puxou os
cabelos a ponto de quase arranc-los. Um mdico que estava por perto



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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

tivera que sed-la e Axel levara uns cinco minutos para convenc-la de
que o corpo dentro do veculo no era o de Pablo.
     Agora, ela parecia estar mais calma e repousava sonolenta dentro
do carro de Axel.
     O agente negro chegou-se ao capito Sander e fitou-o por um
momento.
     -- O que foi, Axel?
     Nada, apenas estou suspeitando de voc.
     -- Nada, capito, apenas estou... pensando em fazer algumas
perguntas ao Dr. Stone e a enfermeira Elis.
      Sander passou a mo pela barriga e ento alisou o bigode. Meneou
a cabea para falar.
     -- Infelizmente a enfermeira est sob cuidados mdicos. Ela foi
acertada por um forte golpe. O cara parecia saber de algum tipo de artes
marciais.
     -- E o doutor?
     -- Est l na recepo. J mandei o policial Regis fazer algumas
perguntas...
     Axel tomou um leve susto.
     -- Desculpe, capito, mas eu mesmo queria interrog-lo.
     -- Porqu? -- indagou Afonso Sander.
     -- Questes de segurana -- disfarou. -- Coisa minha. Acho que
tenho alguma culpa no que aconteceu por aqui.
     O capito fez uma careta e resmungou:
     -- A coisa est comeando a feder, Axel. Espere o pior daqui por
diante. -- dito isso ele deu-lhe as costas e se distanciou.
     O agente apenas o observou com a mente povoada de maus
pressgios.
     Vou esperar, capito. Vou esperar.

                                 &&&

    Axel estava com o Dr. Stone na recepo e fizera questo para que
ningum ficasse por perto para interromper ou espionar.
    -- Que caldeiro est esse hospital, hein, doutor? -- indagou o
agente lanando um olhar especulativo sobre o mdico.
    O Dr. Stone passou a mo pelo cabelo, tentando aparentar
tranqilidade.
    -- J  um a cada dia; imagine agora. -- Fez uma breve pausa e
acrescentou: -- Sinto muito pelo que aconteceu aqui, agente, e fico feliz


                                    89
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

pela vida do Sr. Pablo Tavares, isso graas a voc. Mas, agora... ou
melhor, h poucos instantes fui despedido deste hospital e...
     -- No se preocupe, doutor. Caroline lhe garantiu que arranjaria
um novo emprego se necessrio. Se ela prometeu certamente o senhor
estar trabalhando logo-logo. Pode confiar nela.
     Ser que pode mesmo? Axel pegou-se repentinamente em dvida.
     -- Como ela est?
     -- Est muito abalada. Tomou um choque ao pensar que Pablo
tivesse sido assassinado. Ela o ama muito.
     Ama ou finge que ama?
     -- Parece realmente am-lo -- reconheceu o mdico.
     Axel respirou fundo e forou o novo assunto:
     -- Oua, doutor, tenho que faz-lo algumas perguntas e gostaria
que as respondesse o mais diretamente possvel.
     O Dr. Stone estreitou os olhos de repente.
     -- Claro.
     -- Onde o senhor estava quando tudo aconteceu?
     -- Fazendo minha ronda. Tenho outros pacientes que precisam ser
supervisionados. Tenho que medic-los, instruir os enfermeiros...
     -- Mesmo sabendo que aquela hora seria a mais perigosa para
deixar o seu paciente s?
     -- Ele no estava s; Elis estava com ele...
     -- Mas o que Elis poderia fazer contra um homem...
     -- E o que eu poderia ter feito contra um assassino armado, policial
Brendel? -- interrompeu o Dr. Stone com voz alterada.
     Axel calou-se por um momento tentando amenizar o clima Antnio
Gonzaga e olhou para o nada.
     -- Desculpe-me, doutor, estou um pouco transtornado, mas... tenho
s mais uma pergunta a faz-lo: para quem o senhor telefonou ontem
quando o seu pager tocou, ou melhor, quem o chamou?
     -- Minha esposa. Ela estava grvida e telefonei para saber o que
tinha acontecido. A bolsa dela tinha estourado naquele exato momento e
estava prestes a dar a luz -- respondeu sem hesitar, transmitindo ar de
convico.
     Axel fez um aceno com a cabea e puxou um bloquinho de
anotaes. Anotou algumas informaes e guardou-o de volta. Disse:
     -- Obrigado, doutor. Desculpe pelo que aconteceu. Espero que
compreenda que as perguntas so apenas rotina e... se precisar de
alguma coisa ou se lembrar de algo que possa nos ajudar... no tarde em
entrar em contato.


                                    90
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa



                                  &&&

     Fbio e Jos sentaram prximo da cama a pedido de Alan que
permanecia deitado. Sua melhora era visvel, porm Andrey ordenara
que ele conservasse o leito. Alan olhou na direo da porta e quis saber:
     -- Como Carlos est? Como tem se comportado?
     -- Est visivelmente inquieto e angustiado -- disse Fbio. -- Parece
que est engaiolado. Quase todo o tempo olha pela janela e fica a fitar o
nada l fora. O que ele tem?
     -- Est preocupado com a noiva. Nicole  o nome dela. Sente culpa
por ela estar nas mos dos seus inimigos. Mas j falei para ele entregar
sua vida e a dela nas mos de Deus...
     -- Ns tambm, Alan, mas... ele parece estar lutando contra a
Palavra -- falou Jos.
     Fbio hesitou.
     -- Alan... se ele no aceitar todas as nossas palavras e... se no vier
a abrir seu corao para Cristo... Ser que todo o seu sacrifcio ter
valido a pena?
     Alan olhou para o teto, pensou por um momento e anuiu conciso:
     -- O que penso  que... se ele vier a aceitar ao Senhor e assumir um
compromisso com Ele, o meu esforo ter sido algo nfimo comparado 
grandeza dessa transformao e no que ela acarretar. Minha felicidade
e principalmente a do Senhor ser incalculvel. -- respirou fundo e
concluiu: -- O que temos que fazer  continuar lanando a semente e
orar para que o Esprito venha faz-la brotar.

                                  &&&

     Depois de conferir a enfermeira sendo atendida pelos mdicos do
hospital, Axel concluiu que aquela no seria o melhor momento para
interrog-la. Pensou em fazer algumas perguntas  Caroline, mas no
estado em que ela se encontrava no poderia tirar nada dela. Restou-lhe
o capito Sander. Entretanto, o homem era seu superior. Como poderia
interrog-lo sem acus-lo de algum jeito? Foi quando se lembrou de
Melina e admitiu que aquele seria uma tima hora para fazer-lhe uma
visita, principalmente porque no saberia como explicar toda aquela
situao envolvendo a mentira sobre a morte de Pablo  corregedoria
mais tarde. A visita tambm serviria para desanuviar as idias nebulosas




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

que pairavam sobre si. E ainda, talvez conseguisse algumas respostas
para variar.

                                 &&&

     Axel chegou  casa de Melina e apertou a campainha. A porta foi
aberta e ele observou a mulher que o atendeu. Era uma bonita jovem
senhora com ar generoso e olhar simples. Ela estava desconsertada e
visivelmente nervosa. Estendeu-lhe a mo dizendo:
     -- Que bom que veio... policial Brendel... Meu nome  Melina
Xavier e queria muito esclarecer algumas coisas...
     Axel teve que sorrir. A mulher estava em frangalhos, mas as
palavras que acabara de dizer realmente o animou. Disse:
     -- Esclarecimento, Sra. Xavier,  exatamente o que vim procurar.




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                                           Captulo 34



M    elina pareceu extremamente cansada quando, olhando nos olhos
     negros de Axel, falou em voz splice:
     -- Tem que acreditar em cada palavra que acabei de lhe dizer, pois
 a mais pura verdade e, alm do mais, nunca meu marido poderia fazer
qualquer coisa para prejudicar algum, entende?
     Axel recapitulou tudo, pedindo para Melina contar-lhe novamente
passo a passo tudo o que acabara de contar minutos atrs. Ela contou
mais uma vez. No fim, disse:
     -- No sei o que houve, Sr. Brendel, mas se Alan est metido nisso 
porque ele quer resgatar esse tal Carlos, e tenho quase certeza de que
eles esto juntos agora. E quer saber mais? Isso est me cheirando a
armao dessa quadrilha para que a culpa casse em cima do meu
marido junto com esse homem. Por que o senhor acha que os levaram
para aquela rodovia seno para dar cabo dos dois? Como isso 
chamado... Queima de arquivo, no ?
     Axel se surpreendeu com a interpretao de Melina sobre o
ocorrido com Oliver e Selton. Ele mesmo j havia pensado naquela
hiptese, mas teimava em no acreditar que dois dos melhores tiras da
cidade fariam tal coisa. Entretanto, depois do recente atentado a Pablo e
suas suspeitas sobre o co-autor -- e entre eles o prprio capito da
central -- aquela interpretao comeava a tomar uma forma mais slida
e palpvel.


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Axel se ergueu do sof aconchegante dando a entender que a
entrevista tinha chegado ao seu fim. Melina apressou-se a perguntar:
     -- O senhor vai fazer alguma coisa para... limpar o nome do meu
marido e traz-lo de volta em... segurana?
     Axel sorriu, perguntando-se como apenas a voz de uma pessoa
podia expressar tanta honestidade e sinceridade.
     -- No se preocupe, Sra. Xavier. Se depender de mim, seu marido
voltar para casa logo.

                                   &&&
     -- Droga, eu no acredito nisso! -- esbravejou Vip, irritado por
saber pelo noticirio de planto que Pablo Tavares estava vivo. -- Isso j
t virando baderna! Ser que meus planos e minhas ordens nunca sero
atendidos por aqui?
     Na sala em que estavam uma grande parte de sua quadrilha no se
ouviu uma respirao sequer. Vip fitou a cada um e ento fazendo uma
expresso de descontentamento mandou que lhe trouxessem o telefone.
Imediatamente entregaram-lhe o aparelho. Ele digitou rapidamente um
nmero.
     -- Al?
     -- Oliver, voc precisa fazer um servio pra mim e no aceitarei um
no como resposta. De uma vez por todas mate Pablo Tavares. No o
quero mais respirando. No quero mais ouvir falar que ele est vivo,
est me entendendo?
     -- Mas... como eu... Isso  impossvel! Eu...
     -- No quero saber, Oliver. Faa isso ou pode dar adeus  sua
mulherzinha.
     Vip apertou a tecla que ps fim  ligao.

                                &&&
     Oliver olhou para o fone ainda em sua mo e comeou a suar frio.
Como poderia matar Pablo com um peloto inteiro dando-lhe proteo?
Devolveu o fone ao gancho e pensou em sair da quadrilha e fugir. Mas
agora era tarde demais. Se fugisse com certeza o achariam, e se no
fizesse o que Vip ordenara sua mulher morreria. Ele teria que matar
outro tira para sair de mais uma enrascada.

                             &&&
    Ao chegar  central, Axel foi abordado por um oficial recm-
formado na academia. Seu nome era Tlio Dantas.


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             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

      -- Agente Axel, o capito Sander ligou procurando por voc. Ele
comentou que seu pager deveria estar desligado e falou que precisa falar-
lhe urgente e pessoalmente.
      -- Obrigado, Tlio -- o jovem policial acenou com a cabea e se
distanciou, mas parou e voltou-se novamente para Axel.
      -- Veio um jovem  sua procura -- falou Tlio. -- Disse que s
falaria com voc. Como eu no sabia se voc vinha por aqui agora, ele
falou que voltaria depois. Acho que era algo importante.
      Axel perguntou-se se seria importante mesmo. Agradeceu
novamente e caminhou para sua sala. Afundou na cadeira e ento ps-se
a pensar no que Melina Xavier havia falado. Se ela estiver falando a verdade
e estiver com a razo sobre o ocorrido com Oliver e Selton... pensou consigo
mesmo. Meu Deus, que coisa! Ser mesmo queima de arquivo ou algo
parecido? Se for isso mesmo, o que farei daqui por diante?

                                  &&&
     Melina discou ansiosamente o nmero no console do telefone e
esperou que o pastor Cross ou algum na PIEM atendesse ao toque.
Ficou contente quando a voz grave de Nilton soou.
     -- Oh! Pastor, que bom que o senhor atendeu. Tenho boas notcias:
o agente que est  frente do caso em que Alan est envolvido veio at
em minha casa e conversamos.
     -- Isso  muito bom, minha filha...
     -- Pois , pastor. Tive que contar tudo o que Alan me falou sobre
sua misso e o que certamente ele estava fazendo no local em que ouve
toda aquela confuso onde mataram aquele agente... Caio Vieira...
     -- E o que ele disse a respeito? Ele acreditou nas suas palavras?
     -- E no era pra acreditar? Eu s falei a verdade! Ele disse uma
coisa muito confortante no final: que faria o possvel para trazer Alan de
volta para casa.
     -- Isso  um bom sinal -- anuiu Nilton Cross.
     -- Estou confiante, pastor Cross...
     -- Isso  bom, minha filha, mas, melhor que confiar nos homens, 
confiar em Deus.
     Melina sorriu. Sim, acima de tudo ela confiava em Deus, e por isso
mesmo sabia que seu marido voltaria para casa rapidamente.

                               &&&
    -- Olhe, Carlos, no pareo estar melhor? Peo-lhe obrigado porque
me trouxe para c... -- a voz de Alan parecia mais regulada e firme.


                                     95
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

Estava sentado no sof. Fora deixado ali a seu pedido por Andrey e Jos,
depois pediu para que o deixasse a ss com Carlos. Todos os jovens
respeitaram seu pedido e se enclausuraram na cozinha.
     Carlos suspirou e fitou Alan. Ele realmente parecia estar melhor.
Era incrvel como podia ainda estar vivo. Era um... milagre? No, no
acreditava naquilo.
     -- , parece estar se recuperando bem.
     -- E voc, como est? Dissera-me que andou um pouco nervoso e
impaciente...
     -- Como no estaria? -- disse Carlos jogando as mos ao alto. --
Nicole ainda est nas mos de Vip e eu estou aqui de mos atadas.
     Alan sentiu uma leve pontada de dor e ento indagou:
     -- E voc pensa em fazer alguma coisa a esse respeito?
     -- J telefonei para Vip e aconselhei-o para que no fizesse nada a
Nicole. Vou tentar troc-la pela fita novamente, mas agora vou at a toca
da raposa. Vai ter que ser ele o que far a troca comigo. Agora vai ser
tudo ou nada. De algum jeito eu a tirarei das mos dele. -- Carlos levou
a mo aos olhos e os esfregou. --  isso mesmo, pastor, no penso em
outra coisa seno resgat-la de uma forma ou de outra e... se puder...
fugir, viajar para longe. To longe que ningum possa nos encontrar.
Isso ... -- ele hesitou por um doloroso momento. -- Isso , se ela ainda
tiver algum sentimento bom por mim.
     Alan se esforou para tocar o ombro de Carlos.
     -- Veja bem, Carlos... posso ter uma soluo para o seu problema.
Quer ouvir qual ?
     Por um segundo diria no, pois sabia que certamente viria uma
coisa louca de religio, porm, algo dentro de si pediu para que
dissesse...
     -- Sim.
     -- timo -- alegrou-se Alan. Apontou para uma pequena mesa. --
Quer pegar aquele livro preto que est ali em cima para mim, por favor.
     Carlos esticou o brao e alcanou a Bblia. Entregou-a a Alan.
     -- Escute, Carlos, no quero que pense que isso  um truque de
minha parte, pois no . Isso  puro poder de Deus. Quero que saiba que
Deus quer o melhor para sua vida. Eu tambm quero. Por isso quero
orar por voc e queria que aceitasse essa orao.
     Carlos ficou em silncio e Alan aproveitou para fechar os olhos e
clamar a Deus:
     -- Senhor, sei que Tu me ouves e que ests comigo, pois Tu s
poderoso e nem um outro Deus h alm de Ti, que se preocupa com os


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

teus e peleja por eles. Senhor, tambm sei que tens algo preparado para
Carlos porque Tu assim me disseste. Por isso, venho Te pedir para que
fales com ele atravs da Tua poderosa palavra, e que ele possa
compreender o significado daquilo que queres para ele,  Deus.  em
nome de Jesus que assim te peo. Amm.
      Alan abriu os olhos e voltou-se para Carlos, percebendo que ele
estava de cabea baixa. Quando ele percebeu que a orao havia
terminado, projetou o olhar na direo do homem  sua frente
esperando o que viria em seguida. Surpreendeu-se quando Alan
ofereceu-lhe a Bblia que minutos atrs tinha pedido para si.
      -- Pegue-a. No vou fazer nada. Agora  entre voc e Deus -- Alan
estava fazendo o que o Esprito o mandava fazer. No sabia o que viria a
seguir. Somente esperava que Deus falasse ao seu corao como deveria
agir.
      -- O que voc quer que eu faa? -- podia-se ver uma ntida
expresso de confuso e insegurana da parte de Carlos. -- Quer que eu
esfregue este livro para que um gnio aparea e atenda a trs pedidos
meus?
      Alan fechou os olhos mais uma vez, baixou a cabea e orou em
esprito rapidamente. Carlos, olhando o movimento do outro homem,
esperou uma resposta. A voz de Alan se fez ouvir novamente:
      -- No, voc no vai fazer isso. O que vai fazer  perguntar alguma
coisa... O que quer saber a respeito da sua vida, dos seus problemas, o
que deve fazer para sair deles, o que voc quiser. Para tudo Deus tem
uma resposta. Como eu disse, agora  entre voc e Deus. Pergunte e Ele
responder.
      Carlos estava ctico. Meneou a cabea sem saber o que pensar
daquilo que acabara de ouvir.
      -- S isso?
      -- No. Tudo isso. Apenas pergunte e ter sua resposta ao abrir a
Bblia que est em sua mo e ler aonde seu olho bater.
      Carlos cruzou os braos, descruzou e ento passou a mo pela boca.
No podia acreditar que por um minuto pensara que aquele homem
realmente pudesse ter a soluo para os seus problemas.
      -- Vamos l, Carlos. No quer a soluo para os seus problemas?
Ela est nas suas mos!
      Olhou para Alan, para a Bblia em suas mos, suspirou
profundamente.
      -- Muito bem, ento -- disse pensando em mais essa loucura que
iria fazer. -- Vejamos... se  como voc fala, pastor, que tenho todas as


                                    97
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

respostas em minhas mos, quero saber, primeiro que tudo, se essa
doidice funciona, se Deus realmente falar comigo... -- ele abriu a Bblia.
    Seus olhos deram de encontro com as pequenas letras em J 13:22 e
ento leu num tom que desse para Alan escutar:

       Ento chama tu, e eu responderei; ou eu falarei, e me responde tu.

    Olhou para Alan e sorriu desconsertado. Fechou a Bblia e abriu-a
novamente. Leu:

E disse: Na minha angstia clamei ao senhor, e ele me respondeu... (Jonas 2:2)

      Carlos olhou rapidamente para Alan.
      -- Como voc fez isso?
      -- No fiz nada, Carlos. Como falei,  entre voc e Deus. Voc est
perguntando e abrindo o livro da verdade. Porque a palavra de Deus  viva
e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra at a
diviso de alma e esprito, e de juntas e medulas, e  apta para discernir os
pensamentos e intenes do corao.-- No sou eu quem est manuseando a
Bblia como tambm no sou eu quem est te respondendo. Quer mais
uma prova? Abra mais uma vez.
      Carlos abriu mais uma vez e deu de encontro com mais um
versculo:

              Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo. (Jo 4:26)

     Desta vez ele ficou sem palavras. Fechou o livro novamente. Olhou
para Alan e perguntou:
     -- Isso  real, no ? No  nenhuma brincadeira sua...
     Alan cortou asperamente:
     -- Isto pelo que voc... pelo que ns estamos passando  bem real
para voc? Da mesma forma a palavra de Deus  real e verdadeira para
mim e para todos aqueles que crem. Ele citou I Tm 4:9: Fiel  esta palavra
e digna de toda aceitao.
     Mais uma vez Carlos ficou em silncio. Mordeu o lbio e fitou o
livro preto em suas mos. Uma certa confuso e uma ponta de receio
preencheram-lhe de forma surpreendente que no conseguiria explicar a
quem quer que fosse. Alan falou mais uma vez:
     -- Se quiser... perguntar em silncio... Ele tambm pode te ouvir.




                                      98
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Carlos no retirou os olhos da Bblia. Hesitou por um instante. Seu
corao parecia bater descompassadamente. Perguntou-se o que
acontecia. Achou melhor acabar com aquilo logo. Fechou os olhos num
sbito apelo de calma e perguntou intimamente: Por que est acontecendo
isso comigo? Sei que fiz coisas ruins, mas... por que tinha que acontecer logo
comigo? A resposta veio-lhe na Palavra de Deus:

Eu, o Senhor, esquadrinho a mente, eu provo o corao; e isso para dar a cada
        um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas aes.
 Como a perdiz que ajunta pintainhos que no so do seu ninho, assim  aquele
 que ajunta riquezas, mas no retamente; no meio de seus dias as deixar, e no
                  seu fim se mostrar insensato. (Jr 17:10-11)

     O corao pareceu-lhe acelerar. E ligeiramente fechou os olhos
novamente. O que esse pastor quer fazer comigo, afinal? Outra resposta
Divina:

 O Senhor vosso Deus, que vai adiante de vs, ele pelejar por vs, conforme
tudo o que tem feito por vs diante dos vossos olhos, no Egito,como tambm no
deserto, onde vistes como o Senhor vosso Deus vos levou, como um homem
 leva seu filho, por todo o caminho que andastes, at chegardes a este
                              lugar. (Dt 1:30-31)

     Ento ele foi enviado por Deus para trazer-me at este lugar? ...at
este momento? Fechou os olhos e suspirou profundamente. Pensou:
Acho que estou ficando doido. Abriu os olhos e fitou o livro preto. Voc  um
Deus realmente? O que quer comigo? Por que no me deixa em paz! A
resposta a seguir o fez tremer:

 Olhai para mim, e sereis salvos, vs, todos os confins da terra; porque eu sou
                       Deus, e no h outro. (Is 45:22)

      Sentiu suas mos estranhamente trmulas de forma que no
conseguia controlar. Engoliu seco antes de indagar: Pode me ajudar? No
sei o que fazer...

No temas, porque eu sou contigo; no te assombres, porque eu sou teu Deus; eu
  te fortaleo, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justia. Eis que
envergonhados e confundidos sero todos os que se irritam contra ti; tornar-se-
       o em nada; e os que contenderem contigo perecero. (Is 41:10-11)



                                      99
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

      Seus olhos estavam vidrados, agora no pensava mais em nada, a
no ser nas respostas dadas atravs da palavra de Deus. E quanto  Nicole
ela est bem? Pode fazer algo... por ela? A resposta foi exata.

Responderam eles: Cr no Senhor Jesus e sers salvo, tu e tua casa. (At 16:31)

    O n na garganta de Carlos parecia sufoc-lo. Era algo que ele no
podia controlar. Por que est me dando estas respostas? O que voc viu em
mim? Uma surpreendente palavra foi-lhe entregue.

  De longe o Senhor me apareceu, dizendo: Pois que com amor eterno te amei,
                 tambm com benignidade te atra. (Jr 31:3)

     O corao de Carlos batia descontroladamente. O n cresceu em sua
garganta e algo inimaginvel para ele se instalou em seu peito. Seus
olhos se encheram de lgrimas. Como da vez em que orou com os donos
da casa, tentou sufoc-las como da ltima vez, porm agora no teve
xito. As gotas quentes escorreram pelo seu rosto e caram nas finas
pginas do precioso livro em suas mos. A voz de Alan surgiu
suavemente:
     -- Eu no poderia fazer voc... ficar neste estado, Carlos. Este  o
Esprito Santo. Ele quer habitar em voc, e esse fogo no seu peito
permanecer aceso, mas, ao invs de se sentir culpado como agora, voc
vai se sentir leve, alegre, livre -- e como se sua voz se tornasse em algo
sobrenatural, ressoou como eco aos ouvidos de Carlos: -- Se quiser,
basta dizer sim... sim... sim... sim...
     Com os olhos ainda cheios de lgrimas, Carlos voltou o olhar para
Alan. Seus lbios estavam trmulos quando disse com voz entrecortada.
     -- No... no posso. Estou sujo... sujo demais. ... o que estou
sentindo agora. -- mesmo estando voltados para Alan, seus olhos
pareciam distantes contemplando algo que s estava  frente de si
mesmo. Ele acrescentou: -- Como... como se sangue de pessoas
inocentes escorressem das minhas mos, como se... um rio de lama
pairasse sobre minha cabea... -- fechou os olhos, deixando que uma
pequena cascata de lgrimas flusse e disse, enfim: -- Acho que nenhum
Deus que se preze quereria algum assim para si.
     Alan no pde deixar de sentir a presena do Esprito Santo
trabalhando na vida de Carlos e deixou uma lgrima tambm descer de
seus olhos. Era inexplicvel a eficcia da Palavra de Deus na vida do ser
humano, que nada  na presena gloriosa do Senhor. Ele se aproximou


                                     100
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

de Carlos. A dor em seu corpo parecia j no existir mais. Tocou no
ombro do velho homem desmontado pela espada de dois gumes e falou
num sussurro:
     -- Carlos nesta mesma Palavra que voc acabou de ler est escrito
que Deus  grande em misericrdia e amor. E quer saber mais? Ele 
recordista em perdoar transgresses. Perdoou as transgresses de Fbio,
Vitria, Andrey, Jos... -- fez uma pausa. Deu um sorriso amarelo, mas
cativante e acrescentou: -- Perdoou as minhas culpas e transgresses
tambm. Eu, que era o mais vil dos homens.
     Os olhos de Carlos se estreitaram.
     -- Voc? Como uma pessoa como voc pode ser o mais vil dos
homens?
     Alan fechou os olhos e meneou a cabea. Disse:
     -- Deus  to misericordioso, meu amigo, que foi capaz de me
perdoar. Eu, que era nada mais nada menos que era... um estuprador de
mulheres e quase um assassino de... crianas.




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                           Captulo 35



A    enfermeira estava com os sentidos totalmente recuperados,
    entretanto, sua cabea encontrava-se enfaixada. O mdico que a
atendera explicara a Axel que o homem que a atacara abrira um corte
profundo no couro cabeludo da mulher. O impacto havia sido enorme e
por sorte no tinha acontecido uma fratura intracraniana. Mas, apesar
disso, ela foi liberada para o interrogatrio.
      O agente olhava-a, tentando sond-la de forma que pudesse
intimid-la. Tentou sorrir e ento perguntou:
      -- Como se sente? As dores ainda a incomodam?
      -- Mais ou menos. De vez em quando ainda sinto umas pontadas
horrveis. Aquele monstro sabia mesmo o que queria, no ? Por falta de
sorte eu estava no meio do caminho.
      Uma tima desculpa, pensou Axel. Talvez ela soubesse exatamente o
que falar, como se tudo j estivesse programado.
      -- Para quem voc tem telefonado ultimamente, enfermeira?
      -- Como assim? -- ela demonstrou surpresa. -- Eu telefono para
vrias pessoas: meus pais, meu noivo, meus amigos... acho que isso no
 nenhum crime...
      -- Claro que no, moa, mas... -- ele se aproximou e passou por
trs da cadeira onde ela estava sentada. -- da ltima vez que a vi, voc
estava telefonando no saguo. Eu queria lhe perguntar o por qu, j que
me disseram que voc tem um bonito celular...


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     A enfermeira ergueu-se num salto da cadeira e fitou o agente
encolerizada.
     -- O senhor est insinuando que fiz parte nesse atentado? Por favor,
senhor, olhe para mim! Acha que eu pedi esse corte na cabea? --
apontou na direo das faixas ao acrescentar: -- O mdico me falou que
vou ficar com uma marca do tamanho o Grand Canyon entre meus
cabelos. E se tudo isso  por causa daquele telefonema... Meu celular
estava descarregado. Deixei-o na sala dos plantonistas na tomada
pegando carga. Se quiser pode perguntar  enfermeira Simplcio, ela
pode confirmar.
     Ela fez uma pausa para tomar um pouco de ar. Seu tom de voz
tornou-se mais branda quando continuou:
     -- Hoje seria a minha folga. O Dr. Stone pediu-me para adiar. Por
isso telefonei para casa avisando que ficaria hoje por aqui. Pode
confirmar com o doutor, pode confirmar com a minha me, pode
confirmar com todas as pessoas que me conhecem. Eu no seria capaz de
ajudar uma pessoa a matar outra. Minha vida  salvar vidas e no tir-
las.
     Axel suspirou. Aquela era uma resposta bem consistente.
Posicionou-se de frente para a enfermeira e olhou-a nos olhos.
     -- Obrigado pelo seu depoimento, enfermeira. Foi de grande
utilidade. Porm, tenho que confirmar o que me disse e peo-lhe que no
saia da cidade at esclarecermos o caso.

                                &&&
     Ligeiramente boquiaberto, Carlos fitava Alan com olhar ctico.
Enquanto isso, o servo do Senhor mantinha uma expresso serena, mas,
no entanto espelhava um misto de alegria e tristeza. Ele suspirou ao
declarar:
     -- Posso dizer que no me orgulho do que fiz um dia e muito
menos gosto de recordar disso tudo, mas essa  a verdade. Uma verdade
que me machuca, mas ao mesmo tempo me traz um resqucio de alegria,
pois foi desse modo que encontrei a salvao -- os olhos de Alan
encheram-se de lgrimas novamente. Diante da ateno de Carlos,
continuou: -- Eu tinha vinte e trs anos na poca e me lembro bem que
vivia nos bares e boates. J no morava com meus pais e sim numa
penso barata. Quase todas as noites eu ficava embriagado junto com
meus "amigos", se  que se pode chamar de amigos um bando de
aproveitadores que s gostavam do dinheiro que eu ganhava fazendo
alguns bicos aqui e ali. Essa rotina de bebedeiras estava me deixando


                                    103
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

louco. J no conseguia pensar com tudo o que se passava  minha volta.
Houve um tempo que no consegui mais trabalho e, na penso, passei a
me misturar com todo tipo de pessoas ruins: ladres, cafetes,
prostitutas... Ahh... as prostitutas... Foi quando enlouqueci de vez.
Minha sede por mulheres explodiu. Virei um animal insano que queria
se satisfazer a qualquer preo e a bebida aguava ainda mais essa
necessidade. Ento foi quando aconteceu pela primeira vez.
     Alan fez mais uma pausa, ps o rosto entre as mos e balbuciou: Oh,
Senhor! S Tu s to grande em misericrdia...
     Carlos estava abalado com o que ouvia. Nunca pensara que um
homem como aquele pudesse ter passado por tudo aquilo de fato.
Esperou o que mais Alan iria cont-lo. Ele ouviu atentamente quando o
outro continuou:
     -- Eu estava alcoolizado como de costume e... queria uma mulher
desesperadamente. Como j no tinha dinheiro pala alugar uma e muito
menos porte para conversar decentemente, resolvi que era hora de fazer
algo drstico e demonaco: Eu partiria para a fora.
     A voz de Alan parecia sufocada pelas lgrimas que desciam de seus
olhos. O aperto no peito e o arrependimento feria-o sagazmente, mas
teria que contar tudo, para que o nome do Senhor fosse glorificado.
     -- Passei a procurar minha vtima -- tornou ele a dizer. --
Encontrei-a numa praa no muito longe dos bares onde costumava
freqentar. Ela deveria ter uns vinte e dois anos de idade. Estava
sozinha lendo e foi fcil imobiliz-la com um estilete que peguei no bar.
Levei-a para um local escuro e deserto e ento eu... -- ele abanou a
cabea, tentando afastar a dor das lembranas. -- Oh, Deus! Eu... eu fiz
o que queria e... depois... deixei-a largada, ferida e inconsciente.
     Carlos continuou atnito. No conseguia criar uma imagem em sua
mente daquele homem fazendo tal atrocidade. Tentou fitar Alan nos
olhos e tentar ler neles algo que pudesse denunciar uma mentira,
entretanto Alan continuava com a face entre as mos e os pingos de
lgrimas gotejavam de seu queixo para o cho. Com voz trmula ele
voltou a falar:
     -- Quando voltei a ficar sbrio e tomei conscincia do tinha feito eu
fiquei louco e tambm quis morrer. Bebi at cair. Entrei em depresso,
mas um ms depois toda a minha insanidade voltou e logo estava
traando planos para abordar outra mulher.
     -- Voc era um monstro -- no se conteve Carlos.




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Sim, eu era. Acho que mais do que isso. Ataquei mais duas
mulheres e acabei matando uma por estrangulamento... e o sentimento
de culpa que eu sentia j no existia mais.
     "O lcool estava me consumindo e minha insanidade ajudava nesse
trabalho. Depois de algum tempo eu j estava fraco e percebi que eu no
conseguiria mais segurar uma mulher adulta foi ento que a idia mais
monstruosa se apossou da minha mente: "atacar uma criana". E ento
logo eu estava  procura de uma inocente menina.
     Alan suspirou sentindo um aperto indescritvel no corao, mas
continuou:
     -- Encontrei-a numa noite escura, saindo de sua casa com um
pequenino livro debaixo do brao. Apressei-me at postar-me andando
ao seu lado para conversar e prometer algo. Perguntei onde ela ia e
contente me respondeu que ia para a igreja, me mostrou o livrinho que
carregava e disse que era um NOVO TESTAMENTO. Falou tambm que
estava se adiantando na frente dos seus pais e seu irmo, que iriam
depois, porque ela fazia parte de um conjunto infantil e tinham que
ensaiar para cantar. Perguntei seu nome e ela disse ser Leandra Salazar.
Ento passei a contar-lhe sobre o lindo presente que tinha para lhe dar e
que estava num lugar prximo dali. Ela disse que iria receber um
presente na igreja tambm e no poderia se atrasar. Disse-lhe que seria
bem rpido, mas mesmo assim no aceitou ir comigo. Fiz muitas
tentativas de iludi-la, mas ela era irredutvel.
     Nesse momento Alan olhou para Carlos e seus olhos brilharam.
     -- Ela tinha apenas oito anos e ningum lhe tiraria da cabea que
haveria coisa mais importante naquele momento do que ir para a igreja.
Isso me aborreceu de tal forma que a tomei em meus braos e corri para
o local escolhido para a brutalidade acontecer. Quando chegamos l a
larguei no cho e comecei a desabotoar minhas calas. Surpreendeu-me
o fato de ela no gritar por socorro e sim sussurrar: "Jesus, me ajude!
Jesus, me ajude!" No entendi aquilo ou talvez no quisesse entender.
Quando me pus de joelhos e peguei-a pelos ombros ela abriu os
olhinhos negros e olhou dentro dos meus e me disse: "Moo, no faa
isso! Jesus te ama! Te ama e quer te salvar!" Recebi aquelas palavras
como um soco no meio da cara. Como algum poderia me amar apesar de
tudo o que eu havia feito? Perguntei-me. Ento a ordenei que se calasse,
mas ela no se calou. "No importa o que voc fez, no importa o que
voc . Ele  Deus de amor e perdoa voc. Jesus te ama e voc no
precisa mais fazer isso." Continuava ela a dizer sem parar. "Por que
Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu nico filho para que


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

todo aquele que n'Ele crer no perea, mas tenha a vida eterna. Ele te
perdoa, moo, Ele te ama".
     Alan enxugou as lgrimas do rosto e abriu um leve sorriso.
Reconstituindo-se terminou:
     -- Todas aquelas palavras me pegaram desprevenido e me
abalaram por completo. Uma menina que certamente morreria dizia que
algum me amava e que eu no precisava mais fazer aquilo. No pude
mais me mexer do lugar onde estava e toda a vergonha e sentimento de
culpa voltaram para dentro de mim numa frao de segundos. No tive
mais ousadia de tocar naquela menina. Minha estrutura interior fora
quebrada.
     "Ela estava assustada, ainda, mesmo assim, de sua pequena
garganta saiu um convite: "Voc quer ir  igreja comigo?" Quando...
quando dei por mim, estava caminhando para a igreja com a menina do
meu lado. Ela ainda olhava-me desconfiada. Naquele momento uma voz
grossa surgiu atrs de ns. Era o pai de Leandra chamando-a. Ele estava
junto com a esposa e o filho. Perguntou-a porque ainda estava ali, se j
tinha sado de casa h algum tempo. Ela simplesmente disse-lhe que
tinha me encontrado e que agora eu ia com ela para a igreja. Leandra se
aproximou de sua me e grudou no longo vestido que ela usava. Seus
olhos ainda demonstravam desconfiana e medo. Mesmo assim,
Ancelmo Salazar, o pai de Leandra, concordou, pegou-me pelo brao e
guiou-me at a igreja.
     Fez uma pequena pausa.
     -- Ao chegar l me assustei com tanta gente. Fiquei com medo que
soubessem quem eu realmente era. Mais nenhum deles tinha a menor
idia do monstro que acabava de entrar no templo. Sentei-me junto com
a famlia Salazar e ouvi o pregador falar dessa Palavra -- apontou para a
Bblia -- que voc est segurando em suas mos. Nela estava toda a
minha vida e a soluo para ela: Jesus Cristo. Ele foi a soluo para mim.
Quando o pastor perguntou quem queria aceit-lo, no vacilei e corri me
ajoelhando. Aceitei-o e no mesmo momento senti que tudo de podre
dentro de mim comeava a sair de forma inexplicvel. Senti-me leve. O
que aconteceu a seguir foi espantoso: Leandra correu at mim e me
abraou dizendo que no tinha mais medo de mim, pois eu tinha
aceitado a Cristo e Ele tinha me transformado. Acho que pde ver quando
o Senhor retirou tudo de ruim da minha vida. E aqui estou, livre graas a
Jesus Cristo.
     Carlos no piscava os olhos diante de toda a estria. Perguntou,
ainda petrificado:


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- E quanto  vida que voc tirou, o que fez para pagar isso?
     -- Fui  polcia, mas no tinha nenhum caso de mulheres
estupradas ou desaparecidas registrado naquele ano, eles no fizeram
nada sem provas nem queixas. At hoje peo perdo pelo que fiz,
mesmo sabendo que Deus j me perdoou no momento que dobrei os
joelhos e O aceitei. A Palavra de Deus diz: Se confessarmos os nossos
pecados, Ele  fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda a
injustia. Eu confio nesta Palavra e eu confio em Jesus quando Ele falou
que aqueles que forem a Ele, de maneira nenhuma os lanar fora. Essas
palavras serviram um dia para mim, e hoje elas esto servindo para
voc, amigo.
     Os olhos de Carlos novamente de marejaram de lgrimas.

                               &&&
     Estavam todos na cozinha. Conversando e se alegrando, mas acima
de tudo tensos e curiosos com o que poderia estar acontecendo a poucos
metros de onde estavam.
     -- O que Alan pode estar falando? Ele est em condies de
conversar assim por tanto tempo? -- indagou Vitria para Andrey  sua
frente.
     -- Mesmo no podendo, voc acha que Alan iria me obedecer em se
tratando de resgatar uma alma para Deus? Sem chance.
     -- Numa coisa Vitria est certa: eles esto l j h bastante tempo
-- disse Jos com tom de preocupao.
     -- Vocs no acham melhor irmos at l e checar se est tudo em
ordem? -- props Fbio.
     -- Pessoal, acho que devemos confiar em Deus e no que Ele planeja
para a vida de Carlos. Se Alan pediu para ficar a ss com ele  porque
mais uma vez sabe o que est fazendo, e o mais importante,  que
certamente deve estar sendo guiado pelo Senhor como sempre foi.
     -- Amm! -- responderam todos em coro com sorriso nos rostos.

                                &&&
    Levi entrou na sala de Axel e entregou em suas mos uma pequena
pasta. Informou em voz acentuada:
    -- Este  um pequeno relatrio do que encontramos no apartamento
do cara. Nada de incomum. Parecia a residncia de algum normal e no
de um assassino. Fizemos uma vistoria geral. No encontramos drogas
ou qualquer coisa roubada. Ele tinha um telefone.




                                    107
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Um telefone, voc disse? -- perguntou Axel. No tom de sua voz
pde-se perceber uma certa excitao.
     -- Sim, foi isso o que falei...
     -- Esse telefone talvez possa nos dar alguma informao. Procure
saber para quem ele ligou ou se recebeu alguma chamada recentemente.
Isso pode nos ser til. Mais alguma coisa que eu deva saber?
     -- Sim. Tambm entreguei uma cpia desse relatrio para o capito
Sander e... ele quer falar com voc.
     -- . Eu j sabia disso, mas no estou a fim de encar-lo no
momento.
     -- Pois  bom se preparar. O homem no est nos seus melhores
dias.
     Axel abriu a pasta e passou rapidamente os olhos pelas folhas
repletas de informaes. Disse:
     -- Imagine eu, Levi. Imagine eu.

                                  &&&
     Carlos enxugou mais uma vez as lgrimas quentes dos olhos e
suspirou. O peito parecia impregnado de algo que no conseguia
identificar. Sabia somente que,  medida em que Alan falava do amor de
Deus aquilo aumentava de volume. Alan continuava a declarar:
     -- Este  o meu Deus, Carlos. O Deus verdadeiro, capaz de tirar o
mais vil homem do fundo do poo e ergu-lo, transformando-o a seguir
numa nova criatura, que poder andar com a cabea erguida e seguir
sempre em frente, com uma verdadeira alegria que nunca ter fim.
     Carlos mordia o lbio inferior, remoendo cada palavra dita por
aquele homem que parecia saber exatamente o que ele queria: andar de
cabea erguida, tendo uma alegria que procurara em vo nas mulheres,
bebidas e at mesmo no mundo do crime, e ser verdadeiramente livre.
     -- Agora, quero lhe fazer uma pergunta -- voltou a falar Alan, seus
olhos incondicionalmente vidrados no semblante quebrantado de
Carlos. -- Talvez esta seja a mais importante que algum j lhe fez na
sua vida ou que ainda algum far. Diante de todas essas provas de que
Deus  amor e que Ele o ama de maneira especial, de tal forma que tem
lhe conservado a vida at o dia de hoje para que nesse momento voc
saiba de tudo isso. Carlos... voc quer aceitar, assim como um dia eu
aceitei e at hoje o sirvo... Quer aceitar a Jesus cristo como o seu Senhor
e Salvador?
     A respirao de Carlos era abafada e um tanto acelerada. Seus
lbios tremiam novamente.


                                     108
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Eu... eu...
     Subitamente o telefone tocou. Os dois olharam sobressaltados para
o aparelho. Os demais jovens, sabendo que nenhum dos dois poderia
atender qualquer ligao, voltaram  sala. Fbio atendeu, levou o fone
ao ouvido. Voltou-se para Jos.
     --  sua esposa. Quer falar com voc.
     Envergonhado por certamente estar interrompendo a conversa
entre os dois homens, Jos deu de ombros olhando para Alan.
     -- Desculpe... ela foi visitar os pais e... deve ter acontecido algo...
     -- No precisa se desculpar, Jos. Atenda tranqilamente sua
esposa -- apaziguou o homem de Deus.
     O jovem colocou o fone  altura da boca.
     -- Ol, querida, tudo bem... -- foi interrompido e seus olhos se
estreitaram e ento se arregalaram numa expresso de espanto e
incredulidade absoluta. -- Voc tem certeza disso? Passou na TV e todos
viram... Sim, ele est bem, mas... Certo, certo. Est bem, querida, volte o
mais breve possvel, est bem? Eu te amo.
     Desligou e encarou a todos com os mesmos olhos de espanto.
     -- O que foi, Jos? O que aconteceu para voc ficar desse jeito?
     -- Minha mulher... Ela falou que estava assistindo TV com a me e
o planto do jornal local entrou no ar e... deu a notcia de que o
policial...
     -- Ele j foi enterrado, j sabemos -- Fbio tentou ajudar.
     -- No... Ele no foi enterrado.
     Carlos ergueu-se num salto.
     -- O qu?
     -- A notcia dizia que ele no morreu... Ainda est vivo em um
coma profundo. Parece que um agente da polcia armou todo o esquema
do enterro para livr-lo de um outro atentado. Porm, parece que
descobriram onde o policial estava e tentaram mat-lo... pra valer.
     Carlos levou as mos ao rosto. Um suspiro demorado saiu de suas
narinas e ento um gemido escapuliu lgubre de sua boca.
     -- Essa no... Essa no! Vip est querendo acabar de vez comigo!
Esse policial  minha chance de ficar limpo. Mas ele no quer deixar nem
um fio de esperana que seja -- baixou os braos e fitou Alan. -- Tenho
que sair daqui. No h mais tempo para mim. No posso ficar parado
sem me defender enquanto ele est trabalhando contra mim.
     -- Deus trabalha pra voc, Carlos. Aprenda isso!
     O outro abanou a cabea com pesar.
     -- Desculpe, pastor, mas... no posso. No agora... No posso.


                                     109
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Caminhou para a porta. Parou, levou a mo para debaixo da camisa
e tocou novamente a arma automtica. Outra vez era os dois juntos para
uma batalha; duas armas prontas para o pior.
     Eu confio nesta Palavra e eu confio em Jesus quando Ele falou que aqueles
que forem a Ele, de maneira nenhuma os lanar fora. Essas palavras serviram
um dia para mim, e hoje elas esto servindo para voc, amigo.
     Tudo o que fora dito ainda martelava na sua mente, e uma voz lhe
falava como um eco: Volta! Volta! Volta! Volta!
     Ele abanou a cabea teimando em afastar tudo aquilo to ntido em
sua alma. No h volta, disse a si mesmo e saiu.
     O silncio reinou na sala por alguns minutos. Alan comeou a
soluar num choro contido e abafado.
     -- Agora  contigo, Senhor. Faa-se a Tua obra da forma que Tu
assim o quiseres -- sussurrou.

                                 &&&
     Como o Habitual, Axel deu duas pequenas batidas na porta da sala
do Capito Sander antes de entrar.
     -- Pois no, capito. Queria falar comigo?
     Afonso Sander balanou afirmativamente a cabea com o ar de
superioridade de sempre.
     -- Sim, Axel, queria muito lhe falar a respeito de tudo o que
aconteceu nesse bendito enterro e as conseqncias que ele acarretou
para a minha reputao...
     Axel suspirou imaginando o que viria a seguir, entretanto se
equivocou.
     -- Mas tenho uma coisa mais urgente para tratar com voc -- ele
tirou uma pasta de uma das gavetas de sua mesa e ofereceu-a para Axel.
-- J sabe o que  isso?
     -- Sim. Levi j me entregou uma e me relatou o que encontrou.
     -- , mas... me aprofundei mais nisso, Axel, e... tenho uma notcia
que acho que vai choc-lo.
     -- O senhor mandou investigar o telefone?
     -- Exatamente. E adivinhe o que encontramos: Existiam quatro
ligaes recentes na lista que obtivemos, e elas foram feitas... pela
namorada de Pablo, Caroline Lima.
     Axel no pareceu to abalado. Afinal, Caroline era um dos seus
suspeitos. Apenas meneou a cabea lamentando.
     -- Coitado do Pablo. Ele a amava cegamente.




                                     110
           Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    -- Dizem que o amor  cego, meu caro, mas s vezes essa cegueira
pode nos matar.
    -- Sem dvida. E agora, o que faremos?
    -- O prximo passo  saber onde ela se encontra no momento e
mandar algum com o mandado de priso que j pedi assim que recebi a
investigao sobre os telefonemas. Ela no ir escapar.
    -- Espero que no, senhor.




                                   111
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                           Captulo 36



O    telefone foi atendido ao quarto toque. A voz grave de Rodolfo soou
    melanclica, mas Carlos no deixou que completasse uma s
palavra.
     -- Coloque o Vip nessa linha agora mesmo. Diga a ele que  Carlos
quem est falando, e  bom que ele atenda logo ou ir se arrepender.
     Em dois minutos Vip estava com o fone colado ao rosto. A
respirao pereceu abafada e pesada, no tom de sua voz uma certa
frustrao que tentava esconder.
     -- Ei, Carlos, o que voc quer agora?
     -- Vou ser breve, por isso preste ateno. No estou nem a para o
imprio ou para isso que voc chama de poder, isto , no tenho medo
de voc. J tive, um dia, mas agora voc no significa nada para mim --
sua indignao e dio transpareciam em sua voz e fazia questo disso.
-- Sei que voc quer de todo jeito me botar em maus lenis com a
morte daquele policial, mas desta vez voc se deu mal, no foi?
     -- Quem voc pensa que , seu metido a espertalho...
     -- Ei! Sabe que eu posso ser aquele que pode transformar toda a sua
fortaleza em p. Por isso vou falar pela ltima vez: no me passe para
trs de novo. Quero Nicole... viva... ao meu lado. Apenas isso.  muito
fcil pra voc fazer isso, ento faa, ou vou fazer essa fita voar at as
mos de pessoas que ainda no esto sob o seu domnio e alm do mais
no ser muito difcil eu abrir o bico, como um bom pato que sou.


                                    112
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

      Vip, sabendo que o tempo lhe era precioso por demais, foi direto ao
assunto:
      -- Como quer que tudo seja feito?
      -- Suas brincadeiras j me desgastaram. Quero um encontro. Um
ltimo encontro, com voc e com ningum mais. Ou voc estar presente
com ela ou nada feito, a voc dana de vez.
      Vip esboou um sorriso Sarcstico.
      -- Estamos falando da sua noivinha, estou enganado? Voc quer
que ela morra? Sabe que se eu danar, ela segue o mesmo caminho.
      --  um risco que tenho que correr, j que no tenho mais nada a
perder. A cidade inteira est atrs de mim. Estou me esgueirando pela
escurido para no ser visto por ningum, e isso por uma coisa que eu
no fiz, uma acusao de assassinato de um policial, coisa que no
ocorreu. Se mat-la, ser apenas algo a menos nessa minha vida
miservel, no  mesmo? Mas... e quanto a voc? Voc tem tudo aos
seus ps. Se as coisas esquentarem para o seu lado o seu mundo ruir.
Ou seja, tem muito mais a perder do que eu, Vip.
      O silncio de Vip apenas demonstrou que Carlos estava coberto de
razo. Carlos no tinha nada, ao contrrio dele, que tinha tudo e um
pouco mais. Entre a moa morrer e a fita cair nas mos da polcia, quem
sairia perdendo imensamente era o chefo do crime de Melmar.
      -- Certo -- concordou Vip. -- Onde quer o encontro? No mesmo
lugar de antes?
      -- No. No seria prudente de minha parte. Os tiras devem estar
passando por l freqentemente agora e tambm eu daria uma brecha
pra voc e Lucas armar outra das suas armadilhas.
      -- Ento me diga, meu caro, onde voc quer que nos encontremos
desta vez?
      Houve um momento de silncio por parte de Carlos que deixou Vip
um tanto nervoso. Carlos respondeu secamente:
      -- Vamos nos encontrar no seu restaurante, e isso ainda vai ser hoje,
s onze da noite. Quando...
      -- No meu restaurante, e ainda hoje? -- Vip interrompeu-o
ligeiramente transtornado. -- Voc  louco? No posso...
      -- No seu restaurante ou tudo estar acabado pra voc. s onze 
uma hora bem movimentada, no ? Assim tudo correr bem, para a
felicidade dos seus cliente, espero.
      Vip ficou quieto. Carlos continuou:




                                     113
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Quando eu chegar l, quero que voc esteja me esperando na
mesa central do salo com Nicole ao seu lado. Se eu vir algum dos seus
capangas do seu lado, dou meia volta e voc nunca mais me ver.
     -- Quero uma garantia de que voc vai estar com a fita e que no
existir cpias.
     -- D-me uma garantia de que Nicole vai estar l e que a ir me
entregar ilesa.
     -- Dou-lhe a minha palavra -- prometeu Vip, solenemente.
     -- Apesar de saber que voc no tem uma, espero que desta vez
haja uma exceo j que seu mundo est em jogo.
     -- Voc est...
     -- No falhe comigo de novo. At l -- disse Carlos
apressadamente, sem esperar mais palavras ou explicaes e desligou.
     -- ...me subestimando... -- Vip viu que ningum mais o ouvia do
outro lado da linha. -- Droga! Carlos, voc vai me pagar caro!

                                &&&
    Cinco homens estavam  frente da mesa de puro mogno onde Vip
sentava imponente. Encarou cada um deles com olhar inquiridor e
perguntou sem suspense:
    -- O que vocs esto fazendo para encontrar Carlos e o outro
homem que estava com ele?
    Os capangas trocaram olhares antes de um deles responder com a
voz entrecortada pelo receio:
    -- Temos procurado os dois, senhor, mas infelizmente no vimos
tendo sucesso. Estamos continuando as buscas e sei que logo teremos
uma boa notcia para lhe dar. Logo o senhor vai saber onde ele est.
    -- Como  o seu nome, filho?
    -- Gilson, senhor.
    -- Oua aqui, Gilson, quero que voc e esses quatro sumam da
minha frente. So uns incompetentes! Ele acabou de me ligar enquanto
vocs estavam se divertindo em vez de fazer um trabalho decente. Da
prxima vez que eu pedir para fazerem um trabalho,  melhor que
faam ou no sei o que poder acontecer a vocs.
    Fez uma pausa para que aquilo ficasse gravado na mente de cada
um deles. Disse finalizando:
    -- Vocs entenderam? -- todos fizeram um sinal positivo com a
cabea. -- Podem ir agora.
    Quando todos saram Vip ligou para Tito.



                                    114
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    -- Tito, quero que resolva um problema: Sabe quem  Gilson? Pois
bem, acho que ele no serve mais para a organizao, entende o quero
dizer? timo... Confio em voc.
    Desligou, tendo a certeza que suas palavras continuariam tendo
crdito para seus empregados depois daquela ordem.

                                  &&&
     Carlos desligou o telefone e ficou encostado ao telefone, pensando
que aquela era a sua ltima oportunidade de ver Nicole com vida e sua
ltima esperana para t-la ao seu lado. Seus olhos umedeceram
rapidamente ao pensar na possibilidade de viver com ela e ter uma vida
comum, com um emprego comum.
     Lembrou que mentira ao dizer, em outras palavras, que ele no se
importava mais tanto com ela, pois ele no tinha muito o que perder j
que sua vida estava um caos. No, aquilo no era verdade. Ele a queria
desesperadamente e faria de tudo para resgat-la e recuperar seu amor,
se fosse preciso.
     Subitamente algum se aproximou do telefone pblico onde estava.
Ele deu as costas rapidamente, escondendo o rosto.
     -- O senhor j acabou com o telefone? -- perguntou uma voz
feminina. -- Eu preciso us-lo e...
     -- Oh! Sim, claro. Eu j estava de sada, fique  vontade.
     Imediatamente se esgueirou para longe dali, novamente
caminhando pelas sombras.

                                &&&
     Depois de um rpido telefonema, Melina e Tina resolveram
conversar pessoalmente. Encontraram-se na biblioteca da cidade e
sentaram em um banco largo reservadas queles que quisessem se
deliciar com uma boa leitura.
     -- Contei o que sabia e o que achava para o seu marido. No sei
explicar bem como reagiu, mas o que importa  que falei o que estava
entalado na minha garganta. Meu marido no pode estar sendo
procurado por uma coisa que no cometeu!
     Tina concordou com um meneio de cabea.
     -- Eu sei, Melina. Tenha calma que tudo se resolver. O que foi que
ele disse?
     -- No falou muita coisa. Pediu que repetisse tudo umas duas vezes
e no final disse que, se depender dele, Alan estar logo de volta para
casa. O que acha?


                                    115
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    -- Bem... conhecendo Axel do jeito que conheo, no posso lhe
garantir que ele acreditou plenamente em tudo o que voc disse, mas...
com toda a certeza ele vai at o fundo dessa histria. Se no final ele
constatar que tudo condiz com o que voc relatou, sem dvida alguma
tomar providncias a favor de Alan.
    -- Mas tudo o que falei  a mais pura verdade. Deus sabe que sim!
    Tina sorriu confortadoramente. Falou:
    -- Sendo assim, querida, tenha confiana em Deus e na justia, e
tudo acabar bem para voc e seu marido.
    Melina sorriu finalmente, na esperana que aquelas palavras se
tornassem realidade.

                                &&&
     Caroline estava na redao, editando uma fita de sua mais recente
reportagem. Logo mais a matria estaria em destaque no telejornal das
oito horas.
     Era comeo de tarde. Ainda teria um bom tempo para deix-la no
capricho e isso a animava, pensou; ainda mais porque...
     Subitamente a porta foi aberta atrs de si e ela girou sentada na
cadeira. Axel e outros dois policiais estavam parados fitando-a com
olhar inquiridor. Caroline se levantou e mostrou-se confusa ao
perguntar com voz entrecortada:
     -- Axel... Algum problema? Descobriu algo mais que pode ajudar
no caso de Pablo? Voc sabe que pode contar comigo...
     Axel interrompeu-a brandamente:
     -- Descobri, sim, Caroline. Voc est presa por ser a co-autora da
tentativa de assassinato de Pablo Tavares -- Um dos policiais mostrou
um mandato de priso e caminhou at a reprter. Algemou-a a seguir.
     -- Espere, deve haver algum engano! Um grave engano, Axel!
Como eu poderia ajudar a assassinar o homem que eu amo? Deus! Isso 
um absurdo.
     Entretanto o policial comeava a lev-la para fora da sala de edio
enquanto lia seus direitos. Ao passar pela sala de redao Caroline viu
todos os olhares voltados para ela. As lgrimas comearam a descer de
seus olhos e o desespero a tomar conta de si.
     -- Tem que me escutar, Axel. No fui eu! No fui eu!
     O policial falou:
     -- Tudo o que disser ser usado contra voc no tribunal...




                                    116
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Alguns minutos depois, Caroline Lima estava dentro da viatura
estacionada na garagem do edifcio do Canal Sete e pronta para ser
levada para a cadeia.

                                  &&&
     -- Como se sente? -- indagou Andrey ao preocupado homem
sentado ao seu lado no sof. O olhar de Alan estava distante, perdido em
algum ponto na parede. O mdico insistiu na pergunta: -- Alan... Como
se sente? Ainda di, ou sente nuseas?
     O transe de Alan foi quebrado e seus sentidos voltaram  casa de
Fbio e Vitria. Tentou sorri e falou:
     -- Estou me sentindo bem, apesar de ter a sensao de estar sempre
cansado.
     -- Isso  normal. O importante agora  que voc no faa qualquer
esforo. Tente relaxar e descanse, pois e pior j passou.
     Alan suspirou e pareceu voltar a fixar o olhar na parede.
     -- Estava justamente pensando, Andrey, que o pior ainda no
passou, e... acho que no posso descansar ou relaxar por muito tempo,
porque ainda tenho algo a fazer. Algo que ainda no sei, mas estarei
esperando a voz do Senhor novamente me dizer do que se trata. Creio
que agora tenho apenas que orar. -- Voltou-se para o jovem mdico. --
Voc pode orar comigo?
     Andrey sorriu e assentiu com a cabea.
     -- Claro. Vamos orar, ento.

                                 &&&
     Dolorosamente, Axel escoltou Caroline -- que continuava insistindo
que era inocente -- at uma das celas da Central de polcia de Melmar e
trancou-a atrs das grossas grades de ferro de cor escura -- escura como
a dor que sentia no peito por estar prendendo a mulher que h dois dias
atrs pensara ser uma aliada, e h duas horas, somente, descobrira que
se tratava de uma criminosa sem escrpulos.
     Pensou em alguns momentos em que Caroline se mostrara
inegavelmente abalada com o que havia acontecido com Pablo. Como
ela pode mentir to descaradamente? O pior  que ele no percebera
nada nela que pudesse denunci-la e isso o chateou ainda mais.
     Voltou  sala e deixou-se afundar na poltrona atrs da mesa repleta
de papis de relatrios. Aquele trabalho estava lhe custando alguns
cabelos brancos, sem dvida alguma.




                                    117
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     A porta se abriu chamando sua ateno. Era o corpulento capito
Afonso Sander entrando sem pedir licena, como sempre.
     -- Como foi, Axel? O que ela disse?
     O agente repousou a cabea no encosto da poltrona antes de
responder:
     -- Nada alm de negativas. O senhor sabe melhor do que ningum
que todos falam as mesmas coisas de sempre. -- respirou
profundamente. -- Estou arrasado capito... Isso  algo inconcebvel!
Como algum pode seu to hipcrita e disfarar um carter destes?
     -- Talvez ela nem disfarou to bem assim, meu caro. Talvez nesse
jogo de tentar buscar as respostas depressa demais  que camos na
armadilha de no nos prender ao que est acontecendo prximo a ns.
     Axel melancolicamente concordou balanando a cabea.
     -- Acho que tem razo.
     Sander sorriu e piscou o olho.
     -- Eu sempre tenho.
     Com duas batidas na porta um oficial meteu a cabea pela porta.
     -- Com licena... Capito, h um telefonema na sua sala que parece
urgente...
     Sem hesitar, Sander acenou para axel se despedido. Disse
finalmente: -- Axel, voc deu o melhor de si e isso  o que importa. --
Acelerou o passo para a sua sala deixando o agente a fitar o oficial que
ainda se mantinha  porta.
     -- Mais alguma coisa, oficial Lzaro?
     -- Oh, sim, Axel! O rapaz do outro dia voltou novamente, e como
voc tinha sado pra pegar a Caroline Lima... Ele disse que voltaria
depois. Novamente insistiu que s falaria com voc e com mais
ningum. Ele parecia meio nervoso.
     -- Como era esse rapaz, Lzaro?
     -- Branco, com sardas no rosto, olhos profundos, na casa dos vinte
anos... Nunca o vi antes. S sei que pareceu algo bem importante e
indispensvel.
     Axel olhou para a sua mesa e desejou que toda aquela papelada
sumisse como por encanto da sua vista e que a sua vida voltasse  rotina
de antes. Retirou-se do mundo dos sonhos e dirigiu-se a Lzaro:
     -- Ento faa o seguinte: quando esse rapaz aparecer novamente
faa o favor de me localizar e eu virei falar com ele sem falta, est bem?
     -- Farei o possvel -- o oficial fechou a porta atrs de si.
     Axel fechou os olhos e tentou pensar em algo que mantivesse sua
mente distante dali, daquele dilacerante sentimento de angstia. Por


                                    118
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

qu? O que aqueles sentimento representava num dia comum de tenso
como estava acostumado a enfrentar? Seria pelo fato de terem tentado
matar Pablo? Pela sua descoberta de que havia corrupo na polcia da
cidade e ele estava indefeso a esse respeito; ou pelo triste acontecimento
da tarde, em que prendera a reprter do Canal Sete -- a ento namorada
de Pablo Tavares? Tantas perguntas e nenhuma resposta -- mais uma
vez. Ser que alguma coisa podia tir-lo daquela fossa?
     Subitamente seu pager bipou. Pegou o pequeno aparelho na mo e
levou-o  altura dos olhos.

                  COMO VOC EST? ESTOU COM SAUDADES.
                  TE ESPERO  NOITE PARA JANTAR. ME LIGA.
                                  SANDRA.

     Prendeu-o de volta  cintura. Olhou para o aparelho telefnico e
trouxe para perto de si. Tomou o fone na mo e discou o nmero de
Sandra. Comeou a chamar. De repente desistiu e colocou o fone de
volta ao gancho. O que estava fazendo? Perguntou-se. O que estava
havendo para que nos ltimos dias, ou melhor, desde o ltimo encontro,
seu interesse por Sandra tivesse diminudo to drasticamente? No
mesmo instante uma ntida imagem de Tina e Leonardo se formou em
sua mente. Um aperto inesperado surgiu no fundo do peito e uma
imensa necessidade de ligar para os dois se formou no seu ntimo
rapidamente. Pegou o aparelho mais uma vez e levou o dedo para discar
o nmero, mas a porta da sua sala foi inesperadamente aberta e Lzaro
se postou  porta.
     -- Desculpe entrar sem bater, mas  que o rapaz voltou de novo. Ele
realmente quer falar com voc; ele no saiu daqui no faz duas horas.
     Axel depositou o fone de novo sobre o aparelho e falou:
     --Vamos ver ento o que esse rapaz tem de to importante para
tratar comigo. Mande-o entrar, Lzaro, por favor.
     Lzaro concordou com um aceno de cabea e distanciou-se mais
uma vez. A pessoa que apareceu em seguida foi um jovem alvo, alto e
de sardas espalhadas pelo rosto. Lzaro, atrs dele o conduziu para
dentro da sala.
     -- Obrigado, Lzaro -- agradeceu Axel. -- Pode nos deixar a ss.
     Aps o oficial se retirar o cubculo, Axel apontou para uma cadeira.
     -- Pode sentar, senhor...
     -- Sagarta -- emendou o jovem --, Manoel Sagarta.



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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Axel observou-o sentar na cadeira e permanecer imvel, com jeito
desconfiado.
     -- Em que posso ajud-lo, Manoel? Disseram-me que voc veio aqui
outras duas vezes procurar por mim, mas eu no estava. Estou curioso
para saber o porqu de tanta urgncia em falar-me.
     Manoel Sagarta limpou a garganta pigarreando e falou, tentando ser
o mais claro possvel:
     -- Estou aqui porque sou... era amigo de... Alberto Linhares...
     -- Alberto? Voc o conhecia de onde?
     O rapaz continuou lentamente:
     -- ramos amigos de escola,  claro que isso foi depois que ele se
livrou das drogas, e segundo ele, isso no teria sedo possvel se voc no
tivesse entrado na vida dele.
     Meio ruborizado Axel interps:
     -- Bem, mas acho que isso no tem nada a ver com sua vinda aqui,
no ? -- olhou nos olhos do jovem. -- Ou ser que tem?
     Manoel suspirou, visivelmente abalado ou como se suas foras
estivessem para se esvair falou:
     -- Bem que eu queria que tivesse -- disse ele --, mas infelizmente
no tem nada a ver.  algo que no sei se  seguro falar aqui... --
receoso olhou para trs, na direo da porta.
     -- Pode falar, meu jovem -- o agente tentou tranqiliz-lo --, as
pessoas hoje esto muito ocupadas por aqui e...
     -- Mas o que tenho para lhe entregar est diretamente ligado com
algumas pessoas daqui -- Manoel puxou um envelope de dentro da
blusa. -- Alberto me entregou este envelope e disse que, se ele no
voltasse a me encontrar dentro de vinte e quatro horas, era pra eu
entregar isso at voc. S a voc.
     Axel se levantou e deu a volta pela mesa at ficar atrs do rapaz.
     -- E como voc sabe que isso est relacionado com as pessoas
daqui.
     -- Eu abri -- disse Manoel secamente. -- Sei que a curiosidade
matou o gato, mas Alberto morreu por causa disto aqui, tenho certeza. E
eu queria saber o que h de to macabro neste envelope que possa custar
a vida de algum. Agora eu sei.
     Manoel estendeu o envelope na direo de Axel e este tomou em
suas mos. Sem demora abriu e passou os olhos por cada linha ali
impressa. Em instantes, um embrulho comeou a corroer seu estmago e
um enjo passou a lhe incomodar. Nada daquilo podia ser verdade.



                                    120
           Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

Tinha de ser uma inveno. Mas ento se lembrou de que uma vida
tinha sucumbido por causa daquelas linhas, daquelas verdades.
    Sem agentar mais ler o contedo do relatrio descoberto por
Alberto Linhares, Axel balbuciou splice:
    -- Oh, Deus! Que o Senhor tenha misericrdia de nossas vidas!




                                   121
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                           Captulo 37



A  xel estava desnorteado. Olhou para Manoel e encontrou em seus
   olhos uma expresso de curiosidade. Com certeza estava esperando o
que viria a seguir. Mas o que viria a seguir? O agente se perguntou. O
relatrio que segurava nas mos era algo que mudava totalmente o
rumo das investigaes e talvez era a grande chave para todo o quebra-
cabea que estava pronto para ser montado.
     Disse a Manoel:
     -- Bem, acho que voc j fez o que devia fazer. Agora  por minha
conta.
     O jovem chegou mais perto e perguntou entusiasticamente:
     -- O que o senhor vai fazer agora que tem isso nas mos?
     -- Tenho que pensar um pouco, mas... vou ter que agir rpido. Isto
aqui vai me um trabalho e tanto.
     -- S espero que tudo se resolva agora que isso est nas mos
certas. Estava com medo que algum descobrisse que estava comigo e
que eu viesse a ter o mesmo fim que Alberto teve, que Deus o tenha.
     Axel estendeu a mo para Manoel e este a tomou fortemente na sua.
     -- Obrigado por ter me entregado isto.  muito importante isso que
voc fez. Certamente salvar muitas vidas.
     Manoel sorriu contente. Declarou:
     -- Era o que Alberto queria. Ele ficar feliz com isso.



                                    122
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Mesmo se lembrando do Salmo 146:4 (Sai-lhe o esprito, e ele volta para
a terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos). Axel concordou
com o jovem. Manoel acenou, deu s costas e saiu cautelosamente da
sala, deixando Axel sozinho novamente.
     Ele sentou-se um instante e tentou pensar rpido. Fazer alguma
coisa era imprescindvel. Abriu a porta e caminhou at a sala de Afonso
Sander. Entrou na sala do capito e procurou-o com os olhos, mas ele
no estava l.
     Axel foi at a recepo. A moa atrs do balco olhou para ele e
sorriu.
     -- Boa tarde, agente Brendel.
     -- Oi, Ktia. Viu para onde foi o Capito?
     -- Oh, no, ele recebeu o telefonema e saiu meio apressado. No
disse aonde ia. S pediu para anotar os recados.
     Axel sorriu agradecido.
     -- Obrigado.
     Voltou para sua sala, sentou e colocou a cabea entre as mos
suadas. Pegou novamente o relatrio de Alberto Linhares nas mos e
releu-o pela dcima vez. Suspirou fechando os olhos e pensou em quem
confiar dali por diante, pois o contedo das folhas  sua frente revelava-
lhe que muitos ali no eram dignos dos postos em que atuavam.
Principalmente...
     Capito Sander... Pensou Axel, com uma pontada de ira no corao,
no foi Caroline quem deu o telefonema para que pudessem matar Pablo e sim
voc. -- ele empertigou-se. -- Por que o capito da central de polcia da
cidade faria isso? Por que estaria envolvido com a Quadrilha Vip e,
principalmente, tentaria matar Pablo Tavares?
     Estudou novamente o relatrio e viu um nmero em negrito
circulado. Aquilo seria algum recado de Alberto? Levantou-se e dirigiu-
se outra vez  recepo.
     -- Ktia, anote esse nmero com um crculo ao redor e descubra de
onde , est bem? Quando j souber me avise, por favor.
     -- Certo, pode deixar.
     Axel deu as costas para se distanciar, mas ento se voltou para a
recepcionista novamente.
     -- Quase ia me esquecendo... Se perguntarem o que est fazendo,
no responda; tente no deixar ningum ver quando estiver fazendo
isso; somente entregue o que descobrir para mim; e se o capito chegar,
avise-me, est bem?
     Ktia concordou com a cabea.


                                     123
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    Axel fitou-a por algum tempo e se afastou, perguntando-se se podia
confiar nela.

                                 &&&
     Carlos olhou para o relgio de pulso e contou as horas. Faltavam
cinco horas para encontrar-se com Vip e... com Nicole. A lembrana dela
fez seu corao disparar. Aquilo era inevitvel. Respirou fundo tentando
recompor as emoes e pensou em todas as possibilidades que tinha de
sair daquele encontro ileso e com ela ao seu lado. Tinha conscincia de
que isso era quase impossvel. Podia confiar em Vip e Lucas? Podia ter
certeza de que o medo de perderem seu imprio de crime pudesse faz-
los esquecer a fria que sentiam por ele e deix-los partir?
     Decidiu que o melhor seria bolar um plano para cada situao
adversa que pudesse surgir. Ento comeou a colocar a mente para
funcionar.

 Olhai para mim, e sereis salvos, vs, todos os confins da terra; porque eu sou
                             Deus, e no h outro.

    Droga! Exclamou. Por que no podia esquecer tudo o que leu
naquele livro? Levou as mos  cabea e tentou mais uma vez distanciar
o versculo da mente.

                                  &&&
     -- Deus, onde Carlos pode estar nessa hora? O que ele est
fazendo? -- quis saber Alan, esperando uma resposta do alto.
     Fbio, Vitria e Jos estavam a olh-lo, sem nenhuma resposta para
dar. A mulher se sentou ao seu lado e pegou-lhe a mo.
     -- Alan, no se preocupe com ele. Se Deus tem algo para sua vida
certamente o proteger -- disse ela.
     -- As coisas no funcionam assim, Vitria -- replicou Alan. -- J
falei da Palavra para ele. Se ele no se convencer de que nada pode sem
Deus ao seu lado, talvez venha acontecer algo de ruim a ele, e ento o
Senhor nada poder fazer, pois ele j sabe a verdade e mesmo assim no
se rende a Ela. Se... pelo menos eu pudesse saber onde ele estava
poderia ir ao seu encontro e falar mais sobre o amor de Deus...
     -- Voc j fez tudo o que estava ao seu alcance, Alan --
tranqilizou-o Fbio --, e alm do mais, o que poderia fazer no estado
em que se encontra?
     Uma lgrima rolou dos olhos de Alan enquanto falou:


                                      124
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- No sei, meu irmo, mas pelo menos eu estaria fazendo o que o
Senhor me mandou: Estar ao lado de Carlos e falar-lhe sobre aquele que
pode todas as coisas: Jesus Cristo.
     Andrey se agachou  frente do velho amigo e falou com voz suave:
     -- O que resta pra voc fazer agora  apenas esperar o que Deus ir
fazer, amigo. Tente compreender que o seu tempo j acabou e que o
tempo agora  o de Deus.
     Alan abanou a cabea de um lado para o outro, como se no
concordasse com o que o jovem mdico acabara de falar.
     -- No sei, Andrey, mas ainda acho que o Senhor est me
reservando uma ltima coisa. No sei exatamente o que , mas sei que
Ele h de me dizer.

                                 &&&
     Os olhos de Caroline denunciavam o seu cansao e desespero.
Como podiam acus-la de tramar a morte do homem a quem amava?
Aquilo era impossvel! Lgrimas correram novamente pelo seu rosto. Ela
fechou os olhos e os limpou. Ao abri-los enxergou Axel  sua frente.
     -- Como voc est? -- perguntou ele.
     -- Como acha que estou, trancada aqui por uma coisa que jamais
faria?
     -- As provas caram sobre voc; te incriminam, sem sombra de
dvida...
     -- Mas eu nunca faria mal a ningum, Axel, principalmente ao
Pablo... Meu Deus! Como eu poderia querer matar o homem com quem,
quero casar e ter filhos!
     Axel se interps:
     -- Caroline, escute...
     -- No, Axel! Eu nunca mataria Pablo Tavares, ser que ningum
entende isso!!!
     -- Eu entendo, Carol! -- falou ele em voz alta. -- Foi para isso que
vim aqui. Tenho uma prova que a inocenta e que incrimina o verdadeiro
responsvel: o capito Afonso Sander.
     Os olhos da reprter arregalaram ao receber a confidncia.
     -- No acredito... O capito?!
     Axel apenas meneou com a cabea e fez um gesto com a mo para
que ela falasse baixo.
     -- Ento agora eu posso sair daqui -- comemorou Caroline.
     -- No  to fcil assim. Primeiro tenho que levar as provas at
meus superiores e ento expediro um mandado de sua soltura -- ele


                                    125
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

esticou a mo para ela, que tomou-a nas suas. Ele falou: -- Tenha f em
Deus e tudo se resolver. Enquanto isso deve manter isso em segredo.
     -- Tudo bem, pode confiar em mim. Axel... como est Pablo?
     Axel sorri confortadoramente.
     -- No se preocupe, ele tem a proteo de um esquadro inteiro
vinte e quatro horas por dia, agora. Dessa vez a quadrilha se deu mal.
Voc ficar bem?
      -- Vou ficar... Por Pablo Tavares.

                                 &&&

     Vip estava diante de Lucas e demais empregados. Seus olhos
faiscavam de ira e seu semblante transpirava crueldade. De p, ele
apreciava pelo vidro fum do quarto andar do Quaid's a movimentao
da rua l embaixo.
     -- Foi o fim da picada o que Carlos props -- comentou Lucas. --
Voc no pode encontr-lo no meio do restaurante, isso seria loucura! J
pensou se...
     Vip levantou a mo e Lucas cessou a fala instantaneamente.
     -- Que outra alternativa eu tenho? -- perguntou o cabea da
quadrilha, fitando-o. Ele mesmo respondeu: -- Nenhuma. Tenho que me
arriscar. O que no pode acontecer  aquela fita parar na mo da polcia,
ou melhor, daqueles que no esto conosco.
     -- Por falar nisso, j contatei Afonso Sander -- informou Lucas,
prontamente --, falei-lhe sobre o encontro de logo mais. Ele falou que
iria tomar algumas providncias e na hora marcada estar presente, e
logo que Carlos lhe entregar a fita ele entrar em cena e dar um jeito
nele.
     -- Um jeito definitivo, eu espero. Depois desta, no vou querer nem
ouvir falar mais o nome Carlos pelo resto da vida.
     Vip mirou outra vez para a rua l embaixo. Houve uma leve batida
na porta e abriram-na. Tito entrou conduzindo Nicole pelo brao e
largou-a diante do poderoso traficante. Ele tirou os olhos da janela e ps
sobre ela. Estudou-a dos ps  cabea.
     -- Agora entendo porqu Carlos  to louco por voc. Sem dvida 
muito bonita.
     -- Quem  voc? O querem comigo, agora?
     -- No importa quem realmente sou, mas...  importante saber que
sou seu anfitrio. E o que queremos,  somente lhe dizer que esta noite
voc ver Carlos e sair com ele daqui.


                                    126
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- No acredito que nos deixar sair realmente daqui.
     -- Acredite. Ele tem algo de fundamental importncia para minha
vida e eu tenho algo de fundamental importncia para a vida dele -- ele
sorriu sarcasticamente. -- ...  isso mesmo. Voc  tudo o que ele quer
na vida. Isso  que  amor.
     -- O que voc entende de amor, para falar de tal sentimento?
     -- No entendo de amor sentimental, mas entendo muito do amor
ao poder! E isso  tudo para mim.  isso o que realmente importa,  isso o
que faz o meu corao disparar e me faz viver dia aps dia.
     -- Voc  louco. Voc e esses seus amigos que s sabem fazer o mal
para as pessoas.
     Tito se adiantava para castig-la pelo que falara, mas Vip ergueu a
mo novamente e o fez permanecer onde estava. Falou:
     -- Talvez tenha razo, talvez eu seja louco. Mas este louco aqui est
com a sua vida nas mos. Fique contente por no mat-la agora mesmo,
graas ao seu querido Carlos.
     Ele comeou a andar de um lado para o outro do grande recinto e
todos o seguiam com o olhar. Ele parou subitamente e apontou para
Nicole.
     -- Escute-me, agora. Daqui a algumas horas vamos nos encontrar
com Carlos e quero que voc se comporte. Se fizer isso poder sair com
ele daqui, mas at l fique de bico calado ou eu posso perder a pacincia.
     -- Farei tudo o que mandar, contanto que me deixe sair desse
maldito lugar -- disse ela num tom splice.
     -- Vocs sairo. Prometo que sairo.
     Mas mortos, completou Vip em pensamento.

                               &&&
    Axel chegou em casa e procurou imediatamente por Tina.
Encontrou-a no quarto dobrando algumas roupas sobre a cama.
Abraou-a de maneira que a deixou surpresa. Olhou-a nos olhos e falou
compassadamente:
    -- Oh, Tina, meu mundo est to conturbado ultimamente...
Preciso que me escute um pouco e... --ele suspirou. -- Vou contar-lhe o
que aconteceu hoje na central.
    Os dois se sentaram sobre a cama e Axel relatou tudo o que se havia
passado em sua sala. A conversa com Manoel, o relatrio e todas as
provas que incriminavam o capito Sander.
    -- Oh, meu Deus, isso  pior do que eu pensei! -- exclamou Tina.



                                    127
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Axel meneou a cabea, concordando. Apontou o dedo indicador
para cima quando afirmou:
     -- E ainda tem mais, querida. Veio-me um pensamento h instantes
atrs e que agora me parece to bvio e que antes no encontrava lgica,
ou melhor, no queria encontrar a lgica -- olhou dentro dos olhos da
esposa. -- O pensamento  de que o policial Oliver tambm  corrupto e
faz parte da Quadrilha Vip, e que ele e Selton queriam realmente matar
os suspeitos quando seguiram para a rodovia 3 ao invs de seguir direto
para a Central de Polcia.
     Isso fez com que Tina lembrasse de Melina.
     -- Voc pensou na mulher do homem que  um dos fugitivos,
Melina Xavier? Isso que acabou de descobrir talvez tenha alguma coisa a
ver com o que ela lhe relatou, no?
     -- Sim, ela me fez pensar em queima de arquivo. E o que ela me falou.
Falou para eu pensar no que realmente Oliver e Selton estavam tentando
fazer quando desviaram da rota da Central e me disse que ali tinha coisa
errada. Ela estava certa.
     -- Talvez ela esteja certa quando fala do marido tambm, no acha,
querido? J pensou nisso?
     -- Mas se ele  inocente, Tina, por que queriam mat-lo tambm? E
por que no nos contatou para dar-nos a sua verso da histria e nos
ajudar na soluo deste caso?
     -- No sei, querido, mas acho que ele pode estar empenhado em
fazer aquilo que Deus lhe ordenou.
     Axel levou as mos ao rosto e esfregou os olhos. Estava cansado
demais para pensar em muita coisa. Porm, mais um pensamento
tomou-lhe a mente: O recado de Sandra. Tina estava falando algo:
     -- O que vai fazer agora, Axel?
     -- Agora?
     -- Sim.
     -- Queria que orasse por mim.
     -- Orasse por voc? Mas...
     -- No posso fazer isso sozinho. Acho que no momento no tenho
foras. Sinto que algo muito grande vai acontecer logo mais, e... me
sinto fraco e indefeso...
     -- No precisa dizer mais nada, querido, vamos orar nesse
momento.
     E eles oraram.

                                 &&&


                                    128
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

      Estacionou o carro perto do hospital NR e caminhou at ficar de
frente  fachada. Oliver observou o permetro de um lado ao outro.
Notou que policiais estavam de guarda em cada local em que ele
olhasse. Iria ser muito arriscado matar Pablo, mas ele teria que dar um
jeito; e o jeito ele daria naquela noite.

                                 &&&
     Aps a orao de Tina, Axel sentiu-se melhor, ainda que se sentisse
sujo e maltrapilho. Ao tentar dormir um pouco recebeu um chamado de
Ktia pelo seu pager. Um minuto depois ele estava ligando para ela.
     -- Al, Ktia, voc me bipou?
     -- Sim, Axel,  que eu queria que soubesse que j descobri de onde
 o nmero que me deu.
     -- Sim, e de onde ?
     --  do restaurante tpico chins, Quaid's.




                                    129
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                           Captulo 38



O    relgio estava marcando dez e meia da noite na parede da sala. Jos
    olhou para os ponteiros e perguntou aos amigos sentados no sof:
     -- Alan j est a um bom tempo trancado no quarto. Depois do que
ele falou, sobre o Senhor estar lhe reservando uma ltima coisa, ele ps-
se a orar at agora.
     -- Quem sabe ele esteja certo -- especulou Fbio.
     -- Voc acha mesmo? -- quis saber Vitria.
     -- Claro! -- Fbio ergueu-se do sof e passou a caminhar pela sala.
-- Vocs sabem muito bem da intimidade dele com Deus. Se ele sente
que o Senhor ainda lhe reserva uma ordem para cumprir, o deve fazer 
buscar respostas, e  exatamente isso o que ele est fazendo l no quarto.
     -- E por quanto tempo acha que ele pode ficar l dentro? -- Vitria
perguntou novamente.
     -- No podemos saber -- comentou Andrey --, mas provavelmente
s sair de l quando souber do que se trata.
     De repente a porta do quarto se abriu e Alan apareceu. Fbio correu
para ajud-lo a caminhar at o sof. Sentaram juntos.
     -- Quero que me levem a um lugar -- pediu Alan.
     -- Lev-lo a um lugar? -- assustou-se Andrey. -- No estado em que
ainda se encontra?
     -- No interessa como estou. Sei que o Senhor me sustentar aonde
quer que eu v.
     -- E onde quer que o levemos? -- indagou Jos.


                                    130
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    Ele olhou para cada um antes de responder:
    -- Ao hospital Norton Ramos.

                                 &&&
     Passou rapidamente pela entrada e caminhou direto  recepo
onde Ktia j o aguardava.
     -- Tem certeza de que se trata do Restaurante Quaid's? --
perguntou Axel.
     -- Tenho, sim. O nmero no se encontrava na lista, ento contatei
um amigo na Melmartel. Ele localizou de onde era, mas ele falou algo
estranho: falou que esse nmero deveria estar desativado, pois no
constava chamada alguma h mais de um ano.
     Axel se lembrou do dia em que esteve na empresa com Alberto
Linhares e no conseguiram encontrar o nmero discado da casa de
Edson Kruller. Concluiu:
     -- No consta nenhuma chamada porque algum est manipulando
esse nmero; certamente est apagando as chamadas dadas e recebidas.
Mas pelo menos agora sabemos a fonte, graas a Deus e ao Alberto. Se
ele no tivesse descoberto isso jamais saberamos para onde os dois
fugitivos tinham telefonado.
     -- O que voc quer que eu faa agora?
     O agente pensou por um momento.
     -- Rena alguns policiais e diga que iremos fazer uma diligncia,
mas no fale que  nesse restaurante, est bem? Tenho que fazer uma
coisa agora, mas logo irei retornar.

                                 &&&
     Axel discou o nmero de Sandra Evans de sua sala e esperou que
ela atendesse. Logo uma voz feminina fez ouvir:
     -- Al?
     -- Oi, Sandra...  Axel quem est falando. Eu liguei pra dizer que...
que no poderemos nos encontrar hoje... Eu...
     -- Axel, voc est bem?
     -- Como?
     -- Voc est bem? -- insistiu ela. -- Desde a ltima vez em que nos
vimos notei que voc estava estranho. Principalmente na hora em que
nos despedimos.
     Ele pigarreou querendo ter a certeza de que sua voz no sairia fraca.
     -- Estou bem, no se preocupe -- tranqilizou ele.
     -- Ento, quando poder me ver novamente?


                                    131
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- No momento no posso lhe dizer isso com certeza, mas assim
que eu puder irei v-la.
     A voz dela se transformou num timbre sensual.
     -- Voc promete isso?
     Ele hesitou por um momento ante de dizer:
     -- Prometo.
     Desligou e devolveu o fone no aparelho telefnico. Pensou se
realmente queria ver Sandra Evans e perguntou-se por que sentia que
ela j no era to especial para ele. Foi ento que se lembrou da orao
de Tina. Suas palavras fluram fazendo-o ficar mais tranqilo e
amparado por Deus, ainda que se sentisse o mais impuro dos homens.
Tina era uma mulher especial; uma mulher de Deus.
     Como pude tra-la, meu Deus, Como? Questionou-se por fim.

                               &&&
     Oliver se aproximou da entrada principal do hospital Norton
Ramos. Estava acompanhado de outro policial uniformizado e se
aproximaram dos tiras que estavam de apostos, de planto. Oliver e o
outro homem apresentaram seus distintivos, mas os homens j os
conheciam.
     -- Ei, Oliver, j de volta  ativa? Sentimos muito por Selton,
sabemos o quanto vocs eram amigos.
     -- Obrigado -- o veterano policial falou rpido e com expresso
sria.
     -- O que fazem por aqui? No me diga que j os colocaram num
turno?
     Oliver agradeceu mentalmente o policial pela ajuda, aquela era uma
boa desculpa para se aproximar de Pablo.
     -- Isso mesmo -- sorriu despistando. -- Justo numa noite bonita
como estas, maravilhosa pra se curtir com a famlia, me colocam de
guarda num hospital, no  mesmo? -- Perguntou para o parceiro que o
acompanhava. Este apenas balanou a cabea concordando.
     Um dos homens de guarda ressaltou:
     -- Mas pelo menos estamos preservando a vida de um bom policial
e tambm um bom amigo.
     -- , sim -- disse apenas Oliver. Mas, assim como Selton, ter que
morrer, articulou caminhando junto ao outro tira na direo do elevador.

                                 &&&




                                    132
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    Jos e sua esposa, Snia, ficaram em casa orando por Alan. Ele
havia sado com os demais jovens para o hospital Norton Ramos h
momentos atrs. Falara para um deles ficar e continuar orando por eles,
fazendo uma cobertura espiritual, para que o Senhor movesse Sua
poderosa mo e removesse todo empecilho. Jos se candidatou e sua
esposa ficou ao seu lado.
    O casal orava:
    -- Senhor, no sei o que Alan foi fazer naquele lugar, mas estende
Tuas asas e o proteja junto com os demais...

                                  &&&
     O carro de Andrey parou em frente ao movimentado hospital e
todos espiaram ao redor.
     -- Tm policiais na entrada e com certeza deve haver muito mais l
dentro -- comentou o mdico. --  um risco muito grande pararmos
aqui, Alan.
     Alan estava no banco de trs. Tentava ser forte para se movimentar,
mesmo sentido alguma dor que vinha atorment-lo uma vez por outra.
Ao seu lado estava Vitria com o olhar fixo nele, tentando fazer com que
se sentisse um pouco melhor. Fbio, ao lado de Andrey no banco da
frente voltou-se para trs e fitou Alan.
     -- O que viemos fazer aqui, Alan? O que quer que a gente faa,
agora?
     -- No sei o que vocs tm que fazer, mas sei o que eu tenho que
fazer: tenho que entrar no hospital e encontrar o agente Pablo Tavares...
     O susto foi geral e todos expressaram no rosto a confuso que
representou aquelas palavras.
     -- Do que voc est falando? -- os trs jovens falaram
simultaneamente.
     -- Tenho que ir at ele e orar. Orar por ele, pela sua vida; para que
Deus o restaure e o desperte. Quando eu fizer isso, minha hora estar
finda e ento o Senhor agir.
     -- Mas como entraremos l dentro? -- Andrey quis saber.
     -- Fbio e Vitria sero as chaves para que eu possa passar.
     O casal tocou um olhar sem saber o que viria a seguir.

                               &&&
    Caroline estava sentada na cama da cela, com o rosto entre as mos.
Pensava em Afonso Sander e em como o mataria de milhares de formas




                                    133
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

diferentes se o encontrasse pela frente. Estava angustiada e ao mesmo
tempo exausta por estar ali naquela jaula humana.
     Ergueu-se e caminhou at as grades. Olhou para o corredor, mas
no viu ningum. Perguntou-se o que poderia estar acontecendo l fora
enquanto ela estava presa ali. Perguntou-se por que aquilo estava
acontecendo com ela, justamente com ela. Perguntou-se por que o
capito Sander acusara-a de ser cmplice na tentativa de assassinato de
Pablo.
     Claro... pensou, desta forma encobriria o seu rastro.
     Subitamente, como num estralo, surgiu em sua mente a especulao
de que Pablo estaria em grande perigo, j que at mesmo o prprio
capito da polcia de Melmar queria-o morto.
     Ela gritou:
     -- Oh, Deus, proteja o meu Pablo!!!

                                  &&&
     Alguns homens do destacamento da central de polcia estavam
diante de Axel prontos para receberem dele uma explicao para uma
convocao to urgente. Alguns ele conhecia; outros nunca tinha tido
intimidade nenhuma. Fitou cada um antes de pronunciar:
     -- Bem... convoquei-os aqui porque tenho algumas coisas para
dizer, ou melhor... revelar... -- Hesitou por alguns instantes e pensou:
Quem dentre aqueles  sua frente poderia estar fazendo "jogo duplo?" Em quem
poderia confiar?
     Ktia, repentinamente, chamou a ateno de Axel.
     -- Agente Brendel, acabaram de me informar algo estranhssimo...
     Axel puxou-a pelo brao e fez um gesto para que os homens lhe
dessem um minuto. Tomava o cuidado para que ela no falasse na frente
de todos. Levou-a para sua sala.
     -- Que coisa estranhssima  essa? -- indagou Axel, curioso.
     -- Dois policiais, Ccero e Diego, acabaram de me informar que
encontraram o corpo de Jos Nogueira.
     -- Jos Nogueira? -- Axel parecia confuso e ctico.
     -- Isso mesmo.
     -- No pode ser! Ele no  o irmo morto de Antnio Gonzaga?...
Pelo que eu sei ele tambm foi carbonizado pela quadrilha Vip h meses
atrs...
     -- Exatamente -- disse Ktia. --  por isso que disse que era muito
estranho.




                                     134
           Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    Axel no sabia mais o que pensar. A confuso agora em sua mente
no dava para se medir ou descrever.




                                   135
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                           Captulo 39



A   lan pediu o celular de Andrey e ps-se a ligar o nmero de sua casa.
    Seu corao comeou a bater descompassado, parecendo que logo
sairia pela boca.
      Os olhares curiosos e apreensivos dos jovens dentro do carro
estavam sobre ele. Alan apenas levantou o sobrolho e disse:
      -- Essa  uma boa hora para matar as saudades... e alm do mais
irei precisar dela para o que farei a seguir.
      Esperou que atendessem e ao quarto toque uma delicada voz de
menina pode ser ouvida:
      -- Al, quem fala? -- Jssica parecia rir enquanto falava.
      Alan deixou que um suspiro escapasse de dentro de si e
emocionado se esforou para que a fala sasse.
      -- Oi, meu amorzinho,  o papai...
      -- Papaaaiiii!!! -- a voz da pequena menina pareceu alterada pelo
contentamento. De ouvir o pai.
      -- Querida Tudo bem?
      -- Sim! Sim!
      -- Meu amor, chame a mame pra mim, est bem? E... oua bem:
eu te amo.

                                 &&&




                                    136
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Melina quase no acreditou quando Jssica disse que Alan estava ao
telefone querendo falar-lhe. Ela correu como nunca tinha antes corrido
na vida at a sala e pegou o fone com tanta rapidez que se impressionou
consigo mesma.
     -- Alan?  voc mesmo?
     -- Sim, amor.
     -- Oh! Graas a Deus!! -- As lgrimas foram fluindo naturalmente
dos olhos de Melina. A emoo e gratido ao Senhor era algo que no
cabia dentro de si. A voz de Alan era msica para seus ouvidos. --
Como voc est, Alan? Meu Deus, como orei por voc todos esses dias...
Tudo o que tem sado nos noticirios tem me deixado maluca...
     -- Escute, minha flor, estou muito bem. O Senhor est comigo e 
isso que importa. Mas eu queria estar do seu lado agora.
     -- Oh, meu querido... Como eu gostaria de t-lo aqui do meu lado
tambm...
     Houve alguns segundo de silncio e Alan pode ouvir um pequeno
soluar de Melina. Ele conteve uma lgrima fechando apertado os olhos.
     -- Melina, preciso fazer uma ltima coisa e quero que me ajude.
     Aquilo pegou-a de surpresa.
     -- Ajud-lo? Como? Que coisa  essa?
     -- Pode-se dizer que  a ltima parte da minha misso e... quero
que me ajude orando por mim e por Carlos, Melina. Pode fazer isso por
mim?
     Ela enxugou as lgrimas do rosto.
     -- Claro que sim, meu querido.
     -- Obrigado, minha flor. Tambm quero que ligue para o pastor
Nilton Cross e para nossos irmos na igreja. Preciso da orao de todos
eles, entendeu?
     -- Sim... Alan?
     -- Sim?
     -- Voc vai voltar para casa, no vai?
     -- Creio que sim, minha flor, se for isso o que o Senhor realmente
quiser. Tudo vai se esclarecer.
     -- Estamos esperando por voc.
     -- Tenho que desligar agora, certo? No se esquea do que lhe pedi.
Ore por mim.
     A ligao foi encerrada e Melina deixou a pequena Jssica
brincando na sala enquanto se encaminhou ao quarto onde dobrou os
joelhos e orou.



                                    137
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

                               &&&
    Desligou o celular e o devolveu para Andrey. Respirou
dolorosamente e olhou novamente para o casal Fbio e Vitria. Alertou:
    -- Que Deus esteja conosco daqui para frente como tem sido at
agora, porque at aqui tem nos ajudado o Senhor. Podem ir, vocs j
sabem o que devem fazer.
    Fbio e Vitria saram do carro e aps alguns instantes Alan seguiu
o mesmo caminho.

                                  &&&
     A reunio com os homens na central foi adiada por mais algumas
horas. Axel pediu que todos os policiais permanecessem ali por mais
algum tempo at que ele retornasse do local onde haviam encontrado o
corpo de Jos Nogueira. A murmurao foi geral, mas depois que caram
em si que se tratava de um homem que j havia sido considerado morto,
todos queriam saber mais a respeito. Por fim acabaram aceitando ficar a
espera de Axel.
     O caminho at o local do corpo fora percorrido por Levi. A
chegarem l, j havia algumas pessoas, incluindo reprteres. Axel se
lembrou de Caroline trancafiada na central. Levi interrompeu suas
lembranas.
     -- As pessoas aqui da redondeza o conheciam e encontraram o
corpo. -- comentou Levi. -- Dizem que foi dvida.
     -- Mas como dvida, Levi?! O homem estava morto at... at agora.
     -- Acho que voltou a morrer.
     -- Isso est ficando cada vez melhor -- resmungou Axel.
     -- Voc acha mesmo? Mas melhor para quem? Porque eu no estou
conseguindo entender mais nada. Uma quadrilha  investigada; os
investigadores so atrados para uma emboscada; os dois morrem; dois
suspeitos so pegos no local do crime; so levados para um lugar que
no era pra serem levados; conseguem escapar; um dos policiais que os
levava morre; um dos investigadores que foi declarado assassinado na
verdade est vivo, e novamente queriam mat-lo; agora encontramos
outro policial que foi morto pela quadrilha morrendo outra vez. Sem
falar nas coisas estranhas que aconteceram como aquele mar sangue sem
corpos l na rua Clintel com a Treze. Bem, at aqui est tudo muito
confuso, pelo menos para mim!
     -- .  um pouco confuso, sim.
     -- Um pouco? Cara, olhe ao seu redor! Em se tratando dessa
maldita quadrilha nada faz sentido.


                                    138
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    -- Acho que tudo isso  um quebra-cabea que ainda est faltando
peas para ser totalmente montado; poucas peas, creio eu -- falou Axel.
    Levi olhou por um bom momento o corpo de Jos Nogueira com
quatro tiros no peito e ento indagou:
    -- Acha que pode haver duas pessoas muito... digamos assim...
idnticas?
    -- Por que a pergunta? -- Axel quis saber.
    -- Para que o legista venha a dizer que uma pessoa  outra, as duas
tm que ser muito parecidas, no ?
    -- Sim, mas nesse caso ele foi... tinha sido carbonizado. Apenas
poderia fazer o reconhecimento pela arcada dentria.
    -- Exatamente. E uma arcada pode ser idntica  outra?
    A pergunta ficou no ar por instantes. Entretanto os dois j sabiam
que a resposta era negativa.
    -- Quem foi o legista que fez esse reconhecimento? -- indagou
Axel.
    -- Antnio ngelo.
    Como um flash em sua mente, Axel se lembrou do policial Antnio
Gonzaga -- irmo de Jos Nogueira -- e o legista conversando no local
em que foi encontrado o corpo de Caio.
    E foi com o pensamento a vagar que ele achou uma pea
fundamental para a montagem daquele jogo. Concluiu:
    -- No sei, no, mas algo me diz que esse ngelo e Antnio
Gonzaga, irmo do Jos Nogueira, esto escondendo alguma coisa
importante.

                                &&&
     Vip estava  espera de Carlos no lugar especificado por ele: no meio
do seu prprio restaurante, prximo a muitas pessoas que seguramente
o reconheceriam se no estivesse disfarado. Nicole estava ao seu lado,
nervosa, apreensiva, quase num colapso. Porm, ela se comportava bem
mesmo com uma arma apontada em sua direo por debaixo da mesa.
     Ele segurava a arma dentro do bolso do seu casaco preto, mas ainda
assim se sentia vulnervel onde se encontrava, como nunca havia se
sentido antes. Mas Carlos pagaria caro por aquela insolncia. No seu
pensamento podia ver o futuro: o corpo de Carlos explodindo numa
enorme mancha rubra e a morte vindo encontr-lo.
     Vip conteve o sorriso srdido e malvolo. Olhou para o relgio na
parede. Carlos no iria demorar.



                                    139
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

                                 &&&
     O casal chegou  entrada principal cambaleando. Fbio sustentava
seu peso em Vitria. Uma mo estava sobre o ombro dela e a outra
apertando o peito esquerdo. Aparentava estar agonizando. Ela dava a
entender que estava nervosa e aturdida. Ela gritou na direo dos dois
policiais de guarda na entrada:
     -- Ajudem-nos, por favor, meu marido sofre do corao e est
tendo um infarto! Ajude-nos!
     Num lance teatral, vitria fez parecer que j no agentava o peso
do marido e o largou no cho. Os policiais no se contiveram e correram
para ajuda-los. Quando os homens se agacharam para pegar Fbio nos
braos, Alan passou sorrateiramente pelas largas portas da entrada
principal onde segundos atrs os policiais estavam.
     J dentro do estabelecimento, pde ver alguns policiais andando
pelos corredores e outros ao lado do elevador um deles olhou-o por um
momento. Alan baixou a cabea e pediu para que o Senhor tirasse a
viso de todos os que o perseguiam e sem empecilho ou barreiras subiu
lentamente pela escadaria.

                                &&&
     Oliver marchou pelo corredor at ficar diante de mais dois homens
uniformizados que estavam de guarda  porta do quanto em se
encontrava Pablo. Ele olhou para os nomes nos distintivos: Osmar
Cunha e Everton Passos. Disse:
     -- O Capito Sander me deu ordens para que substitusse voc e,
pela cara de vocs precisam descansar mesmo. H quanto tempo esto
aqui?
     -- Quase doze horas -- disse um deles.
     O outro indagou:
     -- Precisam ser dois homens para ficar aqui. Cad o outro?
     -- Estava meio apertado e teve que ir ao banheiro. Ele j est a
caminho, podem ir tranqilos.
     Osmar e Everton trocaram um olhar. Ningum havia informado
nada a eles sobre uma mudana de turno, mas estavam ali h muito
tempo e com um nico lanche no estmago. Por fim eles sorriram.
Enfim, era um descanso.
     -- Valeu, Oliver, esse descanso veio bem na hora -- agradeceram
eles se distanciando com satisfao nos lbios por existirem homens to
bons quando Oliver no distrito.




                                    140
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    Oliver sorria para eles, mas ao dobrarem o corredor e pegarem o
elevador, o que era sorriso tornou-se uma seriedade sombria. Ele
respirou fundo, preparando-se para o que iria fazer.

                                 &&&
     As passadas pela escadaria eram curtas e contidas. O Esprito
impulsionava Alan ao andar onde Pablo estava em coma. O ferimento
doa, mas tinha que continuar e finalizar a misso. Orava ao Senhor sem
cessar para que no houvesse nenhum policial  espreita pelas escadas e
at agora estava indo bem. Mais alguns degraus e chegou ao andar
correto.  Aqui! Viu quando a porta do elevador se fechou e dois homens
em traje policial desapareceram l dentro. Sentiu-se mais aliviado.
Prendeu um pouco a respirao e caminhou pelo corredor sendo guiado
para mais adiante. O silncio era um tanto assustador.
     Repentinamente ouviu uma voz familiar balbuciar de dentro de um
dos quartos  frente:
     -- Droga, Pablo! No queria fazer isso com voc, mas no tenho
alternativa. Por que voc no deixou essa quadrilha de mo enquanto
podia? Quem sabe no viveria uma vida feliz com Caroline... teria
filhos...
     Alan se aproximou e se colocou  entrada do quarto. Viu que a voz
era da mesma pessoa que tentara lhe matar junto com Carlos. Ele
estremeceu por dentro. Oliver continuou sem notar a presena de Alan:
     -- Chegou a sua hora, Pablo...-- o corpulento policial se precipitou
para frente e alcanou o aparelho que fazia o bombeamento de oxignio
para levar o ar at os pulmes de Pablo.
     Alan olhou ao redor rapidamente e enxergou uma cadeira ao seu
alcance. Calculou que no seria to pesada para ergu-la e acertar Oliver
com ela. Andou lentamente at suas mos tocarem o acento e ergueu-o.
Entretanto, antes que pudesse se mover mais  frente, uma pistola
automtica foi encostada na sua nuca e ento engatilhada.
     O barulho chamou a ateno de Oliver, que assustado virou-se
rapidamente. Seus olhos se arregalaram ainda mais quando reconheceu
o homem com a cadeira erguida na mo.
     -- Voc!
     Antnio Gonzaga empurrou Alan para frente fazendo-o soltar a
cadeira e disse com ele ainda sob a mira de sua arma:
     -- Voc o conhece? Eu o vi quando subiu pela escada e o segui at
aqui.



                                    141
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- O que voc veio fazer aqui? O que quer? -- perguntou Oliver de
maneira ameaadora a Alan.
     Alan declarou sem titubear:
     -- Vim trazer algumas notcias para voc: hoje mesmo voc ver
que Deus existe, assim como tambm a justia divina. Nada do que voc
fez, faz, ou venha a fazer est oculto dos olhos de Deus, por isso  bom
ter cuidado...
     Oliver o interrompeu rudemente quando puxou o revolver o coldre
em sua cintura e disse:
     -- Cuidado com o qu, palhao? Com que direito voc entra aqui,
sendo procurado pela polcia inteira, e me ameaa desse jeito? -- Alan
notou que a mo de Oliver parecia tremer um pouco. O veterano tira
esbravejou: -- E quer saber? No vou provar droga justia divina
nenhuma; voc  que vai provar do chumbo da minha arma. Que tal?
     -- Vai atirar? Vai atrair a ateno de todos? -- discutiu. -- Assim
no cumprir as ordens que lhe deram.
     Oliver engatilhou o revlver e sentenciou:
     -- Creio que as ordens podem esperar. O importante  que vou
eliminar um dos assassinos de Caio e Pablo. Todos iro me congratular
por isso.
     Passos apressados romperam pelo corredor e pararam  porta do
quarto. Osmar e Everton estavam de volta, ofegantes, e tambm com as
armas em punho.
     -- O que est acontecendo aqui, Oliver? -- perguntou o policial
Everton Passos. -- Duas pessoas l fora tentaram enganar o pessoal de
guarda e achamos que talvez vocs viessem a ter problemas por aqui.
     -- Estvamos com razo, pelo que vemos -- deduziu Osmar.
     Oliver engoliu a seco e trocou um olhar com Antnio Gonzaga.
Estava irado e novamente fora do controle da situao. Fra duplamente
impedido de perpetrar seus objetivos: matar Pablo e quele homem
misterioso que teimava em olh-lo fixo e friamente nos olhos. Tentando
esvair toda aquela tenso dio, caminhou at Alan e desferiu-lhe uma
coronhada no maxilar, fazendo com que o homem beijasse o cho com
mais essa dor.
     -- O que voc pensa que est fazendo, Oliver? -- perguntou Osmar
Cunha.
     Oliver fitou-o nos olhos.
     -- No o reconhece? Este  um dos caras que acabou com Caio e
tentou matar Pablo. Acho que ele veio concluir o servio.



                                    142
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    Os dois policiais mais moos olharam assustados para Alan que
cuspia sangue no cho do quarto.

                                 &&&
     -- Senhor, no sei o que est preparado para a vida de Alan ou de
Carlos, mas somente te peo, meu Deus: no deixe que eu venha a
perder o meu marido, por favor! Proteja-o, cubra-o com o Teu sangue,
salve-o de qualquer cilada do inimigo...
     Melina se encontrava ajoelhada, orando com todo o fervor. Sabia
que algo estava preste a acontecer. Talvez perigoso, pois, para Alan pedir
que orasse por ele e ligasse para o pastor e outros membros da igreja
para que fizessem o mesmo,  um sinal de que ele deve estar
enfrentando algo ameaador. Sua orao continuava junto com as dos
demais membros espalhados pela cidade. Era uma grande cobertura
espiritual.

                                 &&&
     Axel rompeu pelas portas da central de polcia e perguntou
imediatamente por Afonso Sander. A resposta que lhe deram foi a de
que ele ainda no voltara. Observou que todos os policiais que ele
mandara permanecer ainda se encontravam  sua espera. Antes que
dissesse qualquer coisa a eles Ktia dirigiu-lhe a palavra:
     -- Axel, acabaram de passar uma mensagem pelo rdio do Norton
Ramos. Disseram que capturaram um dos fugitivos. Ele penetrou no
hospital e tentou assassinar Pablo.
     Todos os policiais presentes balbuciaram preenchendo o lugar de
som. Axel perguntou:
     -- Ainda esto na linha?
     -- Sim.
     O agente pegou o rdio das mos dela e o colocou junto  boca.
     -- Atento quem falou do NR, ainda est na escuta?
     -- Sim estamos na escuta.
     -- Quem modula, por favor?
     -- Policial Osmar Cunha, senhor.
     -- Policial Cunha, como vai? Acabaram de me informar que
capturaram um dos fugitivos... J sabem sua identidade?
     O policial do outro lado da linha hesitou at que tivesse um
relatrio em suas mos.
     -- O nome  Alan Xavier -- respondeu Osmar Cunha.




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             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    Subitamente, a conversa com Tina e principalmente as revelaes de
Melina se passaram como um filme na mente de Axel. Lembrou:

     ...meu marido poderia fazer qualquer coisa para prejudicar algum,
entende?... No sei o que houve, Sr. Brendel, mas se Alan est metido nisso 
porque ele quer resgatar esse tal Carlos...

     Ele respirou profundamente e proferiu:
     -- Muito bem, Policial Cunha, como foi que o capturaram? Ele
reagiu ou coisa parecida, sob que circunstncias ele foi pego?
     -- No sei dizer exatamente, Axel, quando eu, o policial Passos e outros
homens da guarda percebemos que havia algo errado nos encaminhamos ao
quarto de Pablo onde Oliver e Antnio Gonzaga estavam de guarda e eles j o
haviam rendido...
     Axel sentiu uma pontada no corao ao ouvir os dois nomes.
     -- O que foi que voc disse? Eu ouvi Oliver e Antnio Gonzaga?
     -- Exatamente. Por qu?
     Axel no pensou muito ao ordenar:
     -- Eu quero que prendam no somente Alan Xavier, mas tambm a
Oliver e Antnio Gonzaga.
     -- A Oliver e Antnio Gonzaga? Sob que acusao?
     -- Lhe direi quando chegar a, mas at voc me ver no tire os olhos
dos trs.
     -- Entendido, Senhor.
     Sob o olhar de todos no recinto Axel devolveu o rdio  Ktia e
apontou para alguns policiais que mandara aguardar e disse:
     -- Sigam-me.
     -- Para onde vamos, Axel?-- quis saber um deles.
     -- Apenas sigam-me. Vamos entrar em ao -- falou ele sem dar
mais explicaes.




                                     144
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                           Captulo 40



D   e onde estava pde observar do outro lado das janelas de vidro do
    restaurante Quaid's cada movimento das pessoas l dentro. Tudo
parecia normal, como havia combinado com Vip. Seus olhos avistaram
Nicole ao lado do poderoso traficante numa mesa central do restaurante.
Seu corao disparou. Afinal, dali em diante era tudo ou nada.
     Levou a mo  arma e destravou-a sem tir-la da cintura. A hora
chegara. Seus passos comearam a conduzi-lo na direo da entrada do
recinto. Sua respirao estava desritmada e os pensamentos meio que
em desordem. Tinha que se concentrar e tirar Nicole das mos de Vip de
qualquer forma.

                            &&&
   -- Senhor, a vida do meu marido e Teu servo est em Tuas mos!
Acampa Teus anjos ao redor dele, meu Pai, proteja-o -- a splica de


                                    145
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

Melina era constante desde o telefonema de Alan. No descansaria at
que a vitria viesse atravs de uma notcia ou que tudo se resolvesse. --
Traga-o de volta para mim com sade, Senhor, e que tudo se resolva...

                                 &&&
     Alan, Vitria e Fbio estavam mais uma vez reunidos num s lugar.
Eles se entreolhavam enquanto estavam sendo fuzilados pelo olhar de
Oliver. Alan podia notar a expresso de intranqilidade em Vitria,
enquanto o marido da moa continuava de feio inalterada. Estava frio
como h muito tempo atrs, quando ainda era lder de gangue. Alan
sentia seu ferimento doer e dificultar-lhe a respirao. O senhor tinha
que o sustentar.
     Oliver estava inquieto. Comeou a caminhar de um lado para o
outro e ento, no agentando mais a aflio que se acumulava dentro
de si, falou:
     -- Por que no levamos estas pessoas logo para a cadeia. Eles esto
juntos num compl para matar Pablo e no podem ficar aqui!
     Antnio Gonzaga se adiantou e num tom sutil disse:
     -- Ns podemos lev-los e depois voltamos para tomar nosso posto.
     -- No sairemos ningum daqui at que o Osmar retorne -- disse
Everton Passos. -- Ele est falando com o agente Brendel para saber o
que devemos fazer...
     Oliver se interps:
     -- Que droga! Ns j sabemos o que devemos fazer, policial Passos.
Eles so assassinos e...
     -- No somos assassinos -- interrompeu Alan, atraindo os olhares
para si. -- No viemos aqui para matar Pablo Tavares; viemos para faz-
lo despertar do coma.
     A incredulidade no rosto dos policiais tornou-se incrivelmente
visvel.
     -- No seja louco! -- exclamou Oliver.
     -- No precisam acreditar. Quero apenas colocar minha mo sobre
ele e orar. Se querem o bem dele e querem saber a verdade, deixem-me
fazer isso.
     -- Cuidado, isso pode ser um truque! -- alertou Antnio Gonzaga
demonstrando um qu de nervosismo.
     Osmar Cunha passou pela porta e olhou para todos.
     -- O que Axel falou? -- indagou Oliver. -- Creio que ele mandou
levarmos estes assassinos para a cadeia, no?
     Osmar meneou a cabea.


                                    146
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    -- No, ele no deu esta ordem. Disse para todos o esperarmos
aqui. Mas... h mais uma coisa que devo fazer.
    -- O qu? -- quis saber os demais policiais.
    -- Oliver e Antnio Gonzaga... -- Osmar puxou a arma do coldre.
-- Vocs esto presos e no devem sair deste quarto. Bem devagar,
coloquem suas armas no cho.
    Alan sorriu s vistas de todos e disse:
    -- Justia Divina. Deus  fiel.

                                 &&&

    Ele rompeu pelas portas de vidro automticas e, atento a qualquer
movimento  sua volta, caminhou at a mesa central do restaurante. Os
olhos estavam agora fixos nos de Vip. Sua vontade era de extermin-lo
com um s tiro bem entre os olhos. Conteve-se.
    Fitou Nicole e avaliou sua condio emocional. Ela estava um caco e
aquilo lhe doeu o corao. Tinha que lev-la para longe, no importando
o que viesse a fazer. Aquele era seu objetivo nem que tivesse que morrer
para deix-la escapar.
    Ele fixou o olhar em Vip, que se mantinha sombrio e frio, temendo
ainda por sua verdadeira identidade. Carlos puxou uma cadeira e se
sentou.
    -- Onde est a fita? -- indagou Vip rapidamente.
    -- Solte-a e lhe entregarei a droga dessa fita.
    Vip olhou mais uma vez ao redor e tentou se encolher mais ainda
na sua cadeira.
    -- Apenas mostre-me para saber que realmente est com ela.

                                 &&&
      Lucas estava de olho em seis pequenas telas de sete polegadas onde
Vip e Carlos apareciam em todas elas. Uma agora estava com o foco
fechado em Carlos. Lucas estava apreensivo e ansioso para v-lo tirando
a fita do terno. Ele apertou um pequeno boto no painel perto das telas
de vigilncia e falou:
     -- Fiquem atentos  minha ordem. Quando ele mostrar a fita
entramos.
     Todos os capangas da quadrilha estavam na espreita. Alguns deles
estavam disfarados, sentados  mesa como se fossem clientes normais.
Outros estavam aguardando na escadaria. Lucas tambm podia v-los
pelo sistema. Ele sorriu diabolicamente e disse:


                                    147
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    -- Hoje ser o seu fim, Carlos Lacerda.

                                 &&&
     A velocidade do carro estava muito acima da permitida. A sirene
berrava e fazia com que os carros  sua frente abrissem para lhes dar
passagem Axel estava com os olhos vidrados na pista e pensava em
ritmo frentico dando a impresso que estava em transe. Olhou
subitamente para Levi.
     -- Tudo bem a?
     -- Nunca pensei que esse carro pudesse chegar a essa velocidade
algum dia.
     Axel abriu um leve sorriso.
     -- E voc, como est? Estou vendo que anda meio pensativo. No
falou nada desde que samos da central!
     -- Estou estudando as possibilidades. Tentando pegar o fio da
meada, entende? Mas ainda est um pouco confuso... ainda no
consigo...
     Axel parou de repente e estreitou os olhos. Seu sobrolho ergue-se
rapidamente.
     -- O que foi?
     -- Acho... acho...
     -- Acha o qu, homem?
     -- Achou que montei o quebra-cabea.
     -- Como assim, Axel? -- Levi parecia no acreditar. -- Explica isso.
     Axel respirou fundo e voltou o olhar para a pista, tentando manter
o volante firme e equilibrado enquanto esclarecia.
     -- Tudo isso me pareceu um quebra-cabea desde o princpio. Pablo
e Caio recebem uma informao que levava a um traficante da
Quadrilha Vip. A esperana deles era a de que Vip aparecesse, pois se
sabia que ele fazia questo de fazer as maiores transaes. Ele no
apareceu e Caio foi assassinado; Pablo, por um milagre, no.
Permaneceram no local do crime dois homens que logo foram taxados
como suspeitos. Quando dois policiais os levavam para a central
desviaram o caminho misteriosamente para fora da cidade e ento
bateram o carro. Os dois suspeitos se tornaram fugitivos.
     "Mais tarde os suspeitos reaparecem e travam uma batalha
ningum sabe com quem. H sangue no lugar para abastecer um
hemocentro inteiro, porm no h corpos. Nem um sequer.
     Levi continuava de ouvidos atentos. Axel continuava:



                                    148
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

      -- Mais tarde o corpo de Caio  achado carbonizado como todos os
outros policiais que morreram pelas mos da quadrilha. Naquele dia vi
o legista ngelo Tellez conversando com Antnio Gonzaga.
      -- Voc ouviu o que eles conversavam? -- perguntou Levi.
      -- No. E isso no me pareceu nada suspeito na hora. Mas agora
tudo se encaixa.
      -- Deixe de enrolao, Axel. Conte logo o que sabe!
      -- Comecei a colar as peas quando recebi um envelope na minha
sala por um amigo de Alberto Linhares. Os documentos contidos no
envelope incriminam o Capito Afonso Sander de participar da tentativa
de assassinato de Pablo l no hospital. -- ele deu uma pausa at
acrescentar: -- A ltima pea se encaixou quando recebi a informao de
que Jos Nogueira havia sido encontrado morto. Mas como, se ele j
tinha morrido carbonizado pela quadrilha tambm?
      -- E qual a sua concluso?
      -- Minha concluso  que a Quadrilha Vip  composta pelo menos
em sua maioria por policiais.
      Levi ficou sem palavras de repente.
      -- O truque da quadrilha era "arrebatar" os tiras no meio de uma
batida policial e depois enviar um recado onde revelava onde estava um
corpo carbonizado. Era simples.
      -- Mas e o exame da arcada dentria?...
      -- Lembra que lhe falei que a conversa de Antnio Gonzaga e
ngelo Tellez no me pareceu nada? Agora faa a ligao. ngelo Tellez
falsificava os laudos para a quadrilha. Antnio Gonzaga era a ligao de
comunicao entre as duas partes.
      Levi levou a mo  boca entreaberta.
      -- Ento podemos supor que Vip  um tira.
      Axel apontou para Levi, dando a entender que ele havia
compreendido seu raciocnio.
      -- Exatamente.
      -- Mas quem? Qualquer um pode ser ele. Inclusive o prprio
Capito Sander... e at... at Caio Vieira!
      -- Voc chegou ao ponto aonde eu iria chegar. Eu conhecia a
maioria dos tiras que supostamente morreram carbonizados pela
quadrilha, mas Caio era uma incgnita. Ele passava mais tempo com
Pablo do que com qualquer outro agente. S sabamos que era bom no
que fazia porque sempre resolvia os casos de narcticos ao lado de
Pablo. Pelo que sei ele veio da diviso de entorpecentes da cidade de So
Paulo, sendo algumas vezes condecorado por l. Pelo que diziam, ele fez


                                    149
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

muitas apreenses de carregamentos de drogas na capital e ento se
transferiu para c. Pablo foi logo apresentado para ser seu parceiro.
     -- Quando foi que a quadrilha comeou a atuar na cidade? --
indagou Levi, tentando fazer suas prprias concluses.
     -- Um pouco antes de Caio chegar.
     -- Voc est querendo dizer que Caio Vieira  o Vip?
     -- Quem mais poderia ter o controle da situao do que ele? Ele
estava mais a par das rotinas de apreenses do que ningum.
Certamente ele veio de So Paulo para ganhar uma liberdade maior;
coisa que no tinha l. Pablo foi a maior sorte que lhe aconteceu. Juntos
eles faziam mais apreenses do que ningum. Sabe por qu? Pelos
contatos que Caio tinha com outros traficantes. Com certeza ele sempre
dava um jeito de enganar Pablo o ficar com alguns quilos para si. Ele
sabia que Pablo era sua maior ameaa aqui na cidade, ento tratou de
logo ganhar sua confiana. Caio podia matar dois coelhos com uma
cajadada s: aumentava seus negcios e ainda vigiava Pablo sem este
saber.
     -- Mas por que planejar sua prpria morte? -- induziu Levi para
Axel responder.
     -- Essa foi a pergunta que Caroline me fez: por que deixar Pablo ali e
levar Caio? Por que no carbonizar os dois ali mesmo? A resposta  que
Caio tinha que desaparecer para viver apenas como Vip. A quadrilha j
estava bem forte e poderosa. Ele no precisava mais das batidas para
conseguir drogas. Seus recursos j lhe rendiam fbricas prprias. Ento,
para qu se arriscar no meio de tiras trabalhando na central? A quadrilha j
estava formada e j contava com policiais experientes. Caio no precisava
mais de nada. Mas para ele viver em paz, pelo menos por algum tempo,
teria que se livrar de Pablo e foi o que quase aconteceu.
     -- Nossa! -- exclamou Levi, excitado com aquelas revelaes. -- Ento,
se a quadrilha  basicamente de tiras o que podemos supor dos fugitivos?
Que eles so tiras tambm?
     O olhar de Axel se tornou distante. Lembrou de Melina e como
descreveu seu marido e Carlos. Os dois obviamente no eram policiais e
agora se dava conta de que no eram culpados de coisa alguma.
     -- Eles no so tiras, Levi, e acho que no so culpados pelo que
aconteceu ao Pablo. Talvez por isso tenham voltado  cidade em vez de
fugir naquela noite em que foram levados por Oliver e Selton para a
rodovia 3. Eles voltaram para tentar esclarecer as coisas e provar sua
inocncia.
     Levi acenou com a cabea ao declarar:


                                     150
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    -- Agora tudo faz sentido.
    -- O passo seguinte  pegar Caio Vieira e o resto da quadrilha. S
espero que possamos peg-los de surpresa desta vez.

                                &&&
    -- Vamos... mostre-me a fita -- pediu Vip novamente.
    Carlos pareceu no ligar para o pedido imediatamente. Voltou-se
para Nicole e fitou-a nos olhos. Como queria lev-la daquele lugar,
ampar-la em seus braos e acariciar-lhe o rosto...
    -- Voc est bem? -- perguntou-a.
    -- Sim -- reservou-se ela a dizer mordendo os lbios demonstrando
inquietao e nervosismo.
    Carlos puxou de dentro do bolso o cassete e ps  vista.
    -- Muito bem, Caio Vieira, estou aqui com sua valiosa fita. Agora
deixe que ela parta...
    -- Ateno -- anunciou Lucas --, ele est entrando agora. Fiquem
nas posies.

                                   &&&
     Alan, Vitria, Fbio, Oliver e Antonio Gonzaga estavam todos
literalmente sob a mira das armas de Osmar Cunha e Everton Passos.
Agora todos se entreolhavam.
     -- Ora, isso  ridculo! -- exclamou Oliver diante a ordem de priso.
-- Quem vocs tem que prender so esses trs a, que so os assassinos
de Caio e Pablo, e no ns, que somos tiras como vocs.
     -- So ordens de Axel, Oliver. At ele chegar aqui temos que ficar
de olho em vocs. Todos vocs.
     Subitamente uma pequena mancha de sangue comeou a aparecer
na camisa de Alan. Vitria observou aquilo e com cautela chamou a
ateno dos policiais.
     -- Ele foi operado recentemente, de modo precrio, h pouco tempo
e acho que os pontos abriram. Precisa de cuidados mdicos -- alertou
ela.
     -- Ningum pode sair desta sala, moa -- falou Passos.
     -- Ento mande chamar algum, pelo amor de Deus! -- suplicou
Vitria.
     Oliver deu um passo  frente e foi parado pela mira da arma de
Osmar Cunha. Ele recuou novamente e disse:
     -- Deixe-o morrer. Assim receber o que merece pelo que fez a Caio e
Pablo.


                                    151
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- A justia do meu Deus est prxima, Oliver. Voc ver o quanto
Ele  poderoso. -- falou Alan enquanto levava a mo ao ferimento, de
onde parecia sair mais sangue agora. Ele fechou os olhos e comeou uma
orao silenciosa por si mesmo e por Carlos.
     Onde ele estiver,  Deus, cuide dele. E que Teu Esprito Santo possa fazer
germinar a semente que lancei...


                                 &&&
     -- D-me essa fita! -- ordenou Caio Vieira voltando uma das mos
para debaixo da mesa.
     -- No tente nada, Vip. Estou com uma arma debaixo da mesa
apontada para voc, ento  melhor acalmar seus nimos. Essa fita no
vai sair das minhas mos antes de voc soltar a garota. Tambm sei do
que  capaz. Nem seu parceiro escapou dessa sua escalada sangrenta ao
poder, e veja s, nem voc mesmo escapou.
     -- Se no matasse Pablo ele continuaria desmantelando meus
negcios, e quanto ao policial Caio Vieira, ele fez sua parte que era fazer
negcios com outros traficantes que "prendia", desviar quilos e mais
quilos de entorpecentes, fazer negcios direto da fonte... Bem, ento
chegou o momento em que eu no precisava mais disso, da rotineira
vida de tira de Caio Vieira. Tornei-me Vip de uma vez por todas da
maneira mais ilusionista possvel, planejando a prpria morte.
     -- Mas lhe digo que no foi to fcil colocar a culpa pra cima de
mim, no  mesmo?
     -- Tenho que admitir que no. Voc tem sido uma pedra no meu
sapato desde ento. Voc me surpreendeu.
     -- E estou aqui agora aponto de arruinar sua vida.
     -- Arruinar minha vida? -- Vip fez cara de incredulidade. -- Qual
! Voc nem ningum ser capaz de fazer com que meu mundo caia.
     Carlos riu sarcasticamente e sussurrou:
     -- Algum dia, Vip, todo esse seu imprio ir ruir e creio que esse
dia no est longe. Se no for por minhas prprias mos ser pelas de
outra pessoa.
     Subitamente, um frio cano de revlver calibre 38 foi pressionado
contra a nuca de Carlos, deixando-o imvel. A voz do capito Sander
soou grave pelo recinto:
     -- Est tudo sob controle. Sou capito da polcia da cidade de
Melmar -- ergueu o distintivo ao alto onde todos puderam visualizar. --




                                     152
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

Este  um homem procurado e peo que todos se retirem tranqilamente
do restaurante para evitar quaisquer transtornos. Obrigado.
     -- Como eu disse, Carlos, nem voc nem ningum ser capaz de
fazer com que meu mundo caia.
     Sander levou a mo at debaixo da mesa e tomou da mo de Carlos
a arma que carregava, enquanto um murmrio geral tomava conta do
Quaid's quando todos se levantavam ligeiramente das mesas e
deixavam o estabelecimento. Carlos notou que os clientes dos andares
superiores tambm estavam descendo e deixando o restaurante.
Certamente os empregados de Vip j os haviam alertado do que estava
acontecendo. Logo ele estaria s ali, afugentado, acuado e sem
expectativa de fuga.
     Vip sorriu para Afonso Sander que acenou de volta com a cabea. A
situao para eles agora estava sob controle.
     -- No  todas as vezes que um peixe consegue escapar da rede do
pescador, Carlos -- comentou novamente Vip.
     Carlos olhava para Nicole e notava o visvel terror dentro dela
atravs de seus olhos. Ela estava trmula e plida. Era como se algo
dissesse que a morte estava s portas.
     Afonso Sander tomou a fita da mo de Carlos e jogou-a para Vip.
     -- O que faremos agora? -- indagou o robusto capito.
     --  simples, voc atira nele e ainda consegue as congratulaes dos
seus superiores por ter pegado um dos assassinos de Caio Vieira. Outras
explicaes so por sua conta.
     Os homens da quadrilha que antes permaneceram escondidos
esperando as ordens de Lucas agora orientavam as pessoas a continuar
caminhando o mais rpido possvel para fora.
     -- Vip... -- Carlos fez uma ltima tentativa -- eu suplico: mate-
me... agora mesmo, se quiser, mas deixe-a ir...
     -- Mas que droga! -- explodiu o traficante em fria, erguendo-se.
-- Voc no para de falar isso! Gosta mesmo dessa vadia, no ? -- no
obteve resposta dos lbios dele, mas podia ver o amor estampado em
seus olhos enquanto ele olhava para ela. -- Muito bem. J que gosta
tanto dela eu fao uma coisa por voc. Prometo mat-la logo depois que
voc morrer, assim podero aproveitar o inferno juntos. -- Ao findar
estas palavras virou-se para ela e, com violncia, socou-lhe o rosto. Ela
caiu no cho imediatamente aos prantos. Carlos ergueu-se num
segundo, mas uma coronhada no meio da cabea o fez sentar
novamente. O sangue comeou a descer.
     Vip disse:


                                    153
              Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Isso  por voc ter me dado tanto trabalho.
     Lucas apareceu por detrs dos ombros de Vip, sorrindo.
     -- Ora, ora, at que enfim estamos frente-a-frente de novo. Mas vejo
que desta vez voc se deu mal.
     Carlos apenas o olhou furiosamente. Voltou-se ento para Nicole
que permanecia no cho e chorava em silncio. Ele fechou os olhos
tentando se controlar para no cometer uma loucura. Mas afinal, o que
lhe restava fazer? Suspirou sentindo a agonia sufocar-lhe no seu interior.

     Jesus te ama e quer que voc o ame tambm... Ele quer te ajudar...
     Para que fazer justia com as prprias mos, quando se tem algum que faz isso
por voc?
     Este  o meu Deus, Carlos. O Deus verdadeiro, capaz de tirar o mais vil
homem do fundo do poo e ergu-lo...

     As mensagens de Alan acenderam como flashes na mente de Carlos
e por um momento deixaram-no paralisado. Despertou apenas quando
Vip props:
     -- Vamos leva-los para cima. H pessoas curiosas l fora e o que
est acontecendo aqui pode chamar a ateno de todos.
     Afonso Sander pegou Carlos pelo colarinho e o fez erguer-se
enquanto Lucas levantou Nicole. Dois capangas de Vip mais Tito se
juntaram ao pequeno grupo e todos se puseram a caminhar em direo 
escadaria.

                                 &&&
     Os pastores Nilton e Tatiane Cross estavam ainda de joelhos e
sabiam que uma corrente de orao estava sendo feita por alguns
membros da Igreja. O pastor suplicava enquanto sua esposa louvava.
     -- Glria ao Teu nome, Senhor! -- glorificava Tatiane.
     -- Pai, d graa a Alan e que ele venha a obter vitria em sua vida.
No que estiver acontecendo agora com ele... que Tu estejas ao seu lado.
Opera atravs de sua vida...

                                &&&
     O policial Passos se sensibilizara e acionara o chamado da
enfermagem. Alan agora estava sendo atendido ainda sob a mira dos
dois tiras por uma jovem enfermeira com a idade na casa dos vinte anos.
Alan leu no crach seu nome: Isadora Andrade.
     -- Isso  uma idiotice -- reclamou Oliver. -- Deixar que um
assassino seja atendido numa situao dessas...

                                       154
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- J disse, no somos assassinos -- falou Alan. -- J viram, por
acaso, assassinos agirem sem arma alguma?
     A enfermeira olhou para os tiras armados.
     -- Realmente ele no est com arma nenhuma.
     Osmar Cunha lembrou que Vitria e Fbio j haviam sido
revistados l embaixo quando foram pegos.
     -- Os outros dois j foram revistados.
     -- J acabou, enfermeira? -- indagou Everton Passos.
     -- Sim. Os pontos haviam arrebentado, mas j consegui parar o
sangramento e dei-lhe uma injeo para a dor.
     -- Obrigado -- agradeceu o policial Cunha.
     Ela deu uma ltima olhada em Alan e caminhou para a porta, mas
parou subitamente. Voltou-se e observou-o mais atentamente.
     -- Algum problema, enfermeira? -- quis saber Everton Passos.
     -- No, apenas... -- fitou Alan por breves segundos. Perguntou-o:
-- Voc no  Alan Xavier?
     -- Como? -- Alan no estava entendendo.
     -- Alan Xavier, certo?
     Everton Passos deu um passo  frente, apreensivo.
     -- Enfermeira...
     -- Espere um momento -- disse Isadora. -- Este homem no pode
ser um assassino...
     Todos ficaram estticos com a declarao.
     -- Como assim? -- quis saber os policiais.
     Isadora no tirou os olhos de Alan enquanto falou:
     -- No sou evanglica, mas minha irm , e uma vez ela levou-o l
em casa. Minha me estava muito doente, quase sem foras para viver.
J no agentvamos v-la naquela situao. Ele orou por ela de uma
maneira que nunca havia visto antes. Quando a orao acabou minha
me dormiu e ele falou para crermos em Deus, pois ela logo estaria
curada. Ele foi embora e uma hora depois minha me estava de p e
sorrindo, pois j no sentia enfermidade alguma em seu corpo.
Perguntei qual o nome dele e minha irm me respondeu: Alan Xavier.
Nunca consegui esquecer esse nome ou seu rosto, no sabia por qual
razo, mas agora acho que sei. Este homem no  assassino e posso
apostar minha vida nisso.
     Alan glorificou o nome do Senhor em esprito. Deus havia feito
aquela jovem gravar sua feio e nome justamente para aquele
momento. Aleluia, Jeov Jir!



                                    155
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Um momento de silncio se instalou no quarto e pareceu uma
eternidade.
     -- Isso  uma besteira. Vocs no podem dar ouvidos para uma
coisa dessas...
     -- Cale a boca, Oliver -- disse Everton Passos, -- minha mulher 
evanglica e coisas assim no podem ser consideradas coincidncia.
     Oliver jogou as mos para cima, se rendendo; Alan louvou a Deus.
     Passos indagou a Alan:
     -- Voc falou que veio at aqui para qu mesmo?
     -- No para matar Pablo Tavares, mas para faz-lo despertar do
coma colocando minha mo sobre ele e orando.
     Everton Passos trocou um olhar com Osmar Cunha e engoliu a seco.

                               &&&
     O quarto andar do Quaid's foi invadido apenas por Carlos, Nicole,
Vip, Lucas e Afonso Sander, enquanto os demais homens permaneceram
fora do recinto de guarda. Carlos olhou em volta. Era a sala de
conferncias de Vip, ou melhor, Caio Vieira. No havia como escapar
dali diante da mira de Afonso sander. A voz de Alan surgiu numa viva
lembrana mais uma vez:

     -- Preste ateno: No h nada que voc possa fazer... para tentar sair
desse inferno em que est sem que venha reconhecer que voc no  nada sem
Deus e que sem Ele no conseguir escapar das garras do inimigo. Deus te ama,
Carlos, e... Ele quer te ajudar a sair da cova que voc cavou para si mesmo. Ele
est com as mos estendidas para voc, mas no pode fazer nada enquanto voc
no fizer nada. Ele ir mover a mo dEle quando voc mover a sua e pedir-lhe
que tome conta da sua vida, reconhecendo que sem Ele voc no  nada, e com
Ele voc  mais que vencedor!

     -- Sabe o que fazer, capito -- disse Vip. -- Infelizmente no
podemos fazer o servio, mas voc sim.
     Carlos voltou-se para Nicole. Agora ela estava soluando de agonia,
pois sabia que ia morrer. Talvez nunca mais a tomaria nos braos ou
beijaria sua face. O que eu fiz da minha vida? Questionou-se. Mais uma
lembrana aflorou-se em sua mente:

     -- ... Fbio e Vitria  o casal mais feliz que conheo. Enfim, so pessoas
livres e felizes como muitos no podem ser. Agora... me responda com
sinceridade: voc no quer que estas duas qualidades bsicas, mas essenciais
entrem em sua vida?

                                      156
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa



     -- Ei, Carlos -- chamou Lucas. Puxou do bolso da cala a
correntinha de ouro com o anel de noivado engatado e jogou-a na
direo dele. -- No precisarei mais disso. Quero que olhe bem pra ela e
quero lhe garantir que ela vai ser enterrada junto a vocs dois.
     Lucas gargalhou como um vitorioso enquanto Afonso Sander
aproximou-se de Carlos, que por sua vez sentiu sua respirao
acelerada. Engoliu a seco e fechou os olhos. Numa frao de segundos
ainda se lembrou:
     -- Sem Ele no conseguir escapar... Ele quer te ajudar... Ele ir mover a
mo dEle quando voc mover a sua e pedir-lhe que tome conta da sua vida.

    Ainda de olhos fechados, Carlos no viu quando o capito apontou
a arma para sua fronte.

    -- ...pedir-lhe que tome conta... Pea... Pea... Pea... PEA!!!

     Sentindo uma imensurvel fora dentro do corao, intimamente ele
clamou:
     -- Deus... Sei que no valho nada e no sei o que voc quer comigo, mas...
se me quer tanto assim e se pode me ajudar... esse  o momento. Eu... eu estou
pedindo... Implorando. Ajuda-me!
     Afonso Sander engatilhou o revlver e encostou-o na cabea de
Carlos.
     -- Ajuda-me! AJUDA-ME!!
     Puxou o gatilho.

                                 &&&
     A arma de Osmar Cunha estava engatilhada e apontada para Alan,
enquanto este caminhou com certa dificuldade at o leito de Pablo.
     Oliver suava frio ao lado de Antonio Gonzaga que tentava disfarar
o nervosismo demasiado.
     A enfermeira Isadora estava ao lado de Alan enquanto Everton
Passos olhava-os atentamente, mas continuava atento aos movimentos
de Oliver e seu parceiro.
     Alan parou sobre o leito de Pablo e fitou-o por algum tempo. Ento
estendeu a mo direita e tocou a testa de Pablo. Fechou os olhos e
pronunciou brandamente:
     -- Senhor, estou aqui, onde Tu querias. Faz a Tua obra e opera
atravs da minha mo. Tua s a ressurreio e a vida; quem cr em Ti,


                                     157
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

ainda que morra, viver. E como um dia Tu falaste: "Dou-te graas,
porque me ouviste. Eu sei que sempre me ouves; mas por causa `da multido'
que est em redor  que assim falei, para que eles creiam que tu me enviaste".
Senhor, assim como a tua glria foi vista no passado, faa que seja vista
hoje por cada um de ns, em Teu nome, Senhor Jesus.
     Aos olhos de todos Alan falou:
     -- Pablo Tavares, acorde.

                                   &&&
     Os olhos de Afonso Sander e dos demais presentes no
compreenderam porque o revlver no funcionou. O capito apertara o
gatilho, mas ele no havia acionado o tambor nem a bala.
     -- O que voc est fazendo? -- indagou Vip impacientemente.
     -- Minha arma no est funcionando -- disse o capito apertando
mais vezes. O tambor no girava.
     De olhos ainda fechados, as lgrimas comearam a descer pelos
olhos de Carlos de forma espontnea e irreprimvel. Sabia que aquilo
estava acontecendo por causa do que havia pedido. Abriu os olhos e
olhou para cada um dos traficantes ali presente. Falou audaciosamente:
     -- Sinto muito, pessoal, mas creio que hoje no ser o meu dia de
morrer.
     Ao ouvir aquilo Lucas se precipitou  frente e puxou sua arma
automtica 9mm.
     -- Vamos ver, ento, se isso  verdade -- disse. Apontou a arma
para Carlos e sorriu. -- Adeus.
     Naquele mesmo instante, subitamente, uma voz metlica se fez
ouvir l fora:
     -- Aqui  a polcia de Melmar, o prdio est cercado...
     A voz fez com que os reflexos de todos fossem acionados. Eles se
voltaram para uma grande janela de vidro que permanecia entreaberta
no fundo da sala de reunies do quarto andar. Era o momento de que
Carlos precisaria.
     Num movimento rpido segurou a arma ainda na mo de Lucas e
se ergueu levando a mo fechada no meio do nariz do traficante. Lucas
se desnorteou por um instante, tempo bastante para que Carlos tomasse
a arma de sua mo.
     Alguns tiros foram disparados l embaixo. Os tiras estavam
invadindo o quartel-general de Vip. A voz de um policial ressoou
novamente de um alto-falante:
     -- No h como escapar. Entreguem-se!


                                     158
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Com a arma em seu poder, Carlos se afastou dos trs foras-da-lei
mantendo-os em sua mira e olhou para Nicole que ainda tremia de
medo e chorava.
     -- Venha, Nicole, vamos dar o fora daqui.
     Repentinamente a porta da sala foi rompida por dois homens de
terno e Carlos reconheceu Tito no rosto de um deles. Os dois homens
sacaram instantaneamente suas armas, mas Carlos no deixou que as
usassem. Ele disparou contra eles que caram no cho, vivos, mas
impossibilitados de reagir.
     Da mesma forma Lucas se lanou sobre Carlos aproveitando sua
ligeira falta de ateno. Um soco acertou o rosto de Carlos e os dois
caram sobre o cho encarpetado. Lucas estava por sobre Carlos e
segurava a arma com uma mo enquanto tentava estrangular seu
oponente com a outra. Com uma joelhada entre as pernas do traficante
Carlos tomou a posio de cima, mas a luta ainda permanecia rdua e
sem um vencedor momentneo.
     Nicole sentiu a mo de Vip puxar-lhe para junto de si e sentiu uma
lmina de canivete encostar-se a seu pescoo. Estava novamente em
perigo eminente.
     -- Que droga! Acho que isso j est saindo do controle, Vip -- disse
Afonso sander j se esgueirando pela parede em direo  porta. --
Creio que  hora de eu sumir por algum tempo. Tempo indeterminado,
eu diria.
     -- Seu covarde! -- bradou Vip. --Volte aqui ou acabo com voc!
     O olhar de Vip e Nicole estavam ainda sobre os dois homens que
rolavam no cho na disputa pela vida.
     -- Vamos, Lucas, acabe com ele! -- torceu Caio Vieira.
     Um tiro foi disparado e os dois homens permaneceram imveis por
algum tempo. Uma poa de sangue se formou rapidamente debaixo dos
dois homens. Um deles se mexeu e empurrou o corpo do outro para o
Lado.
     -- Que droga! -- praguejou Vip quando viu Carlos se erguendo
com a arma ainda em punho.

                                 &&&

     Afonso Sander desceu alguns lances de escada at que se deparou
frente-a-frente com Axel. Os dois se entreolharam por dois segundos.
Sander falou:



                                    159
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    -- Graas a Deus vocs esto aqui. Eles esto l em cima... Eu
estava  espera de reforos e...
    -- Afonso Sander, voc est preso por ligao com a Quadrilha Vip.
    Imediatamente dois tiras o seguraram e o algemaram.
    -- O que voc est fazendo! Quem pensa que !
    Axel fez um gesto com a fronte para os dois homens fardados.
    -- Levem-no para fora e algeme-o dentro do meu carro. Montem
guarda e no deixe ningum se aproximar dele.

                                 &&&

    A porta dupla da sala de reunies foi novamente rompida. Desta
vez Axel e outro tira estavam com as armas em mos. Ambos viram
Carlos apontando a arma para Vip que ameaava cortar a garganta de
Nicole. Notaram no seu olhar o dio e rancor.
    -- Largue a arma! -- ordenou o tira ao lado de Axel.
    -- No a menos que ele a largue -- berrou Carlos.
    -- Largue essa arma!
    -- NO!!

                                 &&&
     -- Acorde, Pablo -- disse Alan mais uma vez.
     O silncio e incredulidade no recinto foram quebrados quando as
plpebras de Pablo mexeram.
     -- Para a Tua glria, Senhor. Para a Tua glria -- proclamava Alan.
     Uma respirao profunda saiu das narinas do agente sobre o leito.
     -- Eu no acredito nisso -- balbuciou Oliver.
     Os dedos das mos de Pablo se moveram e ento os pulsos. Enfim,
seus olhos se abriram lentamente.
     -- Meu Deus! -- exclamou Osmar Cunha.
     -- Esse  o Senhor que eu sirvo, que prova a f do justo e d a
vitria aos seus servos -- proferiu Alan. -- Somos inocentes e essa  a
prova.
     Pablo fitou a todos com expresso de quem no estava
compreendendo o que se passava  sua volta. Esfregou os olhos e
indagou:
     -- Onde estou?... O que est acontecendo? -- uma luz de
lembrana de acendeu em sua mente. -- Caio... como ele est? Ele est
bem?
     Everton Passos se adiantou:


                                    160
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    -- Sinto muito, Pablo, ele est morto.
    -- No -- acrescentou Alan. -- Caio no est morto. Ele est vivo.
-- voltou-se para Oliver e Antonio Gonzaga. -- E eles sabem disso.
    Agora todos fitavam os dois tiras corruptos.

                                  &&&
     -- Largue a arma! -- gritava o policial para Carlos.
     -- Eu quero apenas que ele a largue, droga!!! -- bradou Carlos
novamente.
     Axel pediu para que o policial tivesse calma. Tentou transmitir
calma e sobriedade quando falou para Vip:
     -- Acabou, Caio. Largue a garota e esse canivete e tudo ficar bem
pra voc.
     -- No vou largar coisa nenhuma! -- gritou Vip. -- Vou sair daqui,
e se tentarem me impedir ela morre! Ela morre!
     -- Antes eu acabo com voc, desgraado -- garantiu Carlos.
     Axel deu mais um passo  frente tentando se aproximar mais dos
dois. Olhou para o tira ao seu lado e fez um gesto com a mo para que
relaxasse. Ele entendeu o recado. Um outro policial se aproximou da
porta e sacou a arma. Axel acenou para que ele permanecesse onde
estava. Voltou-se para Carlos e Vip.
     -- Escutem -- disse o agente negro tentando atenuar o momento
tenso instalado no ar, -- por que os dois no esfriam a cabea e ambos
abaixam as armas. Ningum mais precisa sair ferido daqui hoje, ento...
para o bem de todos joguem as armas no cho... agora.
     Com a mo firme no canivete pressionando-o contra o pescoo de
Nicole, Vip estava com respirao ofegante e transparecia frieza
incondicional em seus atos. Apertou mais ainda a lmina contra a refm
e um filete de sangue escorreu ao encontro da camisa da jovem mulher.
Nicole retorceu o rosto de dor.
     -- Droga! Droga! -- desesperava-se Carlos, incapaz de pr Nicole a
salvo. -- No! No faa isso!
     -- Caio, no faa isso -- falou Axel, tentando ganhar tempo. -- fale
suas reivindicaes e faremos o possvel para que elas sejam
cumpridas...
     Os olhos penetrantes de Vip estavam vidrados em Axel. Ele abanou
com a cabea e proferiu:
     -- Voc no pode fazer mais nada por mim. Ningum mais pode.
Est tudo acabado. Sei que no h mais esperana.



                                    161
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Rapidamente Carlos refletiu no que Alan lhe falara e no que havia
se passado consigo nos ltimos minutos e ento proferiu:
     -- Voc est enganado, Vip. Sempre pode haver esperana...
     O olhar congelante de Vip voltou-se para Carlos como uma flecha.
     -- Quem voc acha que  pra falar isso para mim? Voc  o culpado
de todo o meu mundo estar desmoronando. Se voc no tivesse
aparecido em minha vida nada disso estaria acontecendo! Minha nica
esperana agora seria v-lo morrer, miservel!
     Houve um instante de silncio e desconforto no ar. A respirao de
cada uma das pessoas ali podia der ouvida.
     Carlos engoliu a seco e falou por fim:
     -- J que voc me quer morto... solte-a e ento voc poder me
matar.  uma troca justa. Ela no te fez nada, e eu sim -- disse ele
baixando a arma e colocando a seguir no cho. -- Vamos, solte-a e pode
enfiar a lmina toda dentro de mim. -- deu um passo  frente.
     Vip olhou rapidamente para trs e seus olhos se depararam com a
janela de vidro entreaberta. Caminhou lentamente de costas em direo
a ela, esboou um pequeno sorriso e declarou secamente:
     -- Pensando bem, Carlos, eu adoraria acabar com voc da forma
mais cruel possvel, mas... -- ele sorriu mais abertamente. -- acho que a
morte seria pouco pra voc.
     -- Como assim? Do que est falando...
     -- J pensou em viver at o ltimo dia da sua vida pensando que
sua noivinha morreu por sua causa, hein?
     -- Caio, no faa isso! -- gritou Axel j sabendo qual seria o
prximo passo do ex-tira. Os policiais puseram suas armas novamente
de prontido.
     Carlos tentava se aproximar caminhando lentamente na direo dos
dois, mas Vip continuava indo em direo  janela. Nicole agora se
debatia tentando se livrar. Sabia que a morte estava prxima mais do
que nunca.
     -- Larga ela, Vip! Larga ela! -- implorava Carlos.
     -- Voc ser o culpado! -- implicava Vip.
     Ao se aproximar da janela Vip suspendeu Nicole pela cintura e
pulou impulsionando o corpo contra o vidro, quebrando-o no mesmo
instante em que puxou a moa consigo para a queda.
     -- NO!!! -- gritou Carlos correndo e saltando na direo
dos dois rapidamente.
     Os corpos de Vip e Nicole comearam a cair como que em cmera
lenta. Nicole estendia as mos na direo de Carlos. Seus gritos eram


                                    162
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

horrendos. Ela sabia que ele no iria alcan-la. Isso seria possvel
apenas por um milagre.
     Deus, ajude-me! Rogou ela intimamente. A gravidade puxava-a para
baixo. J no existia qualquer esperan...
     -- SEGURE-SE!
     Como um relmpago as mos de Carlos apareceram e segurou-a
firme pelo colarinho da sua jaqueta.
     -- Segure firme nos meus braos! -- gritou Carlos.
     O peso era demais. Ele olhou para baixo. Vip estava pendurado nas
pernas de Nicole e fazia fora para pux-la para a morte juntamente
consigo.
     -- Deus! No! -- bradou Carlos.
     Uma gargalhada incomum saiu da boca de Vip. Ele ps  mostra a
lmina do canivete.
     -- Vai ter que ser do jeito mais difcil, Carlos! -- berrou ele
erguendo o canivete para cravar nas costas de Nicole.
     Repentinamente um vulto apareceu ao lado de Carlos empunhando
uma arma que foi apontada rapidamente para Vip. Um estrondoso tiro
fez com que o brao do ex-policial se tornasse em puro sangue. O
canivete voou para longe. A dor sbita o fez largar Nicole e seu corpo
despencou at o cho. Todos viram quando a cabea de Caio Vieira se
abriu quando bateu violentamente contra o asfalto.
     Carlos puxou Nicole para dentro do prdio e abraou-a fortemente.
Ficaram assim por um longo tempo at que ele a afastou um pouco de si
e mostrou-lhe sua corrente com o anel de noivado preso a ela. Ela pegou
a jia por entre os dedos, sorriu e abraou Carlos novamente.
     -- Nicole... Desculpe-me pelo que fiz... -- sussurrou Carlos com
emoo impregnada na voz.
     -- No tem do que se desculpar -- falou ela. -- Tudo j passou. Eu
te amo, e mais ainda porque voc fez tudo para me salvar.
     Eles se beijaram mais uma vez mas foram interrompidos quando
Axel falou:
     -- Carlos... voc est preso.

                                &&&
     -- No posso acreditar no que voc est falando! -- exclamou Pablo
quando ouviu de Alan todo o verdadeiro relato. -- Eu vi Caio ser morto
pela quadrilha Vip.
     Alan balanou a cabea, compreendendo que no era fcil para
ningum compreender.


                                    163
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    -- Sei que  algo que no posso provar agora, mas tudo j est
sendo esclarecido e logo todos sabero a verdade. Mas... queremos que
nos responda agora duas coisas...
    -- Duas coisas?
    -- Sim. Por favor, responda se fui eu quem tentou mata-lo ou ao seu
parceiro, Caio Vieira?
    Pablo fitava Alan sem ao menos piscar. Respondeu:
    -- No. Lembro que voc apareceu e gritou para que aquele
homem... Carlos no atirasse em mim.
    Alan apenas virou para encarar Oliver. Indagou novamente:
    -- Carlos atirou em Caio ou em voc?
    Pablo estreitou os olhos e abanou com o cenho negativamente.
    -- No. E pela conversa dele com Lucas deu para perceber que
estava sendo chantageado para atirar em mim, mas no fez isso.
    Alan se aproximou de Oliver e falou com convico.
    -- Nada h encoberto, que no haja de ser descoberto; nem, que no
haja de ser conhecido. Aprenda uma coisa, Oliver, o Senhor  Deus e
grande  a Sua justia.

                                 &&&
     -- Vasculhem os outros cmodos do andar -- ordenou Axel para os
dois policiais que estavam com ele dentro da sala de reunies.
     Eles saram com arma em punho e deixaram o agente a ss com
Carlos e Nicole. Axel estava com a algema nas mos. Fitou Carlos sem
saber o que falar. No sabia se ele era culpado de algo, pois no tinha
prova alguma de que ele pudesse estar realmente envolvido com a
Quadrilha Vip. Mas o fato de ele estar ali, no lugar errado e na hora
errada j era um atenuante para ao menos det-lo para averiguaes.
Fitou o casal e viu o imenso amor que existia entre os dois. Era algo
irrefutvel e que saltava aos olhos. Carlos certamente no ficaria abalado
simplesmente em ir preso, mas sim em ter que deixar Nicole mais uma
vez s.
     Deus, o que fao? Perguntou Axel.
     Ouviu-se um barulho vindo de fora da sala de reunies at que Levi
entrou alvoroado no recinto com um rdio-comunicador na mo. Sua
respirao era acelerada quando falou:
     --  Everton Passos no rdio. Voc no vai acreditar, mas Pablo
Tavares acabou de acordar do coma.
     -- O qu? -- indagou Axel.



                                    164
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Os olhos de Carlos subitamente brilharam. Aquilo seria mais um
milagre? Perguntou-se.
     -- Ele contou uma histria estranha dizendo que um homem
chamado Alan Xavier fez uma orao e Pablo saiu do coma... Voc tem
que falar com ele!
     Axel olhou na direo de Carlos e Nicole e, juntamente com Levi,
afastaram-se at a porta para falarem ao rdio.
     Carlos ainda fitava o agente quando este se distanciou. Ele fitou os
olhos de Nicole. Disse em tom baixo:
     -- Vamos sair daqui.
     -- Como? -- sussurrou Nicole. -- O restaurante est cercado!
     -- Apenas esteja pronta ao meu sinal.
     Ela abanou a cabea com um aceno.
     Axel perguntou no rdio:
     -- Policial Passos, conte-me o que aconteceu a no hospital.
     -- Tudo comeou quando um dos prisioneiros, Alan Xavier, disse que ele
no era assassino e conseqentemente no estava ali para matar Pablo, mas sim
para o acordar do coma impondo as mos sobre ele. Depois apareceu uma
enfermeira aqui para cuidar de um ferimento que ele tinha e ento o reconheceu
e disse que ele era um desses evanglicos e que havia orado pela me dela, que
ficou curada. Bem... resumindo, o policial Cunha e eu deixamos que o
prisioneiro Alan Xavier orasse por Pablo. E depois que ele fez isso Pablo
milagrosamente acordou do coma.
     -- E como ele est agora? -- quis saber Axel.
     -- Os mdicos o esto examinando, mas ele me parece muito bem. Nem
parece que esteve tanto tempo desacordado. Os mdicos esto se perguntando
como ele acordou sem ao menos uma seqela sequer. Disseram que  algo
inexplicvel aos olhos da medicina.
     Levi sorriu e sussurrou:
     -- Isso  incrvel!
     Axel deu mais uma olhada em Carlos e Nicole. O casal estava de
mos dadas e pareciam tranqilos. Ele virou as costas para eles e
perguntou novamente:
     -- Ele falou alguma coisa?
     -- Sim. Disse que Alan Xavier no tentou mat-lo nem a Caio. Disse
tambm que o outro suspeito... ahmm... -- Everton Passos tentou lembrar
do nome. -- Carlos... talvez estivesse sendo chantageado pela quadrilha. Em
outras palavras parece que os dois so inocentes.
     -- Inocentes? Tem certeza disso? -- Axel quis se certificar.
     -- Absoluta, senhor -- respondeu o policial Passos.
     -- Ok, aguarde-nos onde esto. Logo estarei a. Cmbio e desligo.

                                     165
             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

      Da porta onde estava, Axel virou-se novamente para o casal
dizendo: -- Bem, Carlos e Nicole... -- Ele estancou subitamente e ficou
perplexo. A sala de reunies que segundos antes estava ocupada pelo
casal agora estava vazia. Os dois haviam sumido.
      -- Para aonde eles foram? -- indagou Levi, sem saber o que
acontecia direito. -- Como conseguiram sair sem passar pela porta?
      -- Voc no ficou de olho neles? -- perguntou Axel.
      -- Sim, mas tirei os olhos deles apenas por alguns segundos quando
o Passos comeou a dizer que os dois suspeitos eram inocentes.
      Os dois tiras caminharam at a janela e olharam para baixo. L no
cho o corpo de Caio estava sendo ensacado pelos legistas. Eles no
poderiam ter saltado, muito menos voado. Mas como poderiam ter
sumido assim de uma hora para outra?
      -- Deve haver alguma passagem secreta nesta sala -- concluiu Axel.
      -- Com certeza.
      Eles voltaram o olhar para a grande mesa no centro da sala e
caminharam ao redor. Axel se abaixou e engatinhou por debaixo da
mesa batendo com os ns dos dedos no cho procurando um piso falso.
Mais dois passos e ali estava. Havia uma falha mnima do carpete. Ele
ergueu o piso e enxergou uma pequena escada que dava para um tnel.
Rapidamente ele desceu a escada, mas algo o deteve antes de disparar
pelo tnel ao encontro do casal. Uma fita cassete estava no cho. Axel o
apanhou nas mos, olhou para a imensido do tnel adiante.
      A essa altura j devem estar com uma boa distncia, deduziu. Balanou a
fita entre os dedos e subiu a escada retornando  sala.
      -- O que houve? -- perguntou Levi ao ver Axel de volta.
      Ele mostrou a fita cassete.
      -- Creio que Carlos nos deixou um presente de despedida.
      -- E agora, o que faremos j que eles fugiram?
      -- Voc no ouviu que eles so inocentes? Se so inocentes
conseqentemente eles no fugiram, apenas foram embora. Venha
vamos ao hospital.

                                &&&
    Axel entrou pela porta do quarto junto com Levi e logo avistou
Pablo ainda sentado na cama ladeado por um mdico e uma enfermeira.
Passos e Cunha estavam de guarda enquanto Oliver, Antonio Gonzaga,
Alan, Vitria e Fbio estavam num canto do aposento.
    Oliver adiantou-se rapidamente.
    -- Axel, voc no sabe o que est acontecendo aqui...


                                     166
            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Axel o interrompeu abruptamente dizendo:
     -- Sei sim, Oliver. Tanto sei que voc agora est preso juntamente
com Antonio Gonzaga.
     -- O qu? Voc s pode estar brincando...
     Axel apontou para os policiais Passo e Cunha.
     -- Podem algem-los e lev-los direto para a cadeia sob a acusao
de envolvimento e cumplicidade com a Quadrilha Vip e tentativa de
assassinato de Pablo Tavares, Alan Xavier e...
     -- Carlos Lacerda -- pronunciou-se Alan.
     -- Carlos Lacerda. -- concluiu Axel.
     Oliver e Antonio Gonzaga foram algemados e conduzidos
imediatamente para a Central de polcia.
     -- Quando eles tentaram me matar? -- quis saber Pablo.
     -- Quando eu cheguei no quarto Oliver j iria fazer o servio --
disse Alan aos presentes --, mas o outro policial me imobilizou com a
arma. Ganhei um pouco de tempo at que os policiais Passos e Cunha
chegaram e os detiveram.
     -- Ento devo a minha vida mais uma vez a voc -- disse Pablo.
     -- No, senhor. Deve a vida a Deus, Pai do Salvador Jesus Cristo.
No fui eu quem o livrou todas as vezes que fez uma batida policial ou
foi ao encalo da Quadrilha Vip, mas o Senhor. Deus o ama, e por isso
me enviou naquela noite da negociao e tambm hoje para despert-lo
do coma e dizer que algum se importa muito com voc e quer que voc
o guarde para sempre no seu corao e o siga. Seu nome  Jesus.
     Todos puderam observar as lgrimas tomarem conta dos olhos de
Pablo. Ele fez um gesto afirmativo com a cabea.
     -- Sim... Eu quero segui-lo -- pronunciou ele. -- Sei que sem Deus
eu certamente j estaria morto.
     Alan completou olhando para os demais no quarto:
     -- O que falei para Pablo no se destina nica e exclusivamente
para ele. Deus ama a cada um de vocs tambm. Em todos os momentos
da vida Ele tem estado ao lado de cada um e tem vos amado. Por que
no am-lo tambm e entregar sua vida nas mos dEle? Deixar que Ele
tome conta do viver de vocs? Faam isso e no se arrependero. Esse
momento tambm  de cada um de vocs que esto aqui.
     Houve um momento de espera at que o primeiro a dar um passo 
frente foi Axel.
     -- Fui usado nas mos do Senhor um dia, mas me afastei, Alan.
Quero retornar e sei que este  o momento certo para fazer isso.



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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

    -- Com certeza, agente Axel. E esteja certo de que a magia negra que
a advogada fazia para te seduzir no funcionar mais.
    Axel arregalou os olhos diante da revelao de Deus e ento chorou.
Sentiu todo o peso do adultrio sobre suas costas como se fosse um
imenso fardo e no mesmo instante se ajoelhou no suportando mais
permanecer de p.
    A Enfermeira Isadora Andrade, que estava com o mdico
atendendo Pablo tambm se ajoelhou se rendendo a Deus naquele
mesmo momento. Pablo desceu da cama e ajoelhou-se tambm s vistas
do mdico e de Levi que permaneceram em p.
    Vitria e Fbio se curvaram no cho em seguida e comearam a
adorar o Rei.
    Alan olhou para Levi e o mdico e apenas sorriu para eles. No
podiam entender o que Deus queria fazer em suas vidas. Mesmo assim
pediu para que eles fechassem os olhos.
    O que se seguiu foi um grande momento de orao pelas vidas ali
presentes. Alan intercedeu pelas vidas de Pablo, Isadora e Axel. Dois
que entregavam suas vidas a Cristo e o outro que retornava ao aprisco.
Pediu para que o Senhor escrevesse seus nomes do Livro dos Justos e
que os sustentasse. Alan tambm pediu a bno do Senhor para Levi e
para o mdico de planto ali presente, e, por fim, agradeceu pela vida de
Vitria e Fbio. Ainda em contato direto ao Trono do Criador agradeceu
pela oportunidade de fazer a obra de Deus incondicionalmente e pelas
grandes maravilhas que o Senhor operara.
    Todos disseram "Amm".




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                                      Eplogo



N  os dias seguintes as manchetes dos jornais impressos e televisivos
   trouxeram vrias notcias relacionadas ao caso da Quadrilha Vip. A
Gazeta de Melmar destacava em letras garrafais:

        CHEFO DAS DROGAS MORRE E QUADRILHA 
                    DESMANTELADA.

    O Dirio da Cidade trazia na primeira pgina:

  FALSAS MORTES ESCONDIAM IDENTIDADES DE MEMBROS
  DA QUADRILHA VIP, INCLUSIVE A DE SEU COMANDANTE,
                     CAIO VIEIRA.

    O jornal O Mensageiro confeccionou um caderno especial s com
matrias sobre o caso. As principais foram:

 SUSPEITOS SO INOCENTADOS E VERDADEIROS CULPADOS
        MORREM EM CONFRONTO COM A POLCIA.

  FITA CASSETE DEIXADA POR UM DOS SUSPEITOS REVELA
      DILOGOS COM TODOS OS ENVOLVIDOS COM A
                     QUADRILHA.



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             Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

 ENVOLVIDOS DESCOBERTOS ATRAVS DE FITA SO PRESOS.
   A LISTA  EXTENSA E VAI DA CENTRAL DE POLCIA AT
              FUNCIONRIO DA MELMARTEL.

      LEGISTA  PRESO POR FALSIFICAR LAUDOS PARA A
                     QUADRILHA VIP.

     CARLOS LACERDA, MESMO INOCENTADO, CONTINUA
                    DESAPARECIDO.

O AGENTE AXEL BRENDEL  NOMEADO O NOVO CAPITO DA
           CENTRAL DE POLCIA DE MELMAR.

                                 &&&
     O noticirio do Canal Sete anunciou atravs de Caroline Lima:
     --Alan Xavier, um dos suspeitos, far cerimnia religiosa como ao de
graas. Segundo ele,  uma forma de agradecimento a Deus. O culto ser
realizado amanh...

                                 &&&
     Axel desta vez estacionou o carro em frente  casa amarela com
jardim florido e grama viosa que se localizava no meio do quarteiro da
rua 12 do conjunto Orqudea. Eram 18:00 hs. Ele estava  paisana, mas
bem vestido dentro de um terno azul-marinho. Como de costume bateu
na porta e foi recebido por Sandra Evans. Ela usava uma sensual
camisola de seda.
     -- Estava com saudades -- disse ela  porta. -- Entre.
     Ele fitou nos olhos da advogada por um momento antes de dizer:
     -- No vamos mais nos encontrar, Sandra. Passei aqui apenas para
lhe dizer isso. Acabou.
     Uma expresso de espanto se acendeu no rosto dela.
     -- O qu? O que aconteceu?  assim... voc me usa e depois me
joga fora?
     Axel estreitou os olhos.
     -- Como assim? Deixei-me seduzir por voc! A culpa foi de
ambos...
     -- No podemos terminar agora! No depois de...
     -- De voc ter feito magia negra para acabar de vez com o meu
casamento? Eu j sei de tudo, Sandra. -- cortou ele.
     Sandra Evans estremeceu.
     -- Como... como voc soube?


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Isso no vem ao caso, Sandra. Adeus -- ele virou as costas para
ela, mas foi seguro pela manga do terno.
     -- Se voc me deixar, Axel, eu vou contar tudo para sua mulher. Eu
acabo com o seu casamento do mesmo jeito!
     Axel suspirou e conscientizou-se ainda mais da idiotice que havia
feito ao trair sua esposa. Ele fixou o olhar em Sandra, deu um passo para
o lado e ento apontou na direo do carro estacionado na frente da
casa.
     Sandra enxergou Tina no banco do passageiro olhando para os dois.
Leonardo estava no banco de trs.
     -- Eu j contei tudo a ela, Sandra -- disse Axel. -- Minha esposa j
me perdoou e nada que voc venha a acrescentar para ela ir mudar o
que ela sente por mim.
     A advogada ficou sem palavras.
     -- Estamos indo  Primeira Igreja Evanglica de Melmar. Quer vir
com a gente? Se quiser te levamos. Isso  idia da Tina, ela...
     Sandra no deixou que Axel continuasse. Entrou mais que depressa
para a sala e bateu a porta se trancando dentro da casa.

                                  &&&
     A Primeira Igreja Evanglica de Melmar estava repleta de pessoas.
Ilustres e no-ilustres aos olhos da sociedade. A imprensa encontrava-se
em peso com suas cmeras e microfones para registrar aquele momento.
O pregador da noite, como no poderia ser diferente, era Alan Xavier.

                                 &&&
    Alan estava no escritrio do pastor Nilton Cross. Este o chamara
rapidamente antes do culto comear.
    -- Chamei-lhe aqui no escritrio por trs motivos, Alan --
confessou Nilton Cross sorridente.
    -- Pode dizer, pastor.
    O pastor pigarreou e sentou em sua poltrona atrs da escrivaninha.
Ofereceu uma cadeira para Alan e este se sentou tambm. O pastor
comeou.
    -- Bem... o primeiro motivo  que quero lhe agradecer por ter
conseguido trazer tanta gente at nosso templo. Sinto que hoje vai haver
muitas converses, e tambm... -- Nilton comeou a rir do que ele
prprio iria dizer em seguida. -- uma boa oferta!
    Alan no pode conter a risada e ento falou:




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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     -- Devo isto a Deus e s oraes de todos vocs enquanto tudo
acontecia. Pude sentir a intercesso dos irmos sobre minha vida.
     Nilton Cross retomou a palavra:
     -- O segundo motivo era que uma pessoa queria muito v-lo e
entregar-lhe uma coisa.
     Repentinamente a porta do escritrio foi aberta e Tatiana Cross
conduziu Bete at Alan.
     -- Bete?  voc mesmo! -- reconheceu ele emocionado. -- Que bom
que veio mesmo para c. Vejo que voc est tima!
     Bete estava bem vestida e alimentada. Em nada parecia com aquela
senhora que Alan encontrara algumas noites atrs. Lgrimas comearam
a rolar dos olhos de todos dentro do escritrio.
     -- Sr. Alan, obrigada por ter me enviado para c. -- falou Bete com
voz trmula pela emoo. -- O senhor  realmente um homem bom e
fiel a Deus. Aqui eu aprendi muito sobre f e esperana em Cristo e
nunca poderei lhe pagar por isso, mas... -- ela estendeu a mo e Alan
pode ver um papel enrolado e envolto numa fita vermelha. Ele o pegou
nas mos. Bete concluiu: -- Aqui est um gesto de agradecimento. Um
poema especialmente feito para voc com todo o meu carinho.
     Sem dizer uma s palavra, Alan puxou Bete contra seu corpo e
abraou-a calorosa e demoradamente.
     Aps isso Tatiane e Bete deixaram os homens a ss novamente. O
pastor Nilton falou:
     -- E o terceiro motivo, meu irmo,  que estou me aposentando.
     -- O qu, pastor? -- assustou-se Alan. Ergueu-se da cadeira. -- o
senhor no pode fazer isso! Essa igreja precisa de um pastor como o
senhor. Uma pessoa ntegra, boa, fiel a Deus, amvel e experiente...
     -- Calma, Alan -- interrompeu Nilton. Fez um gesto para que o
mais moo sentasse. Alan obedeceu. -- J tenho um outro pastor com
essas mesmas caractersticas para o cargo. E o mais importante: J tem a
aprovao do Senhor.
     Ainda um tanto contrariado Alan indagou:
     -- E quando ele chega?
     -- Hoje mesmo -- disse o pastor. -- Ah! Ia me esquecendo. J at
mandei fazer uma pequena placa pra ele colocar aqui na escrivaninha
pra quando eu tirar a minha.
     Nilton Cross retirou uma pequena placa em madeira onde estava
escrito "PASTOR NILTON CROSS" de cima da mesa, abriu a gaveta e
jogou-a l dentro. Levou a mo l no fundo e trouxe uma nova placa,



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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

limpou-a e colocou na escrivaninha virada para si. Fitou-a por um
momento e disse:
     -- ... ficou bom. O que acha?
     Virou-a para que Alan visse. Estava escrito: "PASTOR ALAN
XAVIER".
     Alan abriu a boca, mas nada saiu dela. Piscou os olhos e levou a
mo ao queixo. Por fim perguntou:
     -- O senhor est brincando, no ?
     -- Eu at poderia brincar com outra coisa, meu filho, mas no com a
obra de Deus. Enquanto orvamos por voc depois que Melina nos
telefonou, o Senhor me deu a viso de que havia chegado sua ora de
apascentar as ovelhas. Esta  a sua recompensa.
     Alan sorriu. Era muita alegria para caber dentro de si. Ele se ergueu
com um pulo e bradou: -- ALELUIAAAA!!!

                                  &&&
     O culto de aes de graa comeou com uma breve orao e depois
com um grande momento de louvor com os msicos e adoradores locais.
Depois de meia hora de pura festa a palavra foi dada ao pastor Nilton
Cross. Este fez um breve comentrio sobre a alegria que sentia por todas
aquelas pessoas estarem ali presentes, principalmente o Pai, o Filho e o
Esprito Santo. Pediu para que todos se sentissem  vontade e abrissem o
corao para Deus e Suas palavras que seriam transmitidas atravs do
pregador daquela noite. Em seguida chamou a Alan para subir ao
plpito.
     Houve um grande aplauso para o momento em que Alan segurou o
microfone e falou que aquelas palmas eram para o Senhor.
     Alan olhou as primeiras filas dos bancos da igreja. Pode ver que ali
estavam Melina e seus filhos. Ao lado deles estavam Leonardo com seus
pais Axel e Tina Brendel. Ele sorriu para cada um deles.
     No banco logo atrs estavam Pablo e Caroline que certamente
estava de frias, pois do contrrio estaria por detrs de uma cmera do
lado de fora da igreja. Alan sorriu para eles tambm. Em outro banco os
olhos de Isadora Andrade cintilaram.
     Foi naquele momento que Alan procurou dentre os demais bancos
uma pessoa em especial. Vasculhou rpida, mas cautelosamente cada
banco, mas ela no estava presente.
     Deus, onde ele estar? Perguntou-se Alan. Traze-o at Tua presena.
     O culto decorreu de forma magnfica. A mensagem escolhida por
Alan foi tirada de Marcos 4:35-41, onde Jesus cessou a tempestade e fez o


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

mar se acalmar. As palavras fluram livremente, como o Senhor quisera.
Alan falou que as tempestades que a vida certamente traria a cada um
eram espantosamente pequenas em comparao  bonana que Jesus
conseguia dar para cada pessoa que se chegasse a Ele e disse como os
discpulos: "Mestre, ajuda-nos. Estamos para perecer". Assim como
Jesus fora no passado Ele ainda  hoje, por isso, quem estiver ao lado de
Cristo no afundar jamais, mas caminhar com a cabea erguida. De
vitria em vitria.
     Ao final da pregao Alan fez o aplo. Vrias vidas vieram  frente.
Entre elas estavam Caroline e Levi. Uma orao foi feita para que o
Senhor conduzisse aquelas vidas dali por diante e escrevesse seus nomes
no Livro da Vida.
     Muitos aplausos para o Senhor surgiram depois do amm. A alegria
era sem igual.
     -- ESPEREM! -- surgiu a voz masculina em alto som na entrada da
igreja. --Alan Xavier!
     Um silncio inesperado. Todos os olhares se voltaram para as duas
figuras de mos dadas em p  porta de entrada do templo.
     -- Carlos! Nicole! -- exclamou Alan.
     Obrigado, Senhor! Tu s fiel, ele agradeceu.
     O casal adentrou o tempo sob o olhar de toda a multido e da
imprensa. Os flashes espocaram registrando a imagem que certamente
seria capa de jornal.
     Carlos e Nicole caminharam at Alan, enquanto este correu ao
encontro dos dois e os abraou.
     -- Que bom que esto bem e que esto aqui! S Deus sabe a aflio
que eu estava sentido por no lhes ver enquanto pregava...
     Nicole se pronunciou:
     -- Se voc soubesse o quanto Carlos falou de voc no teria ficado
to aflito.
     Carlos e Alan se entreolharam. Carlos sorriu de um jeito como Alan
nunca tinha visto antes.
     -- Eu tinha que vir, pastor -- disse Carlos. -- tudo o que voc falou
pra mim aconteceu no Quaid's. Bastou apenas eu chamar por Deus e Ele
me ouviu... a mim que... sou um nada.
     -- Era um nada, Carlos -- consertou Alan.
     -- Ele livrou-me da morte mais uma vez -- Carlos respirou fundo.
-- Eu no posso mais negar isso, no posso mais dar as costas para
Deus... Por esse motivo estou aqui. Quero entregar a minha vida a Ele.
     -- Eu tambm -- disse Nicole olhando para Carlos e sorrindo.


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            Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa

     Toda a congregao glorificou a Deus por aquelas duas almas. A
festa ento foi maior e completa. Uma nova orao foi realizada. Alan
pediu para que o Senhor perdoasse os pecados daquele casal e que desse
as foras que eles necessitassem para prosseguir sempre em frente. Por
fim mais aplausos e brados de alegria foram dados.
     Alan e Carlos se abraaram pela primeira vez e o novo pastor disse
ao novo filho de Deus com os olhos cheios de lgrimas:
     -- Estou to feliz que no estou agentando essa emoo dentro de
mim, Carlos. Voc  muito especial para Deus. Seja bem-vindo  famlia
de Deus.
     Carlos esboou um enorme sorriso e concluiu:
     -- Obrigado, pastor, mas tenho tambm que lhe agradecer por no
desistir de mim. Por estar a disposio de Deus e fazer sua vontade.
Quem dera que houvesse mais pessoas como voc. Muitas vidas seriam
resgatadas do mundo das drogas e desiluses assim como eu vivi.
     Alan sorriu e falou mansamente com os olhos lagrimejando.
     -- Temos que orar, Carlos, e pedir para que mais servos se
coloquem nas mos do Senhor para a obra, pois a ceara  enorme. -- ele
olhou para fora e observou cada cmera e reprter. Concluiu: -- S
espero que aqueles que ouam ou leiam nossa histria aprenda algo
sobre submisso ao Senhor e paixo pela alma do prximo.
     -- Eu tambm, pastor -- disse Carlos abraando Alan mais uma
vez. -- E eu tambm quero fazer assim... Falar desse Deus maravilhoso
para muitas pessoas que necessitam dEle.
     -- Sei que uma nova histria vai escrita na sua vida junto  Nicole,
Carlos, e quem sabe o que lhe aguarda?
      -- Quem sabe, pastor? -- Carlos deu de ombros e sorriu. -- Quem
sabe...




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           Transformao  Parte 3 (Descobrindo a Verdade) - Naasom A. Sousa




                                                   O Autor



                            N  aasom A. Sousa nasceu no dia 7 de
                               janeiro de 1978 na capital cearense,
                            Fortaleza. Aos 13 anos mudou-se para
                            Belm do Par e logo aps para
                            Ananindeua, no mesmo estado. Foi ali que
                            se encontrou verdadeiramente com o
                            Cristo Salvador e se interessou pela leitura
                            depois de ler "Este Mundo Tenebroso II" de
                            Frank E. Peretti. Da ento passou a
                            escrever fices evanglicas. Tambm se
                            tornou compositor e cantor gospel.

                                 Atualmente, Naasom A. Sousa est
                            casado com Ivone Sousa e mora em
Paragominas, municpio  300km da capital paraense. Seu e-mail para
contato  letrassantas@hotmail.com / naasom@bol.com.br e seu site na
rede : www.letrassantas.hpg.com.br




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Outras Obras Publicadas:


"O Amor da Minha Vida" -- Nova roupagem de sua novela romntica
escrita em meados de 1996, e este tambm  seu primeiro trabalho
integral distribudo pela Internet.

"Do Deserto ao Osis" -- Novela que foi inspirada nas tantas
dificuldades e tribulaes que enfrentamos no dia-a-dia e que muitas
vezes pensamos que vamos perecer. Porm, por mais que pensemos que
estamos desamparados pelo Criador, Ele sempre tem um jeito de
provar-nos o contrrio.

"Transformao"  Parte 1 (A Misso) -- Fico que retrata a
obedincia de um simples servo para com o seu Deus. Alan Xavier
recebe um chamado de Deus para pregar a Palavra para Carlos Lacerda.
Porm, Carlos  traficante de drogas. Os dois se envolvem num
assassinato e so procurados pelo crime que no cometeram.

"Transformao"  Parte 2 (Reencontos) -- Segunda parte da fico.
Alan, Carlos e Nick Gradino (amigo de Carlos) tentam resgatar Nicole
(noiva de Carlos), mas tudo sai errado. Alan reencontra antigos amigos,
que faziam parte de uma terrvel gangue e que agora so remidos e
lavados pelo Sangue do Cordeiro.




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